Acessibilidade: reclamação sobre a casa Espaço das Américas
Por Claudio Medina Junior
Postado em 27 de novembro de 2012
Um Relato que vale muito a pena ler, confira...
Muitas vezes eu vi pessoas querendo compreender porque os deficientes se retraem, não saem de casa e se escondem do mundo externo. Qual o motivo? Preconceito? Medo? Vergonha? A minha resposta é simples: saia um dia junto com um cadeirante que você vai logo descobrir!
Atualmente, muito se fala na mídia sobre o tema acessibilidade. Mas infelizmente, a realidade ainda está muito distante do ideal ou até de algo que pode se chamar de aceitável. É lamentável como alguns locais públicos desrespeitam as pessoas deficientes. Degraus altos, falta de rampas e de guias rebaixadas, falta de transporte adaptado, entre muitos outros problemas a serem enfrentados. Mas, falemos aqui especificamente de um fato ocorrido comigo, dia 06/11/2012 na casa de shows Espaço das Américas, em SP.
Fui assistir ao show de duas bandas de rock que eu curto muito(Slash e Edguy), com minha namorada e um amigo nosso, sendo todos os três cadeirantes. Obviamente em eventos assim nós não podemos ficar no meio da galera, já que não conseguiríamos ver nada com as pessoas em pé e nós sentados na cadeira de rodas, por isso ficamos em locais elevados ou dependendo das condições, ficamos próximos do palco. Pois bem, infelizmente nada disto ocorreu neste dia.
Chegamos a Casa com mais ou menos uma hora e meia de antecedência, justamente para ver como era a área reservada para os deficientes. Com a casa vazia, a nossa visão era até boa, apesar de ser longe podia se ver o palco perfeitamente. Depois que a casa foi lotando complicou, as pessoas que estavam na Pista Premium ficaram em pé na nossa frente, já que o local onde estávamos tinha apenas uns 40 cm de elevação.
Vale ressaltar que daquele local, os deficientes que podiam ficar em pé conseguiam ter uma boa visão do palco, mas os cadeirantes como nós que ali estávamos viam quase nada. Chegamos a citar este exemplo com uns responsáveis lá antes do show, mas disseram que não poderíamos ficar em outro local porque não teríamos segurança. Argumentamos que nos sentíamos lesados e que se fosse assim processaríamos a Casa, porém nos responderam: ‘‘a Casa sede o espaço, não estamos descumprindo a Lei’’.
É bom deixar claro que a nossa intenção não era arrumar briga ou criar uma situação constrangedora, nada disso. Nós apenas tentamos levantar este simples argumento de que daquele ponto não conseguiríamos ver praticamente nada, mas insistiram em nos alegar que ali era o único local seguro pra gente. Além de falarmos com dois gerentes da Casa, conversamos também com alguns seguranças e bombeiros, com um representante da produtora Free Pass, e até com managers da própria banda Slash. Mas com nenhum destes obtivemos sucesso, ficou um jogando a culpa no outro e nessa quem saiu no prejuízo fomos nós cadeirantes, que ficamos com a nossa visão encoberta e tivemos de ver (ou tentar ver) o show daquele local mesmo.
Durante o show, uma das gerentes da Casa veio até nós e disse que poderíamos ficar próximos ao palco, e nos encaminhou ao local. Pois bem, nos deslocamos até lá com nossas cadeiras de rodas, mas chegando lá não fomos muito bem recebidos. O chefe dos seguranças de palco imediatamente veio e nos mandou sair dali, falando sem nenhuma educação. Essa atitude fez que nos sentíssemos desrespeitados, mas com o som alto do show em andamento, não pudemos debater muito e acabamos saindo dali. No fim do show, obviamente que procuramos este cidadão, mas ele rapidamente sumiu do mapa. Só espero que ele um dia aprenda a respeitar os deficientes.
Sobre a Casa, confesso que até entendo esta preocupação deles com a nossa integridade física, de termos um espaço separado do publico em geral, isso é muito válido sim. Mas poxa, o que adianta estar seguro e não conseguir ver o show? Se fosse assim eu ficaria na comodidade da minha casa e assistiria pela TV ou pela internet. Eu só queria poder ver de perto um artista que sou fã desde criança. Eu paguei pra estar ali, como qualquer outro expectador. Deficientes não tem desconto para eventos assim como muita gente pensa, nós pagamos o valor do ingresso normal (que aliás, é absurdamente caro), então temos direitos iguais. Não queremos privilégios, somente igualdade e respeito.
Este foi um fato recente que eu vivenciei e queria relatar aqui. Mas infelizmente, este tipo de problema é comum e não é uma exclusividade da casa Espaço das Américas. Eu sou cadeirante e já estive em muitos shows em lugares diferentes, e pude ver que alguns locais não oferecem condições corretas de acessibilidade, e outros oferecem.
Como ponto positivo, citarei como exemplos as casas Credicard Hall e Citibank Hall, ambas em SP, que dão todo o suporte ao deficiente desde a chegada até o fim do evento, e permitem ao cadeirante ver o espetáculo com visibilidade total. Resumindo, é um atendimento de primeiro mundo.
Como ponto negativo, posso citar dois locais também no estado de SP, a casa HSBC Hall e o Estádio do Morumbi. A casa HSBC tem o mesmo problema que relatei aqui sobre a casa Espaço das Américas. O Estádio do Morumbi em dias de shows aloca seu público deficiente em um local baixo, com uma grade bem a frente, e muito longe do palco. Pra se ter uma noção, essa área reservada do Morumbi fica próximo a uma bandeirinha de escanteio, e o palco fica atrás do gol lá do outro lado do Estádio, ou seja, sem nenhum exagero, é muito longe.
Enfim, este relato tem a função de demonstrar como é a situação dos deficientes em alguns locais públicos por aí, pra ver se as pessoas tomam consciência deste problema, que pra algumas pessoas, pode até parecer simples e sem gravidade. Se você acha isso, experimente um dia ir a algum show de um artista de seu agrado, comprar o ingresso, e lá na hora ficar sentado em uma cadeira, com várias pessoas em pé na sua frente. Só quem vivencia na pele sabe como essa situação é constrangedora e revoltante.
Esperamos que os responsáveis de casas de shows e eventos deem mais condições dignas aos deficientes para que possam estar no meio e se socializem como qualquer pessoa normal, e que as autoridades fiscalizem aos que descumprirem ou que desrespeitarem o nosso direito de ir e vir, de se divertir e se entreter, o direito de nos sentirmos cidadãos e de sermos felizes!
Aquele papo de que ‘‘a esperança é a última que morre’’ definitivamente não vale para nós deficientes. Nas nossas vidas passamos por inúmeras dificuldades e mesmo assim nunca deixamos de lutar e de sorrir, porque pra nós a felicidade é o que nos move e a esperança nunca morrerá!
Claudio Medina Junior
Santo André, 12 de novembro de 2012
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