Rush: comentários à resenha duramente criticada

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Por Breno Rubim
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Antes de eu escrever minha resenha do álbum "Clockwork Angels", eu já sabia que estava pisando em um campo minado. O Rush é uma das poucas bandas unânimes do mundo: não se vêem críticas à banda em nenhum fórum. Entendo perfeitamente isso: os caras são espetaculares, pra dizer o mínimo, e formam esta que é, e sempre será, minha banda favorita.

Rush: Ainda o mesmo de sempre, mas não com tanta forçaRush
Ainda o mesmo de sempre, mas não com tanta força

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Dessa forma, minha decisão de colaborar com o site tecendo minhas críticas ao novo álbum da banda foi ousada, e, por que não, corajosa. Eu sabia que receberia muito mais comentários detonando o que eu escreveria, do que comentários elogiando. Porém, confesso que me surpreendi com a aspereza com que fui tratado no fórum (sendo, inclusive, xingado por algumas pessoas, que deixam de lado o debate produtivo para fazerem de conta que estão colaborando com a discussão). Mas tudo bem. Relevei isso, pois, de certa forma, já esperava.

Então cá estou eu, caros leitores do Whiplash.Net. Dirijo-me especialmente àqueles que criticaram a resenha que fiz sobre o novo álbum do trio canadense, "Clockwork Angels". Será a última vez que irei falar desse álbum aqui no site - não alimentarei mais discussões, até porque sei que elas não levam a lugar algum, principalmente a julgar pelas críticas de muitas das pessoas que se limitam a criticar sem dizer sua própria opinião, para rebatê-la, ou mesmo pessoas que aparecem só para fazer comentários desrespeitosos.

Não retiro nada do que escrevi naquela matéria. Creio, apenas, que fui incompreendido em várias das coisas que coloquei lá.

Em primeiro lugar: em nenhum momento eu disse que o álbum é ruim. Muito pelo contrário: o álbum (como todos do Rush) é EXCELENTE, e um dos melhores lançamentos dos últimos anos. Na resenha, falei por mais de uma vez que este álbum supera os seus predecessores (que também são bons).

Observei comentários de que eu teria "parado no tempo", pelo fato de eu ter me detido muito em elogiar o álbum "Counterparts" (1993). Mas o fato de eu admirar tal álbum não significa dizer que eu não curta os álbuns seguintes. Conheço-os todos, "Test For Echo", "Vapor Trails" e "Snakes & Arrows", fora os ao vivo, em detalhes, e também gosto muito deles.

Observei muitas críticas - algumas, inclusive, desrespeitosas - em relação à minha "rotulação" da banda como hard rock. Questões de rotulação são extremamente subjetivas: uns enquadram uma banda em determinado estilo, outros enquadram-na diferentemente. É preciso apenas que se respeite uma eventual opinião contrária. Eu, particularmente, procuro simplificar os estilos de rock em 4 grandes vertentes: pop rock, hard rock, metal e rock progressivo. Não perco meu precioso tempo procurando sub-vertentes ou sub-gêneros.

De fato, considero que o som do Rush é, HOJE, predominantemente hard rock. Não é pop rock (apesar da banda já ter tido alguns elementos pop, como no álbum "Roll The Bones"); não é metal (apesar de vários trechos pesados, como em "La Villa Strangiato"); e, repito, HOJE, não é rock progressivo. Cuidado: estou dizendo que a BANDA não é, hoje, de rock progressivo. Estou dizendo que o álbum não tem nenhuma influência do rock progressivo? NAO. O álbum tem várias características desse gênero, com andamentos quebrados, e, sobretudo, na temática complexa das letras, mas o que penso é que o som é predominantemente, isto é, em sua essência, hard rock.

Algumas pessoas disseram apenas que discordam que o som atual do Rush é hard rock, que a banda tem uma sonoridade muito própria. OK. Mas esta sonoridade é tão própria, tão peculiar, que não pode ser enquadrada em nenhuma vertente? Respeito essa opinião, mas eu, pessoalmente, acho estranho.

Outra pessoa que comentou a resenha, afirmou que eu estava equiparando o Rush a outras bandas de hard rock, como AC/DC ou Whitesnake. Isso é, no mínimo, um absurdo. O hard rock é uma das vertentes do rock que possui mais variações. O som do "AC/DC" é parecido com o que o "H.E.A.T." faz hoje? O som do "Europe" é parecido com o do extinto "Dire Straits"? O som do "Extreme" se assemelha ao do "Uriah Heep"? Claro que não. Todos fazem predominantemente hard rock, mas nenhum deles se parece.

