Blog Rockrônico: Power Metal é um gênero falido em essência

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Por Blog Rockrônico, Fonte: Blog Rockrônico
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Antes de começar, é preciso estabelecer alguns detalhes de suma importância para a questão:

1º - Metal Melódico e Power Metal são uma mesma e única coisa. É um gênero só. Quem discorda disso, em geral, são os mal informados, os fãs que querem estabelecer gênero especial para suas bandas preferidas e alguns tolos metidos a puristas.

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2º - Sim. Foi o que você leu acima. Alguns irão argumentar "Mas então o Angra é igual ao Helloween?". Não. Não é. Angra é chato sempre, Helloween só é chato às vezes. Ademais, Ozzy e Iron Maiden também não são iguais, mas ambos são Heavy Metal. Não é?

Agora, indo ao ponto central: O que é ser "falido em essência"?

Primeiro, ser um gênero falido não implica que as bandas do gênero estejam falidas - embora a maioria esteja mesmo -, e sim que o gênero não é mais comercialmente e artisticamente viável. Que não seja comercialmente viável já é uma realidade desde os anos 90. De lá para cá a coisa só piorou. Porém, ser artisticamente inviável é outra questão... O Power Metal sofre com um estereotipamento* que o tornou limitado. Aparentemente não há mais nada novo a ser explorado. Depois de alguns discos e algumas bandas lançados dentro desse nicho, a criatividade se esgotou a tal ponto em que até mesmo as melhores do gênero começaram a patinar.

Ocorre que, como a maior parte dos gêneros de nicho, o Power Metal explorou tudo o que poderia ser explorado dentro de suas limitações e acabou ali. Não é como ouvir Led Zeppelin**, em que um álbum poderia suplantar ou apenas completar o anterior, e você sempre era surpreendido com algo totalmente diferente e inexplorado. Isso ocorria por que, talvez pela época ou pela mentalidade dos integrantes, Led Zeppelin não se limitou a ter um gênero, não vestiu uma única roupa. Ora soavam um pouco progressivos, ora soavam com um característico rock n' roll, e muitas vezes eram psicodélicos ao extremo. Tudo em nome daquilo que se propuseram a fazer: música com profundidade.

Um dos maiores erros cometidos dentro do Power Metal diz respeito à dedicação quase exclusiva aos excessos. Em mais de 90% das bandas, o que se viu foram vocalistas tenores ou contra-tenores com seus exageros vocais em altos tons, guitarristas solando com muita velocidade e quase sempre sem nenhum feeling - e em pentatônicas de lá menor, o que parecia ser algum tipo de lei não oficial -, uma bateria muito rápida e sem peso, uso exagerado de teclado em passagens que não se faziam necessárias e as letras... Ah!, as letras... As temáticas foram repetidas à exaustão! Ou se falava em dragões, guerreiros iluminados e batalhas, ou se falava em guerras com um tom dramático, ou se falava de esplendores de esperança e futuro brilhante do "Sol do Milênio". Isso virou lugar comum. E de tão comum parece ter virado regra. E como baixista, não posso esquecer de mencionar um importante detalhe: um gênero repleto de excelentes baixistas escondidos atrás de guitarras e teclados.

Sim... Sei. Você vai dizer que os baixistas apareciam bastante, ai vai citar três ou cinco músicas (Eagle Fly Free, né?) em que o baixo aparece um pouco mais. Essas músicas eram exceção à regra; a regra era o baixo ficar engolido como Jason Newted em ...And Justice For All. E no que diz respeito ao baixo, a banda com maior número de exceções foi o Helloween, provavelmente por que o baixista deles era ninguém menos que Markus Grosskopf. Mas você também vai negar que faltava feeling aos guitarristas, aí vai citar o Kiko Loureiro. Só que o Loureiro é tão fraco artisticamente que é praticamente incapaz de regular seus pedais em um bom timbre. Se qualquer um ouvir um disco inteiro com ele tocando não poderá reconhecê-lo, pois sua única marca é a propaganda. E aqui nem estou desmerecendo sua técnica. Tocar ele até sabe. Aparentemente ele não sabe é compor e nem se fazer lembrar. Não é como ouvir Dimebag Darrell, reconhecível há milhas de distância soando apenas umas quatro ou cinco notas. Ouso dizer que até Kurt Cobain teve mais talento - e menos técnica, é claro - do que ele.

Espero que você entenda - embora duvide disso - que em momento algum estou desmerecendo estes músicos no quesito técnico. Praticamente todos deste gênero sabem tocar muito bem seus respectivos instrumentos. Esta não é a questão... A questão é que se você se propõe a ficar famoso apenas por saber tocar, isso pode funcionar por um tempo mas, a longo prazo, chegará o fatídico momento no qual não haverá mais nada a ser mostrado. Seus fãs vão esperar surpresas, mas como tudo o que você propôs foi técnica, a surpresa acaba na medida em que sua técnica se torna cada dia mais limitada. É por isso que alguns músicos como Jimi Hendrix e Tony Iommy são lembrados até hoje e servem como referência. Eles se propuseram a surpreender com sua arte, não com suas mãos. É bastante óbvio que Jimi Hendrix fosse tecnicamente inferior ao Kiko Loureiro ou a qualquer outro guitarrista bom neste gênero, mas isso não importava, o que Hendrix fazia era - e ainda é - arte, não apenas produto ou masturbação musical.

O Power Metal já está morto. Algumas bandas ainda persistem no mercado apenas para manter pequenos luxos. Nenhuma delas lucra mais como antigamente, é um fato. E em breve elas também serão apagadas da história para sempre, quase todas serão esquecidas.

* Estereotipamento é uma palavra que eu não sabia que existia até a redação deste artigo.
** Citei Led Zeppelin apenas por que eu gosto e achei interessante para exemplificar, mas não precisa chorar por isso.

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Post de 14 de setembro de 2014


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