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Michael Kiske: A Adoração ao Mal no Cenário do Heavy Metal

Por Vitor Chaves de Souza
Fonte: MetalBlast
Em 20/08/14

por Michael Kiske

Fonte:
http://www.metalblast.net/blog/kiske_evil_in_metal/

Tradução: Vitor Chaves de Souza

Nota do tradutor: O artigo "A Adoração ao Mal no Cenário do Heavy Metal" (The Worship of Evil in the Heavy Metal Scene), foi publicado originalmente no site Metal Blast e traduzido com autorização.

A ideia de que "o heavy metal glorifica o mal" é, infelizmente e muitas vezes, verdadeira. O "prejuízo" desta glorificação atinge também aqueles que estão fora do mundo do metal. A realidade é que muitas pessoas inseridas no cenário são hipócritas e não enxergam, não admitem, ou não estão aptas para perceber esta glorificação do mal, uma vez que se tornaram moralmente insensíveis devido os anos da brutalidade no cenário.

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Ao invés de negar a realidade, o cenário do metal deveria trabalhar com esse problema e mudar o espírito doente. Em vez de ser uma doença moral, o cenário do metal deveria se tornar num curador moral! Ser positivo ou "moralmente bom" na arte não significa que o mundo deve ser pintado de rosa. Afinal, a agressividade pode ser também positiva quando é justificada por um bom motivo. Expressar uma fúria justa sobre algo pode ser conciliador e positivo. O problema acontece quando agressões, frustrações ou ser negativo se tornam um "ideal".

Felizmente, há muitas bandas idealistas no cenário do metal que sustentam boas ideias. O HELLOWEEN (pelo menos durante os meus anos na banda) sempre foi idealista e bastante divertido, mesmo se o nome estúpido pudesse transmitir o contrário (eles nomearam a banda quando eles eram adolescentes e ficaram presos com o nome quando estavam famosos). Os membros não eram satânicos. MICHAEL WEIKATH é católico. Eu sou um cristão não-denominacional que acredita no bem, em Deus, em Cristo, no Espírito Santo e no sentido moral geral da nossa existência. O mesmo acontece com o AVANTASIA, uma banda idealista e positiva com letras para cima. Também o UNISONIC, que embora eu considere ser uma banda de rock, quando fazemos metal nós buscamos uma música diferenciada, do jeito que eu sempre fiz. Se existem outras bandas como as citadas, por outro lado existe uma tendência muito destrutiva e um espírito satânico mau no cenário do heavy metal, envenenando a música e as almas de muitos.

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Quando eu era adolescente, eu me empolguei com o rock, hard rock e o metal. Porém, conforme eu envelheço, eu desenvolvo mais problemas com o lado do cenário que glorifica o mal. Apesar de afastado e irritado com o cenário por anos, eu descobri que julgar ou fugir não era a solução. Seria fácil, e os hipócritas gostam de apontar seus dedos em direção do mal e se sentirem "os bons". No final, tudo isso é egoísmo e hipocrisia. O modo de ser cristão verdadeiro não julga e foge, mas ama os irmãos e as irmãs, transforma os corações e salva almas! Nós TODOS temos o mal em nós a TODOS somos pecadores. Eu não sou nenhum santo. Eu não sou melhor que ninguém. Mas eu tenho ideias humanas fortes. Hoje em dia, ao invés de brigar ou condenar, eu penso que é melhor lutar por um espírito diferente enquanto cantor de rock e metal e buscar discussões construtivas no cenário. Qualquer um com boa vontade e bom coração no cenário pode – e provavelmente vai – fazer a diferença na vida por suportar bons ideais. Se não fizermos isso, não somos nada!

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Ainda hoje eu tenho problemas com o cenário do heavy metal. Machuca quando eu vejo a porcaria satânica, pois eu não suporto a estupidez nem a decadência da alma! Quando eu leio algumas revistas de metal, sinto ânsia de vômito pelo mal que existe nelas. Algumas pessoas no cenário são moralmente perturbadas e parece que estas revistas querem promover as bandas que glorificam o mal, passando a impressão de que o metal é APENAS aquilo.

Eu gosto do cenário e dos festivais de hard rock e metal. A maioria dos fãs de metal são completamente calorosos, de bom coração e amáveis. Eu gosto muito deles! O problema é que, embora não exista nada moralmente mal na música do rock, o satanismo e o fascismo são definitivamente o envenenamento da mente e uma doença maligna. Enquanto o fascismo levanta a si mesmo acima das outras nações, aclamando ser melhor e até "mais humano" que os semelhantes, o satanismo faz o mesmo na esfera individual.

