O Heavy Metal e seus clichês...
Por Artur de Figueiredo
Postado em 03 de abril de 2014
Comportamento, rótulos infundados, preconceituosos, só constatam a dissimilaridade entre as tribos sociais, culturais, que geram cada vez mais, ignorância e alienação entre muitos, criando uma visão estereotipada sobre tudo...
Muitos devem já ter ouvido por aí, o discurso preparado, até discriminatório que todo Headbanger é igual. O chamado clichê; radical, extremista, reacionário, entre outros.
Entretanto, como todo rótulo, que visa denegrir, radicalizar e até manipular uma situação, uma realidade cultural, cujos preceitos e valores fogem do usual, muitas vezes não refletem uma realidade propriamente dita.
Existe radicalismo dentro do Metal? Existe, como todos os eventos e manifestos culturais pelo o país. O Headbanger é taxado por alguns, como um cara, ‘imbecilizado, alienado’, por seguir e acreditar no seu gênero preferido. Por usar um visual extravagante, roupas rasgadas, cabelos armados, etc...como forma artística, esteticamente, não aceito e inserido a sociedade, muitas vezes, conservadora e hipócrita.
A pergunta que fica, não há radicalismo em outras áreas? Porque só o Headbanger deve carregar os estigmas e ser condenado, marginalizado por aqueles que pregam o moralismo e mantém Lepos, lepos, Largadinha e outros hits chicletes que fazem da cultura brasileira, um antro de perdição, vazio de valores éticos e morais.
Outro questionamento, até que a ponto a cultura local, regional, nacional é boa? Sendo que se partirmos desse pressuposto, tudo que é diferente é marginalizado, tratado pelo os veículos de massa como algo abominável, sem crédito, sem qualidade.
A Cultura Pop como uma forma de influência, através do ‘Mainstream’, ou seja, grandes gravadoras, rádios, emissoras e o famoso ‘jabá, que ainda regulamenta e serve como um termômetro de reconhecimento de sucesso estabelece uma cultura do consumo, ‘entretenimento’, deixando de lado muitas vezes o conceito de arte, propagando os modismos e matando ideologias, os aprisionando.
Diante tudo que dito, será que realmente, a difusão da arte, seja pop, ou não, precisa seguir apenas valores comerciais? Qualquer gênero enraizado na sociedade, nos guetos, segue preceitos artísticos. A pergunta, o meio é a mensagem? O Heavy Metal é um gênero como outro qualquer que mantém e goza de qualidade, musicalidade, mas que como outros gêneros, apontam o ‘esquerdismo’ de alguns, mostrando uma errônea realidade.
Como diria Raul, ‘é preciso cultura pra cuspir na estrutura’... o conhecimento, a bagagem cultural, a busca incessante por uma boa informação, isenta, imparcial, por mais difícil que seja, confirma um status crítico na indústria Fonográfica. Por outro lado, a mudança de concepção, a inserção de novas mídias de divulgação, difusão, acende a luz de atenção e reflexão sobre o cenário da música.
Supostamente, a democratização da música, através de canais, como; youtube, Myspace, abrem um espaço até então restrito para o Underground.
Enfim, o Heavy Metal, caminha, respira, se reinventa a cada dia, sem a pompa e o sucesso comercial de outrora, mas que ainda sobrevive num país que cospe na cultura Underground, intrínseca as grandes gravadoras, que fazem da sua ganância, uma verdadeira feira de produtos baratos, podres, mas que de alguma forma reflete valores e padrões de uma sociedade, alienada, desinteressada...
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