Lollapalooza: ou uma micareta para quem "gosta" de rock
Por Daniel Junior
Fonte: Aliterasom
Postado em 27 de novembro de 2011
O Lollapalooza é um festival com perfil essencialmente alternativo. Desde o seu nascedouro o seu idealizador -- Perry Farrel -- fez questão de montar um grande circo para que bandas que até então não tinham oportunidades mais efetivas para que pudessem se apresentar para milhares de pessoas. O Jane´s Addiction embora tenha uma áurea de cult jamais foi uma banda de primeiro escalão, por assim dizer.
Como as linhas que separam o mainstrean do underground estão cada dia mais imperceptíveis, o público brasileiro comemorou como um gol na Copa a confirmação da edição do Lollapalooza no Brasil.
O cast confirmado foi o seguinte:
As apresentações internacionais
- Foo Fighters
- Arctic Monkeys
- Jane’s Addiction
- TV On The Radio
- MGMT
- Peaches
- Foster the People
- Skrillex
- Friendly Fires
- Tinnie Tempah
- Calvin Harris
- Thievery Corporation
- Gogol Bordello
- Band of Horses
- Pretty Lights
- Rhythm Monks
- The Crystal Method
- Cage The Elefant
- Joan Jett & The Blackhearts.
Os principais artistas brasileiros escalados são:
- Plebe Rude
- Wander Wildner
- Marcelo Nova
- Cascadura
- Pavilhão 9
- Balls
- Bluebell
- Veiga & Salazar
- Tipo Uísque
- Sucava
- Velhas Virgens
- Garage Fuzz
As atrações serão distribuídas em cinco palcos (Butantã, Cidade Jardim, Kidzapalooza, Perry’s Stage e Palco Alternativo). Ao preço de R$ 500,00 (isso mesmo, essa "bagatela"), o ‘folião’ pode curtir dois dias do festival e as bandas acima. A edição acontece nos dias 7 e 8 de abril de 2012 e os ingressos começaram a ser vendidos na madrugada (0 hora) do dia 22.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
A divulgação do evento ganhou uma força extra depois do pronunciamento do cantor Lobão (veja acima) que informou que fora convidado para festival, sentira-se honrado mas teve que declinar do convite por não concordar com as regras do Lollapalooza em apenas ceder aos artistas brasileiros o período de 10 da manhã ás 15:30 da tarde. Com sutileza e até uma certa ética, o cantor carioca além de negar a participação ‘convocou’ aos artistas brasileiros que boicotassem o festival para que dessem uma resposta à organização do evento.
Através de um comunicado oficial por parte dos organizadores, além de ser acusado de lunático, Lobão fora desmentido quando o comitê informou que os horários dedicados a todos os artistas (inclusive os brasileiros) era de 10 ás 23 horas. O cantor, no mesmo dia em que foi acoçado, pronunciou-se a respeito da ‘alteração’ dos termos e inclusive disse que se apresentaria ás 15 horas pois se sentiria honrado e que, mediante a mudança do cronograma, aquilo poderia corresponder a um grande passo na relação dos festivais com relação aos artistas brasileiros.
Vamos por partes:
Levando em consideração os convidados (com todo o respeito aos nobres desconhecidos) esse festival valerá pelo Jane´s Addiction e pela agora mega-banda Foo Fighters. Me desculpem, mas o público médio no Brasil (e não uma minoria que também merece eventos desta estirpe) desconhece The Crystal Method, Gogol Bordello… e até a Joan Jett! E para ser bem sincero, a audiência nacional não sabe nem quem é Marcelo Nova ou quem foi a Plebe Rude.
Se a gente comemora a oportunidade de conhecer artistas novos e a escala (obrigatória) definitiva do Brasil nos grandes eventos, fica a minha opinião que festival de rock no Brasil virou uma grande micareta de proporções gigantescas. Mal acaba uma e já se fala na próxima, nem bem terminou uma edição e nêgo já está falando de um festival que acontecerá daqui a 7 meses. Com esquema de venda de ingresso e o cacete à quatro. Ok. Constatamos também que virou um grande negócio este negócio de trazer QUALQUER ARTISTA. Menos mal. Viva a democracia. Eu posso desconhecer ou até mesmo não gostar, mas este não é um motivo efetivo para não se realizar algo deste porte.
Capítulo Lobão. O pronunciamento do músico no meu entendimento foi ético e de um respeito quase nunca visto entre artistas brasileiros que sabem "falar". Muito motivado inclusive pelo episódio emblemático "Ultraje-Peter Gabriel" no SWU. Não acredito que o músico tenha inventado informações sobre o convite e sobre e sua negativa em aceitá-lo. Talvez a convocação a um boicote tenha ferido justamente áquilo que elogiei: a ética e a postura profissional. Se Lobão faz um pronunciamento explicando com sutileza e grandeza o seu não ao Lollapalooza, chamar outros a fazer o mesmo acabou colocando o artista numa situação complicada, com relação à classe -- que não faz o mínimo esforço para dizer que é cada um por si -- e em relação aos contratantes no Brasil. Mesmo levando em consideração que o perfil de Lobão na música brasileira é sempre o de bucha.
Por outro lado, ser chamado de lunático é no mínimo desrespeitoso, agressivo e deselegante. Por que não um pronunciamento mais classudo e na medida, mais ou menos como o de Peter Gabriel após o quiprocó com o Ultraje? Lunático? Ao menos neste episódio de mais uma guerrinha de backstage, o velho Lobo expôs uma opinião sensata a respeito de algo que foi tangente (um convite) e não um delírio… E o sr. Perry Farrel não ficou muito atrás: dizer que para ser headliner é necessário vender discos… Arctic Monkeys é uma sensação de vendas e eu (e o planeta) não estou sabendo?
O naipe dos convidados nacionais pode gerar bastante divertimento. Sem dúvida alguma é uma alegria ver a Plebe e Marcelo Nova em um evento de porte grandioso mas fica a dúvida se o público irá prestar a "reverência" a dois ícones (dada às devidas proporções) da década de 80. Mesmo não sendo um fã declarado de algumas bandas confirmadas, fico feliz que todos eles tenham uma ótima oportunidade de apresentar seus espetáculos.
Por último, agora que somos um país privilegiado de eventos musicais, torço que em um futuro bem próximo tais eventos se realizem sem que seja necessário uma novela, uma historinha ou uma discussão à reboque. Discussões até o momento, não trouxeram nenhum tipo de resolução que, mais do que trazer atrações de peso, protejam e privilegiem o bolso de quem vai aos festivais. Eu não acho quinhentos reais (e duzentos e cinquenta meia) um valor bacana, independente da quantidade de atrações. O salário mínimo é quinhentos e quarenta e cinco reais! No bolso da população -- e também da molecada -- existem outras prioridades que não a diversão.
Bem… Se bobear, vai ficar nisso. Eles dizem o preço. Nós pagamos e tudo acaba em … Abadá.
twitter: @aliterasom
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