Blog Rockrônico: Power Metal é um gênero falido em essência

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

Por Blog Rockrônico, Fonte: Blog Rockrônico
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Antes de começar, é preciso estabelecer alguns detalhes de suma importância para a questão:

1º - Metal Melódico e Power Metal são uma mesma e única coisa. É um gênero só. Quem discorda disso, em geral, são os mal informados, os fãs que querem estabelecer gênero especial para suas bandas preferidas e alguns tolos metidos a puristas.

32 acessosAngra: Tira o Gate do Bumbo, Emiliano!5000 acessosMustaine: por que ele perdeu seu emprego no Metallica?

2º - Sim. Foi o que você leu acima. Alguns irão argumentar "Mas então o Angra é igual ao Helloween?". Não. Não é. Angra é chato sempre, Helloween só é chato às vezes. Ademais, Ozzy e Iron Maiden também não são iguais, mas ambos são Heavy Metal. Não é?

Agora, indo ao ponto central: O que é ser "falido em essência"?

Primeiro, ser um gênero falido não implica que as bandas do gênero estejam falidas - embora a maioria esteja mesmo -, e sim que o gênero não é mais comercialmente e artisticamente viável. Que não seja comercialmente viável já é uma realidade desde os anos 90. De lá para cá a coisa só piorou. Porém, ser artisticamente inviável é outra questão... O Power Metal sofre com um estereotipamento* que o tornou limitado. Aparentemente não há mais nada novo a ser explorado. Depois de alguns discos e algumas bandas lançados dentro desse nicho, a criatividade se esgotou a tal ponto em que até mesmo as melhores do gênero começaram a patinar.

Ocorre que, como a maior parte dos gêneros de nicho, o Power Metal explorou tudo o que poderia ser explorado dentro de suas limitações e acabou ali. Não é como ouvir Led Zeppelin**, em que um álbum poderia suplantar ou apenas completar o anterior, e você sempre era surpreendido com algo totalmente diferente e inexplorado. Isso ocorria por que, talvez pela época ou pela mentalidade dos integrantes, Led Zeppelin não se limitou a ter um gênero, não vestiu uma única roupa. Ora soavam um pouco progressivos, ora soavam com um característico rock n' roll, e muitas vezes eram psicodélicos ao extremo. Tudo em nome daquilo que se propuseram a fazer: música com profundidade.

Um dos maiores erros cometidos dentro do Power Metal diz respeito à dedicação quase exclusiva aos excessos. Em mais de 90% das bandas, o que se viu foram vocalistas tenores ou contra-tenores com seus exageros vocais em altos tons, guitarristas solando com muita velocidade e quase sempre sem nenhum feeling - e em pentatônicas de lá menor, o que parecia ser algum tipo de lei não oficial -, uma bateria muito rápida e sem peso, uso exagerado de teclado em passagens que não se faziam necessárias e as letras... Ah!, as letras... As temáticas foram repetidas à exaustão! Ou se falava em dragões, guerreiros iluminados e batalhas, ou se falava em guerras com um tom dramático, ou se falava de esplendores de esperança e futuro brilhante do "Sol do Milênio". Isso virou lugar comum. E de tão comum parece ter virado regra. E como baixista, não posso esquecer de mencionar um importante detalhe: um gênero repleto de excelentes baixistas escondidos atrás de guitarras e teclados.

Sim... Sei. Você vai dizer que os baixistas apareciam bastante, ai vai citar três ou cinco músicas (Eagle Fly Free, né?) em que o baixo aparece um pouco mais. Essas músicas eram exceção à regra; a regra era o baixo ficar engolido como Jason Newted em ...And Justice For All. E no que diz respeito ao baixo, a banda com maior número de exceções foi o Helloween, provavelmente por que o baixista deles era ninguém menos que Markus Grosskopf. Mas você também vai negar que faltava feeling aos guitarristas, aí vai citar o Kiko Loureiro. Só que o Loureiro é tão fraco artisticamente que é praticamente incapaz de regular seus pedais em um bom timbre. Se qualquer um ouvir um disco inteiro com ele tocando não poderá reconhecê-lo, pois sua única marca é a propaganda. E aqui nem estou desmerecendo sua técnica. Tocar ele até sabe. Aparentemente ele não sabe é compor e nem se fazer lembrar. Não é como ouvir Dimebag Darrell, reconhecível há milhas de distância soando apenas umas quatro ou cinco notas. Ouso dizer que até Kurt Cobain teve mais talento - e menos técnica, é claro - do que ele.

