Rock N' Roll: Qual o Futuro?

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Por Rudson Xaulin
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A atual fase musical do rock n' roll anda um pouco desesperadora para os mais devotos. Tanto para os antigos que viveram momentos inesquecíveis, como o nascimento de grandes bandas, festivais memoráveis, atitudes inesquecíveis e músicos que marcaram gerações inteiras. Mas também para os mais novos, que gostam de um rock n' roll mais clássico, o cenário atual é desesperador em diversos aspectos.

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Sabemos que existem bandas novas e muita banda fazendo barulho por aí, mas nada como um dia foi o rock n' roll em seu ápice, tanto em criatividade, atitude e devoção dos seus seguidores. O termo de "rock star" era empregado a grandes do gênero, por tudo o que faziam em cima do palco, em estúdio ou como levavam suas vidas de maneira quase que inacreditável. Os fãs, também mudaram muito, e cá estamos com uma geração que desfruta de música gratuita e que não tem muito interesse por shows ao vivo. O que aconteceu?

Diversos ícones de várias vertentes do rock n' roll estão em fases que não lembram em nada seu ápice. A idade é um fator decisivo para isso e a falta de cuidados com a saúde também, mas esses caras viveram ao extremo. Hoje em dia não notamos mais grandes nomes do meio nascerem e ficarem entre a maioria dos rockers como um grande ícone, ídolo ou até mesmo referência.

O Led Zeppelin, que perdeu um grande baterista precocemente, foi à primeira vítima do tempo. No auge, com a morte de John Bonham, decidiu por encerrar as atividades e só voltou aos palcos anos depois, com o filho de John, Jason, no comando das baquetas. A idade avançada, que castiga claro que evidentemente o vocalista principal sem piedade, fez por perceber que o Led demorou muito para o tal show ou tal "retorno". O fato de que o baterista que substituía o seu herói original era o pai de Jason, fazia disso já um grande álibi para shows que deveriam ter começado há muito tempo. Mas que não perpetuaram a aquela apresentação e que no fim, hoje em dia Robert Plant se esforça para estar no palco, se diverte, migra para outras plataformas e estilos musicais, mas o tempo levou dele uma voz quase que perfeita. Você consegue enxergar outro Led Zeppelin?

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Outro ícone, o Black Sabbath, tem músicos que estão se definhando, mas que seguem fazendo o que podem, ou seguiam. Há poucos dias uma turnê mundial de despedida foi anunciada... Ozzy já não alcança as notas com perfeição há um bom tempo, as pessoas reclamam muito, mas cara, ele está no palco, se divertindo e divertindo você. Iommi, que lutou bravamente contra o câncer, soltou uma nota dizendo que não aguenta mais o desgaste das turnês, da correria pra coisa toda acontecer e que a idade deles, é sim, um fator que pede que o pé no freio vá cada vez mais fundo. É triste, mas uma turnê de despedida é mais do que merecida.

Perdemos o rei cedo, Elvis Presley partiu dessa muito novo. Ele acabou nos deixando um legado e uma história rica, mas se foi novo demais, cedo, sem nos dar o ar da graça de ver suas rugas e cabelos brancos, em uma dança que com talvez 70 anos, fosse parecer bem estranha... E John Lennon e aquela tragédia? Os Ramones, The Doors, Sex Piltols, Nirvana, Queen, Pantera, e tantas outras bandas que perderam membros vitais para que continuassem na ativa em grande nível.

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Do que temos ainda em vida, muita gente segue fazendo o que pode para dar aos seus seguidores um bom show, mas a coisa tem ficado cada vez pior: Axl Rose nunca mais foi o mesmo desde os últimos shows da formação clássica do Guns N' Roses, a longínquos anos, ainda na década de 90, mais precisamente em 1993. Axl não conseguiu lidar com uma voz diferenciada, um dos maiores frontman do seu tempo viu o seu drive sumir, e sem o cuidado que deveria ter, os shows do atual GNR não lembram em nada a aquele estouro da boiada que era Axl, Slash e Cia.

