Rock versus Carnaval
Por Doctor Robert
Postado em 12 de fevereiro de 2010
Toda vez que o carnaval se aproxima, eu me recordo de um professor mal humorado que tive na faculdade, que detesta a festa mais popular do Brasil. Certa vez ele disse na sala de aula: "Eu odeio carnaval! Enquanto não acabarem com isso o Brasil não vai pra frente... Alguém aí já ouviu falar de Motörhead? Um bando de cabeludos, feios e barulhentos? Tinha que colocar eles pra tocar no trio elétrico de Salvador e dar um fim nisso...". Imagine a cena: Lemmy e cia. em cima de um trio, no calor de Salvador, estourando os falantes com "Iron Fist"?
E que tal irmos mais adiante nessa viagem, imaginando um "universo paralelo" onde o trio elétrico ao invés de ter sido criado por Dodô e Osmar tivesse como pais Chuck Berry e Elvis Presley, e a música baiana fosse ouvida por uma minoria de cabeludos com camisetas pretas do Olodum, Timbalada, Banda Eva e garotas com shortinhos deixando a bunda de fora?
Você já se imaginou debatendo num fórum de um site chamado "Pombo Correio" (ao invés do Whiplash) qual o maior hino que Carlinhos Brown já concebeu? "Bebeu Água? Tá com sede?" ou "Vai buscar Dalila ligeiro..."? Isso sem falar que haveriam muitos pais e mães que proibiriam seus filhos de ouvir os discos daquele maluco baiano, porque acreditariam que ele tem pacto com o demônio.
Como seria um debate pra escolher a maior vocalista do mundo? Ivete e Claudinha Leite dividiriam os votos dos internautas, mas com certeza haveria os "puristas", que prefeririam as vozes clássicas de Daniela Mercury ou Margareth Menezes.
E a tour do G3? Quem dividiria o palco? Robertinho do Recife, Pepeu Gomes e Durval Lelis, do Asa de Águia, divulgando seu álbum solo? Isso sem falar que haveriam bandas e mais bandas dos mais variados estilos, como samba progressivo, frevo melódico, speed axé...
Já do outro lado da moeda, o Fantástico promoveria aos domingos um grande concurso de "Hinos do Metal", ao invés do Concurso de marchinhas. As escolas do Rio de Janeiro e São Paulo exibiriam em sua sessão rítmica uma pá de guitarristas virtuosos acompanhados de orquestras sinfônicas, onde os jurados votariam qual foi melhor no quesito "virtuosismo e variedade de escalas". Dá até pra imaginar Joe Satriani comentando ao lado do Cléber Machado: "a escola tal tem uma boa harmonia, mas abusou muito das pentatônicas, e isso pode custar alguns pontinhos na apuração de quarta-feira".
Na TV, assistiríamos a um seriado chamado "Heavy Metal Thunder" ao invés de "Ó Paí Ó", onde o cenário deixaria de ser o Pelourinho e a ação se passaria em uma Birmingham industrial na Inglaterra, cujo personagem principal seria um jovem dislexo de apelido Ozzy contando suas aventuras ao tentar montar uma banda.
Ah sim, é claro, os trios elétricos mais disputados de Salvador seriam os do Motörhead, do Slayer e do Sepultura. Ao invés do abadá, a multidão teria que trajar uma jaqueta preta de couro e coturnos. Ao invés de pulserinha vip, um spike cheio de tachinhas no punho. E ao invés de assistirmos ao tradicional desfile de fantasias de plumas e paetês nos canais de TV de menos audiência, teríamos um concurso de "Corpse Paintings", cujos comentaristas seriam Alice Cooper, Paul Stanley e Gene Simmons.
E se o mundo fosse assim? Um lugar onde fosse normal um homem usar cabelo comprido sem ser discriminado, onde você pudesse fazer quantas tatuagens você bem entendesse, mas ao mesmo tempo seria um horror ligar a TV e dar de cara com um bando de malandros "cantando" para mulheres seminuas sambarem? Um lugar onde estivesse tudo bem se as crianças ouvissem e cantassem "The Number Of The Beast" ao invés de usar trajes minúsculos e aprendessem coreografias sentadas na boquinha da garrafa ou, Deus nos livre, o tal do Créu?
Quem sabe assim seríamos vistos com outros olhos quando alguém entrasse no nosso carro pra pegar uma carona e estivesse rolando "Holy Wars" no som, ao invés do previsível "Você ouve ISSO?". Quem sabe tal reação não se inverteria, e ao ouvirmos alguém cantarolando "Dança da Manivela" pudéssemos ficar indignados e ter o apoio da maioria...
Mas também poderia ser pior... Quem sabe nós rockeiros é que faríamos parte da minoria neste universo paralelo e estaríamos aí aguardando ansiosos pela turnê de reunião da banda Cheiro de Amor, enquanto o restante da população nos indagaria com os dedos indicadores em riste: "Você teve coragem de pagar 300 reais pra ir ver um show desses?".
P.S.: brincadeiras à parte, quem gosta de carnaval que não de curtir a festa, sem preconceitos... eu, particularmente, prefiro continuar quietinho aqui em casa, ouvindo Pink Floyd, descansando a cabeça e relaxando nestes quatro dias de feriadão...
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Confira os preços dos ingressos para shows do Rush no Brasil
Ao ser acordada ao som de Sepultura, participante do BBB tem reação inesperada
Edu Falaschi revela como surgiu convite para reunião com o Angra no Bangers Open Air
Tobias Forge explica ausência da América do Sul na atual tour do Ghost
10 clássicos do rock que soam ótimos, até você prestar atenção na letra
Geddy Lee comenta tour que Rush fará no Brasil em 2027
Baixista explica atitude do Anthrax ao não mudar o setlist e manter os clássicos
Mike Patton admite que o Faith No More não volta mais
Turnê nacional do Left to Die sofre mudanças na agenda
Tommy Aldridge explica ausência do show de despedida de Ozzy Osbourne
15 músicas que o Megadeth nunca tocou ao vivo - e dificilmente tocará
Nenhuma música ruim em toda vida? O elogio que Bob Dylan não costuma fazer por aí
Pacote VIP para show do Rush custa mais de 14 mil reais
O lendário álbum dos anos 1970 que envelheceu mal, segundo Regis Tadeu
Ex-Engenheiros do Hawaii, Augusto Licks retoma clássicos da fase áurea em nova turnê
A banda de rock nacional que é cobrada por não ser tão rock, segundo Paulo Ricardo
Como o filme "Ainda Estou Aqui" contradiz a crença que Roberto Carlos era um artista alienado
A lista das 10 melhores músicas lançadas em 1994, segundo Renato Russo



Arch Enemy, o mistério em torno da nova vocalista e os "detetivões" do metal
Três "verdades absolutas" do heavy metal que não fazem muito sentido
Está na hora dos haters do Dream Theater virarem o disco
Será que todo fã é um idiota? Quando a crítica ignora quem sustenta a música
Desmistificando algumas "verdades absolutas" sobre o Dream Theater - que não são tão verdadeiras
Confirmado: Axl Rose gosta de sorvete de baunilha