Espero que você entenda - embora duvide disso - que em momento algum estou desmerecendo estes músicos no quesito técnico. Praticamente todos deste gênero sabem tocar muito bem seus respectivos instrumentos. Esta não é a questão... A questão é que se você se propõe a ficar famoso apenas por saber tocar, isso pode funcionar por um tempo mas, a longo prazo, chegará o fatídico momento no qual não haverá mais nada a ser mostrado. Seus fãs vão esperar surpresas, mas como tudo o que você propôs foi técnica, a surpresa acaba na medida em que sua técnica se torna cada dia mais limitada. É por isso que alguns músicos como Jimi Hendrix e Tony Iommy são lembrados até hoje e servem como referência. Eles se propuseram a surpreender com sua arte, não com suas mãos. É bastante óbvio que Jimi Hendrix fosse tecnicamente inferior ao Kiko Loureiro ou a qualquer outro guitarrista bom neste gênero, mas isso não importava, o que Hendrix fazia era - e ainda é - arte, não apenas produto ou masturbação musical.

O Power Metal já está morto. Algumas bandas ainda persistem no mercado apenas para manter pequenos luxos. Nenhuma delas lucra mais como antigamente, é um fato. E em breve elas também serão apagadas da história para sempre, quase todas serão esquecidas.

* Estereotipamento é uma palavra que eu não sabia que existia até a redação deste artigo.
** Citei Led Zeppelin apenas por que eu gosto e achei interessante para exemplificar, mas não precisa chorar por isso.

Por que destacamos matérias antigas no Whiplash.Net?

5000 acessosQuer ficar atualizado? Siga no Facebook, Twitter, G+, Newsletter, etc

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+Compartilhar no WhatsApp

32 acessosAngra: Tira o Gate do Bumbo, Emiliano!306 acessosAngra: Felipe Andreoli lança curso online624 acessosAngra: 10 Melhores músicas no Disco Voador Rocks1158 acessosRio Rock City: O Power Metal morreu?1268 acessosAngra: discografia de volta ao Spotify1424 acessosAngra e Hangar: Fábio Laguna conta como entrou nas bandas0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Angra"

AngraAngra
Edu Falaschi: "Sempre fui fã da Legião Urbana!"

ViperViper
Fotos dos primórdios da carreira

Edu FalaschiEdu Falaschi
O segundo disco do Almah e a situação do Angra

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 14 de setembro de 2014

0 acessosTodas as matérias da seção Opiniões0 acessosTodas as matérias sobre "Helloween"0 acessosTodas as matérias sobre "Angra"

Dave MustaineDave Mustaine
Por que ele perdeu seu emprego no Metallica?

Rock In PeaceRock In Peace
As mortes mais marcantes do Rock/Metal

Mike PortnoyMike Portnoy
Baterista explica a camisa "Fuck Paul Stanley"

5000 acessosMotörhead: Amy Lee no colo de Lemmy Kilmister5000 acessosMarilyn Manson: isso é o que acontecia na tour de 19965000 acessosAC/DC: membros agradecem Steven Tyler, mas ele não lembra5000 acessosAntes do Guitar Hero: os primeiros rockstars em video-games5000 acessosZakk Wylde: "Não me incomodo com Justin Bieber"5000 acessosBlack Sabbath: veja manuscrito da letra de "Iron Man"

Sobre Blog Rockrônico

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online