Cover x autoral: a vitória do consagrado sobre a criatividade

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Por Fernando Moraes
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Hoje liguei para um bar conceituado na região onde moro para saber se minha banda poderia tocar lá. Antes, havia ido ao local, mostrei o CD, falei sobre os eventos que tocamos e também contei sobre as matérias do grupo na mídia, além do fato de algumas músicas da gente terem tocado em rádios. A resposta foi essa, na lata: "Desculpe-nos, sua banda não tem o perfil". O problema é que não foi a primeira vez que aconteceu. E também sei que não é só com a gente que rola isso.

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Conversando com colegas de outros lugares, membros de bandas talentosas, disseram que também estão acostumados a ouvir coisas similares. Ou seja, se você faz som autoral, ou você está ligado a algum coletivo -, uma aposta válida para quem busca reconhecimento para seu trabalho-, ou busca outras formas alternativas de mostrar o trabalho. E a internet é muito útil neste sentido. Mas sobreviver de música? Desencana, quase impossível!

É intrigante como é decadente o espaço para a criatividade enquanto o mercado para o testado, aprovado, consagrado só cresce. No caminho para a casa ontem, ouvi numa rádio Rock várias vezes durante o intervalo da programação anúncios de shows: Não perca dia tal Metallica Cover, Raimundos Cover, Iron Maiden Tributo. E o mais interessante é que as músicas de fundo da publicidade eram os sons originais, não os dos covers fazendo versão.

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Pensa bem: você empresta o nome do artista consagrado, toca as músicas que alguém criou e todo mundo conhece e ainda conta com a publicidade com trilha sonora original! Não tem como dar errado, ainda mais quando o vocalista imita a dancinha do Axl Rose no palco (sim, eu ri ao escrever isso). Eu mesmo curto o trabalho de algumas bandas, principalmente se as originais não existem mais e sei que nunca terei oportunidade de vê-las ao vivo.

O problema não é quem faz cover, mas a atitude do público. Você pode não perceber, mas cada vez que sobe ao palco um tributo, continua no anonimato alguém que no futuro poderia ser um artista no nível de Cazuza, Renato Russo, André Matos, Max Cavalera, Zé Ramalho ou de qualquer outro gênero. É a vitória do consagrado sobre a criatividade. 10 a 1 pra eles.

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E não são apenas as bandas novas que sofrem com este dilema. A maioria das bandas clássicas se resumiu a fazer cover delas próprias! Como lembrou o colega baixista Paulo Pascale, muitos comentam que se novas bandas fizessem músicas no estilo de algum clássico do rock iriam escutar o som novo. Só que estas mesmas pessoas se esquecem que as grandes bandas lançaram novos discos/músicas e ninguém liga pra elas também, só querem ouvir os clássicos. Resumindo: Ninguém quer ir atrás de novidades, seja de bandas grandes ou não.

Como disse antes, grande parte da responsabilidade é do mercado. Mas aceitar passivamente que nosso comportamento enquanto público tenha se reduzido a ouvir repetidamente o que já gostamos e fecharmos os olhos para o que podemos gostar é deprimente. Se a juventude dos anos 80 foi a geração coca-cola e tudo o que o pessoal ainda quer é ouvir as novidades daquela época... é amigo, então azedou faz tempo.

Contatos: Twitter: @fermoraes e @rotaventurarock e:mail: [email protected]




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Sobre Fernando Moraes

Jornalista e Relações Públicas, Fernando Moraes é também músico independente, vocalista e guitarrista da banda paulista Rota Ventura. Amante de Rock, de música de qualidade e entusiasta dos artistas autorais, seus artigos falam sobre o cenário do novo Rock Nacional e os desafios daqueles que fazem de tudo para que grandes bandas continuem surgindo e mantendo vivo o estilo de som mais amado de todos os tempos.

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