Sempre direi que o Rush faz um som ÚNICO. Quando se ouve os primeiros segundos de uma música (ainda que não haja ainda o vocal) se sabe que é Rush. Dizer que o som deles atual é essencialmente hard rock é dizer que não é pop, não é metal e nem é rock progressivo!

Em minha humilde opinião, o último álbum do Rush que pode ser enquadrado como um álbum de rock progressivo foi "Moving Pictures" (1981). De lá para cá, eles abandonaram sua vertente progressiva? Eu jamais disse isso. O novo álbum abandonou a vertente progressiva? Eu também jamais disse isso.

Outro ponto que merece destaque é o seguinte: quando afirmei que o som da banda dos anos 2000 para cá passa por um processo de modernização, eu NUNCA neguei que eles também passaram por um processo de modernização em épocas passadas. Ora, a "fase dos sintetizadores" (anos 80) veio atender uma tendência da música da época - até mesmo o "Yes" (maior expoente da história do rock progressivo) se rendeu a esse tipo de som, quando lançou o seu clássico "90125". Nos anos 90, o Rush resolveu investir em um som mais cru, sem muitos teclados. Isso também foi modernização! Hoje, da mesma forma, vêm se modernizando - continuam a fazer um som mais cru, mas bem diferente do som de "Counterparts" e "Test For Echo".

E por favor, antes critiquem o termo: quando falo em "modernização", digo apenas uma reinvenção, uma inovação ao som que mostraram em trabalhos anteriores. Negar isso é fechar os olhos ao óbvio.

Outros, ainda mais precipitadamente, disseram que eu não sou fã da banda, por ter criticado tanto o novo trabalho. Chegou-se a dizer que "fã que é fã aceita o que vem". Embora eu respeite esse ponto de vista, penso que o verdadeiro fã é aquele que tem senso crítico, mordaz. O verdadeiro fã pode até ter de aeitar tudo o que vem, mas não é obrigado a venerá-lo de joelhos. Se tem algo que eu nunca fiz foi "babar" bandas, só porque sou fã delas ou elas são consagradas.

Para citarmos um exemplo, quer dizer que uma pessoa que goste de Iron Maiden, e conheça todos os álbuns, mas não gostou de "A Matter Of Life And Death" (2006), não pode ser considerado "verdadeiro fã"?

Voltando ao Rush, eu sou, sim, órfão dos tempos áureos dos anos 70 (quando faziam músicas longas e instrumentais "viajados"). Sou, também, órfão da fase dos teclados dos anos 80 (porque meu álbum predileto deles é o "Power Windows", de 1985). E sou, também órfão do "Counterparts", de 1993. Ser órfão de determinada fase não é negar sua condição de fã. É meramente uma afirmação de opinião.

Em nenhum momento peço que o som deles seja igual ao do passado. Isso é quase impossível, afinal, estamos falando de senhores de seus 60 anos, já sem aquela energia. Mas penso que é, sim, possível fazer um som melhor do que este. É possível, sim, um retorno às canções longas e épicas. É possível, sim, uma maior complexidade de andamentos como ouvíamos em todas as músicas do "Power Windows". Mas isso é COMO EU, PESSOALMENTE, QUERIA QUE A BANDA SOASSE. Se estão soando diferente, deixo minhas críticas, mas não deixarei de curti-los. E se não concordam comigo, ao menos RESPEITEM meu ponto de vista.

Bom, sei que já me alonguei demais, e não vou continuar argumentando. Venho aqui, de peito aberto, procurar esclarecer o que eu escrevi na resenha. Sei que a maioria de vocês continuará me criticando (e me xingando também). Mas, mesmo que não concordem comigo, procurem me criticar CONSTRUTIVAMENTE, dizendo por que não concordam. Não acha que o Rush atual faz mais hard rock do que progressivo? OK, então me diga por que você acha que eles continuam fazendo mais progressivo. São esses tipos de debates - e não meros xingamentos desrespeitosos - que se revelam produtivos e enriquecem o site.

Cheguei a ler que minha resenha foi "muito pobre". Não consigo entender por que um texto contendo diversos elogios e diversas críticas, todas fundamentadas, seja pobre. Não concordar é uma direito. Mas taxar de "pobre" é incoerência.

Aos que concordaram com o que eu escrevi (ainda que em parte), meu muito obrigado. Aos que discordaram de mim mas acrescentaram comentários construtivos, meu muito obrigado também. No final das contas, é muito bom saber que o Rush alimenta tamanhos debates. Afinal, é, e sempre será, uma banda excepcional.




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