Resposta ao artigo "A Direita do Rock" da Veja

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Por Bruno Aquino
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Venho expor o meu completo desapontamento com a matéria "A Direita do Rock", escrita pelo senhor Sérgio Martins e publicada na edição nº 2024, de 05 de setembro de 2007, da revista Veja. Ao tentar demonstrar as incoerências existentes entre os discursos de certos ídolos do Rock e suas atitudes, o artigo toma como exemplo principal o guitarrista Dave Mustaine, líder da banda norte-americana Megadeth. Mas, ao longo do texto, percebe-se o total desconhecimento do autor sobre o assunto abordado ao tentar interpretar letras de músicas da banda de forma equivocada, colocar declarações de Mustaine fora do seu contexto original e, como se isso já não bastasse, ainda impingir ao Megadeth a autoria de uma música que jamais fez parte de seu repertório, nem foi composta por qualquer de seus integrantes.

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Dave Mustaine sempre foi um músico politicamente engajado e usa sua música para divulgar suas opiniões. Ao contrário do que o Sr. Sérgio afirma, ele nunca foi nem é um conservador de direita. Em grande parte de sua obra, ele critica, de forma ácida até, as muitas ações belicosas e infundadas praticadas pelo governo de seu próprio país. Álbuns como "Rust In Peace", "The System Has Failed" e, mas recentemente, "United Abominations", transbordam mensagens que desnudam a total ingerência dos EUA - principalmente - e da ONU nas relações políticas internacionais e a incompetência de ambos em solucionar situações de conflito de forma civilizada.

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De forma descontextualizada, foi citada uma frase de Mustaine para dar ao leitor dessa revista a impressão de que ele concorda com as ações do governo americano. Ao se defender de uma crítica feita por um jornalista sobre uma suposta confusão de nomes de grupos terroristas em uma de suas músicas, o guitarrista teria dito que o álbum poderia até conter informações erradas, mas refletia o que sentia como "um patriota que ama Deus, sua pátria e sua família". Ora, amar a Deus, sua pátria e sua família não significa necessariamente ser um Positivista Comteano. Justamente por amar a Deus, sua pátria e sua família é que ele se põe ferrenhamente contra tudo o que seu país representa no cenário político mundial. Um bom exemplo de como não ser um conservador.

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Nessa mesma tentavitiva de mostrar um Dave Mustaine que não existe, o autor do artigo em questão deixa claro o seu desleixo, ao pesquisar o tema, citando, numa tradução sofrível, um trecho da música pró-América "Iraq And Roll", de Clint Black, dizendo, errôneamente, ser uma das canções integrantes do último trabalho do Megadeth. Um constrangedor equívoco, haja vista que estamos falando de algo que foi plublicado em um veículo de comunicação de abrangência nacional e que, portanto, pressupõe-se que seus colaboradores pelo menos confirmem a origem e/ou veracidade de seus argumentos antes de os colocarem ao alcance dos leitores.

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Quanto à expressão "ralos dotes intelectuais" cunhado pelo Sr. Sérgio ao se referir às idéias políticas do guitarrista americano, devemos nos lembrar que Mustaine não é um sociólogo e nunca pretendeu escrever um tratado sobre a Nova Ordem Mundial. Ele é apenas um músico que tentar conscientizar seus fãs sobre um mundo que está perdendo sua humanidade e que os princípios fundamentais de liberdade, igualdade e fraternidade não são meramente palavras pintadas em uma bandeira revolucionária. Acho que os "ralos dotes intelectuais" podem ter sido um tiro pela culatra.

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Entristece-me saber que uma revista do porte da Veja tem, em seu quadro de funcionários, pessoas que escrevem críticas sem conhecimento de causa, permeados por erros bisonhos, primários, e que esconde um ranço preconceituoso sobre o objeto discutido.

Tenho 31 anos, sou servidor público federal concursado, bacharel em Direito e tenho o Rock em todas as suas vertentes como o meu estilo preferido desde 9 e posso dizer, sem pestanejar, que o Rock sempre teve muito mais a dizer do que qualquer outro estilo musical e que, só a discografia do Megadeth põe qualquer esquerdista de carteirinha no chinelo.

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