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Metallica: O amadurecimento pós Cliff Burton

Por Blog Rockrônico
Fonte: Blog Rockrônico
Em 29/09/14

Acompanhando a carreira do Metallica, é bem nítido um certo amadurecimento musical no final da década de 80. A fase genuinamente thrash metal da banda durou, como se sabe, até o Master of Puppets. A qualidade musical deste álbum e de seu antecessor (Ride the Lightning) é incontestável, mas o som era mais juvenil.

Agressividade, vocais mais rasgados e timbres de guitarra genuinamente vinculados às raízes do thrash. As letras, em sua maioria, com teor panfletário ou sombrio, falando em morte e entidades indiretas (como a própria Master), fazendo insinuações políticas ou mencionando algo sobre guerras. Muito embora, mesmo nesta época, a banda já fosse superior na composição de suas letras a muitas outras bandas do mesmo gênero. Todavia, depois da morte de Cliff Burton, houve um evidente processo de transformação.

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Com ...And justice for all, a banda apresenta uma face um pouco mais introspectiva. Ali, ainda mantiveram parte de sua áurea thrasher por que muitas músicas deste álbum já haviam sido compostas anteriormente. Mas começam a dar outra cara para a música. Dá para notar, em algumas músicas como Eye of the Beholder, que naquele momento havia algo um pouco mais pessoal em jogo; em Dyers Eve é como se estivessem jogando para fora alguma angústia. Já a famosa One trata de uma visão pessoal sobre o pós guerra, como se estivessem falando em nome de um ex-soldado.

Embora muitos fãs tenham de fato detestado a banda nesta época, julgo que o lançamento do Black Album é de suma importância para mostrar o amadurecimento intelectual do grupo. É tecnicamente inferior a todos os discos anteriores, com composições mais simples e mais objetivas. A sonoridade foi alterada propositadamente, visto que a banda até contratou Bob Rock especialmente para isso. Essa tentativa de dar um ar mais moderno e timbres mais agradáveis mostra uma evolução da visão comercial que o Metallica atingiu. Não foi por acaso que este foi o disco mais vendido da banda e um dos mais vendidos da história. Black Album era tão bem aceito pelo público que, nos EUA, até mesmo senhoras donas de casa ouviriam Nothing Else Matters e Unforgiven no radinho enquanto cozinhavam o almoço - e isso de fato acontecia na época.

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Neste lançamento o Metallica apresentou letras sobre temas mais diversificados, além de abordagens metafóricas, algo que raramente era usado antes. Enter Sandman, reza a lenda, falava de forma muito direta sobre rapto de crianças. O produtor teria chegado aos ouvidos de James sugerindo que ela fosse um pouco mais indireta, por que embora passasse a mesma mensagem seria mais agradável aos ouvidos populares. Toda essa visão comercial me faz conseguir compreender o desgosto dos fãs. Afinal, é natural esperar sempre mais do mesmo. Aqueles que gostavam da banda pelo que ela foi na década de 80 jamais poderiam dizer que ainda gostavam dela pelos mesmos motivos. Particularmente, acho Black Album uma obra prima, e somente atrás de Ride the Lightning e do já citado ...And Justice for All, ficando como terceiro melhor lançamento do grupo até os dias de hoje.

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A música Don't tread on me, que se tornou hino para os libertários*, aborda a questão da liberdade de maneira poética quando diz "To secure peace is to prepare for war." Wherever I may Roam é outra composição muito boa neste sentido, abordando uma visão pessoal e introspectiva sobre liberdade de expressão. As composições que vieram a seguir, dos discos Load e Reload, seguem a mesma linha. E a diversificação das letras, falando sempre sobre vários temas e de formas diferentes, é algo que considero bastante positivo.

É verdade que as composições do Load, em comparação a tudo que a banda havia feito até ali, são bastante inferiores e não surpreendem muito. O Reload já considero um pouco superior. O que muitos fãs parecem ter detestado naquela época, e ainda nos dias de hoje, é a sonoridade um pouco menos pesada que o Metallica apresentou na década de 90, com timbres que remetiam às vezes até ao hard rock, como na versão que fizeram de Whyskey in the jar, ou em Fuel e Carpe Diem. Além disso, há toda a questão visual. Cabelos cortados, uma postura mais "estrela do rock", maquiagens forçadas e as roupas mais modernas incomodaram toda a casta dos fãs mais antigos, que esperavam do Metallica a postura thrash metal de sempre.

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Considero que após o Reload e a apresentação feita com a Orquestra Sinfônica no famoso S & M, houve mesmo uma queda de qualidade e criatividade. Ao tentarem entrar na vibe nu metal e metalcore do início do milênio, com St. Anger, a banda deu uma certa engessada, e nem mesmo o lançamento de Death Magnetic (ligeiramente superior), foi capaz de reverter este quadro. Ainda assim, é minha banda predileta.

*Não há menções da banda sobre esta música ter sido escrita com esta intenção. É provável que o movimento libertário tenha apenas se apropriado da ideia voluntariamente.

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