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Os satanistas não se curvariam diante de Deus nem diante de nada acima deles, pois eles não aceitam nada superior a eles. A verdade, contudo, é que nós somos pequenos, fracos e incapazes de crescer se não reconhecermos quando há algo maior ou mais sábio que nós. Se algo belo e piedoso não nos fizer cair de joelhos em amor a admiração, é porque nós não temos sensibilidade para isso. É necessário ser rico em espírito para respeitar ou adorar o que é maior que nós. Uma alma fraca ou pequena é incapaz de respeitar as qualidades de outras pessoas ou de seres superiores (NT: quando Kiske se refere a "seres superiores", ele não se refere exclusivamente a Deus ou deuses; ele utiliza o mesmo termo usado por Rudolf Steiner para designar a qualidade interior que busca aprimorar-se e, assim, tornando-se superior ao corriqueiro). Embora não devêssemos nos curvar diante de ditadores e tiranos, os quais não nos amam e apenas nos oprimem, uma pessoa boa e forte é sempre capaz de amar a verdadeira grandeza. Ficar de joelhos diante daquilo que é maior que nós não nos torna menores ou fracos. Na verdade, nos ajuda a crescer e nos torna mais fortes.

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O satanismo espalha perigosas mentiras morais e bagunça a mente dos jovens. Uma pessoa honesta que busca por profundos valores morais pode compreender a vida e desenvolver soluções. Quanto mais o nosso coração está adormecido, mais superficial se tornam as nossas preocupações e questões morais. Até mesmo amigos queridos não compreendem a profundidade destes assuntos ou não os levam à sério. E a superficialidade moral é comum no cenário do heavy metal, que é justamente o trabalho e o sucesso do Anticristo.

O cenário do metal precisa entender que não há nada de legal, sexy, libertador ou individual no mal. Se a sua irmã ou irmão fosse assassinado por um espírito mal, o que há de legal nisso? Se você sentir o mal em si mesmo, você aprenderá a realidade moral. Algumas pessoas precisam passar pelo inferno antes de compreenderem que o mal NÃO é uma qualidade, mas uma fraqueza horrível. O mal é a ausência da luz e do coração, é a morte da alma.

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Estou convencido que nós, enquanto seres humanos, estamos numa luta constante entre trevas e luz, ódio e amor, morte e vida, espiritualismo e materialismo, bem e mal. Todos nós temos os dois lados enquanto potencialidades reais. Deus nos criou assim para que conhecêssemos o bem e o mal. A questão é o que estamos vivendo e de qual lado estamos. Qual caminho escolheremos? A quem ouviremos? Nós deveríamos crescer no bem através da experiência do mal ao invés de servir ao mal. Através do mal nós poderíamos aprender o valor do bem, em vez de nos tornarmos ímpios com ele. Aprendemos com o ódio o valor do amor, com a traição o valor da amizade e da confiança, com a escuridão a beleza da luz, com o materialismo a importância da honestidade espiritual. Nós somos responsáveis e seremos responsabilizados mesmo após a morte por tudo o que fazemos, dizemos, pensamos ou sentimentos na vida, independentemente da religião ou crenças pessoais. A nossa alma será salva pela maneira que vivemos a nossa vida, e não por instituições.

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Não precisamos de tradições religiosas nem de igrejas para encontrar Deus. Não precisamos ir à igreja para ser uma pessoa espiritualizada, muito menos ser contra a ciência (assim como não é necessário ser materialista para ser cientista!). Não é necessário haver um Deus no qual se acredita para fazer o bem, amar e ter compaixão (mesmo se o nosso Pai no céu for mais verdadeiro do que nós).

Se o cenário do metal desejar continuar aclamando pelo mal, será necessário mudá-lo! Precisamos de mais bandas positivas, com alma e inteligência moral, com energia decente e sabedoria do coração. O cenário do metal já tem muitos moralistas fracassados que divulgam doenças morais, escuridão interior, alma da morte e negatividade. As revistas de metal poderiam fazer algo pelo bem comum ao assumir a sua responsabilidade com a sociedade. Não é bacana promover o mal, a brutalidade e a desumanidade. A única solução que eu vejo no cenário do metal é uma mudança moral no cenário em si, ao invés de simplesmente negar a realidade.

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Sobre Vitor Chaves de Souza

Vitor Chaves de Souza é apreciador de Hard Rock. Acompanha, traduz e divulga novidades e materiais, principalmente, do rock europeu. Dentre os seus favoritos, destaque para artistas e bandas alemãs.

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