Outra voz marcante, a de Dave Coverdale, do Whitesnake, não soa nem de perto como em tempos de outrora. Sebastian Bach (ex-Skid Row), que não cansa de falar que sua voz é mágica, como ele tem sorte e tudo isso que ele tenta empurrar pra mídia, vem descendo as escadas a um bom tempo, na verdade, ele já deveria ter deixado à sala e apagado a luz. Bach foi outro fenômeno do hard rock, mas o ego e as brigas internas na sua ex-banda, fizeram com que perdêssemos preciosos anos de uma agressividade vocal que nunca mais ele conseguiu alcançar.

Ainda no hard rock, outra banda que talvez foi a maior do gênero, o Mötley Crüe, segue fazendo um show mais pirotécnico, pois a parte musical, já não é das melhores ao vivo. Vince Neil não tem mais folego, mas lhe sobra barriga. Nicki Sixx faz até fogo sair do seu baixo e Tommy Lee faz sua bateria/montanha russa, ser um dos grandes atrativos do show. Mick Mars sofre para se manter em pé no palco e com tantas dores, a turnê mundial, que acaba com as atividades da banda em 2015, parece mesmo o melhor caminho.

Paul Stanley não tem mais a mesma voz, após passar por graves problemas na garganta, compreensível com a idade e aquele timbre, mas o Kiss e a maquina de fazer dinheiro, Gene Simmons, parecem não achar que encerrar as atividades seja o melhor caminho. O Kiss ainda da um grande show pra qualquer um, é efeito disso, pirotécnica daquilo, show de fogos, fumaça e de luzes, mas Paul não pode continuar por muito mais tempo... Outro que teve graves problemas nas cordas vocais, e que até cogitou nunca mais voltar aos palcos, foi Tom Keifer, o vocalista e multi-instrumentista do Cinderella.

Steven Tyler, do Aerosmith, vinha sendo uma das ultimas esperanças quanto ao quesito de levar sua voz perpetuada pelos anos, foi até episódio do National Geographic, sobre como ele era uma "incrível máquina humana", mas ele vem mostrando que também esta sendo vencido pela idade e por excessos.

Também perdemos precocemente uma das mais belas vozes do nosso tempo, Ronnie James Dio, que lutou bravamente até ser derrotado pelo câncer. Perdemos também para o anjo negro, Jani Lane, e grandes músicos como Stevie Ray Vaughan, Ritchie Valens, Randy Rhoads e boa parte do Lynyrd Skynyrd.

E o triste fim pré-anunciado do Motörhead? Lemmy não aguenta mais, está debilitado, frágil e mal consegue se manter em pé e respirar. São shows que estão sendo cancelados, e Lemmy não se entrega, diz que seu desejo é de "morrer no palco", mas não seria a ocasião de simplesmente parar e ficar sossegado até que sua hora chegue. Vá descansar valente companheiro!

Eu sei que temos Dave Grohl, ok, ele é um sujeito pra lá de engraçado, divertido e demonstra muitas vezes ter um grande coração. Mas e a aquela atitude e postura de grandes ícones do gênero, de badernas, de meter o pé na porta e não seguir modas, o mercado ou as leis de venda da imprensa. Dave lidera uma grande banda, possivelmente a maior da nova era que o rock n' roll está seguindo, mas isso não se compara ao que de fato foi um movimento que mudou o mundo.

Existem centenas de milhares de bandas novas, bandas surgindo e pessoas que vivem e respiram o rock n' roll, mas o público também não é mais o mesmo. Bandas novas confundem quando o público não vai aos seus shows ou quando eles não alcançam o sucesso estrondoso de seus heróis de outrora. Hoje espalhar sua música por aí ficou mais fácil, mais direto, mas ao mesmo tempo tanta visibilidade se mostra uma faca de dois gumes, pois você pode levar sua música, distribuir em vários formatos e no fim, também pode ser ouvido por milhares e ser taxado como ruim rapidamente e ficar a mercê de não se entregar ou saber que de fato, você não é o novo Rolling Stones.

