Roqueiros são "chatos pra caralho"

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Por Mário Liz
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Todo roqueiro é chato "pra caralho"! E são tão chatos que muitos já irão contestar o fato de eu ter escrito roqueiro com "QU" ao invés de "CK". Mas, sabe... faz parte. A teimosia é um traço marcante de quem defende aquilo que acredita.

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Muitos roqueiros são tão chatos que beiram a intolerância. Menosprezam outros estilos musicais, ofendem artistas e fãs, fecham a cara para o mundo e tornam-se uma tribo xiita. E isto é 100% errado? A resposta é NAO. O planeta Terra, infelizmente, não é dos roqueiros. Principalmente nós, os pobres roqueiros sul-americanos. São pouquíssimos lugares destinados ao nosso bom-gosto, e, além do mais, sempre que resolvemos colocar nossa música em uma balada "de todas as tribos", o público franze a testa. É como quando colocamos Iron Maiden na trilha sonora de um churrasco, Black Sabbath em um baile de debutante ou simplesmente qualquer gênero de rock para ouvirmos durante um almoço em família. Quem nunca ouviu um: "Abaixa esse som, moleque! Não se pode nem comer em paz nessa casa!". Como se fosse possível engolir qualquer comida ao som do vizinho, que tasca "Tiaguinho" no talo na hora do almoço e transforma qualquer refeição em um mar de azia. Só que pagode pode, não é? Brasileiro tem os ouvidos (ou as "zoreias", como dizem na minha terra) sensíveis a pedais duplos e há tolerância somente para meia-lua, reco-reco, pandeiro e "pancadões".

Depois disso vem o papo "de capeta": o diabo é o pai do rock e as músicas quando não falam do tinhoso, tematizam sobre drogas. E daí? Por acaso Jesus está em um "bate-coxa-sertanejo-universitário"? Por acaso não rola droguinhas nesse e em outros tipos de festa? Então o cara banca o mauricinho, finge um rostinho de bom moço e isto já o afasta de todos os rótulos? É muita hipocrisia a solta no sistema solar! E o pior: muita ignorância e cegueira seletiva, pois muitas pessoas abrem os olhos e apontam o dedo exclusivamente ao que interessa, porém, jamais dão o braço a torcer quando o assunto são as qualidades do rock. Só para mencionar algumas: a poesia surreal e ácida de Jim Morrison, as aulas de história e literatura nas letras do Iron Maiden, a alma humana dissecada nas óperas-rock do Pink Floyd, a música clássica nas notas do Malmsteen e do Uli Jon Roth e etc.

É por isso que não mandamos beijinho no ombro: no rock não se agita a bunda, se agita a cabeça... porque o som age no cérebro e não nos glúteos. E se isto é ser chato, então que aceitemos com gratidão o elogio de sermos "chatos pra caralho". É a nossa chatice que nos impede de comer a ração insossa que mídia empurra na goela da maioria. E é a nossa chatice que alimenta a imortalidade do rock.



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Sobre Mário Liz

Mário Liz é bacharel em direito e em publicidade e propaganda. É apaixonado por IRON MAIDEN, BLACK SABBATH, DREAM THEATER, BIGELF e PINK FLOYD. Contato: [email protected]

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