Estamos seguindo para um caminho sem volta, os gigantes estão morrendo ou deixando os palcos, e não há nada que podemos fazer contra a morte e contra o tempo, e eu realmente estou começando a ficar preocupado. Existem bandas "parecidas", mas nenhuma delas é o AC/DC moderno. E o nosso bom e velho AC/DC já da à deixa de aposentadoria, de músicos sem mais condições e logo se tornará mais uma banda a nos deixar carentes do rock cru, grudento e direto.

O Van Halen segue tentando voltar firme, se conciliar entre si e ex-membros, lidar com Eddie e seu o jeito estranho de levar a vida e como ele vê inimigos em todos os lugares... Slash tentou o Snakepit, o Velvet Revolver e agora em carreira "solo" com uma banda pra lá de competente, mas ainda assim nada como um dia foi o GNR. Ele trabalha ao lado de Myles Kennedy, e seus fãs se dividem entre o talento musical do "melhor vocalista que surgiu nos últimos anos", ou em "a voz dele parece com a de uma cabra", "ele é melhor que Axl" e assim seguimos.

Aqui no Brasil não estamos livres disso: O Sepultura nunca mais foi o Sepultura, seguiu fazendo um bom trabalho, pra mim sim, para outros, nem tanto. Max está meio perdido no mundo real e ainda não encontrou o caminho do chuveiro, quem dirá do que ele realmente quer fazer da música. O saldo do Sepultura segue tentando mostrar que ainda é o Sepultura, mas para seus seguidores, existe uma divisão e uma guerra de pontos, assim como existe com fãs do GNR que eu acabei de citar acima.

Aí foi o racha do Angra, os egos inflados, substituições e o Angra seguiu como pode de novo. Edu Falaschi foi até onde aguentou, aí veio cara nova nos vocais e o outro carro chefe do grupo, Kiko, seguiu para o Megadeth... Kiko no Megadeth é muito bacana, mas sabemos que isso não se perpetua. Bom para Kiko, claro, ruim para o que restou do Angra.

Dr Sin anunciou seu fim, Gloria dizimado no Rock In Rio e Kiara Rocks virou piada por seus covers, mas respeito basta. Hibria não se da muito bem por questões burocráticas nos EUA e a Banda Malta se torna a "salvação do rock nacional". E isso nada mais é do que a Reação em Cadeia vem fazendo há 15 anos.

Do lado mais grudento, o Creed fez um barulho, Scott Stapp surtou e aí surgiu o Alter Bridge, que segundo o público vai ser sempre a banda dos ex-Creed. A banda Nickelback é odiada e Bon Jovi mudou ao extremo, mesmo com milhões de fãs no mundo, mas eles mesmos sabem que a banda virou uma empresa, assim como o U2. Oasis separados, Coldplay é Coldplay e Maroon 5 é Maroon 5... Os Gorillaz foram engraçados, depois ficou chato, e aí o Linkin Park misturou tanta coisa que se perdeu também. Hoje Chester tenta dar nova vida ao que sobrou do Stone Temple Pilots.

Então meus amigos, o cenário não é nada promissor. Entre coisas novas, tudo é ruim? O público sabe mesmo parar e ouvir coisas novas ou virou apenas uma grande máquina de amassar pão sem piedade? Os dinossauros clássicos vão sumir? Não vamos deixar nada para as gerações que vão seguir? Somente o tempo para nos dizer, mas as coisas estão sombrias para o nosso lado e nisso, temos que concordar em algum ponto. Boa sorte ao nosso bom e velho rock n' roll e um grande abraço a todos os amigos do meio!




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