Alerta: Continuações

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Por Maurício Gomes Angelo
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Até hoje, as continuações eram um mal exclusivo do cinema e dos games, uma verdadeira praga usada quase sempre para sugar mais e mais dinheiro do público. E na maioria dos casos, as continuações dos filmes e games originais eram produtos de qualidade duvidosa, de roteiro descerebrado e manchando o legado da obra original.

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Embora o metal já tenha vivido casos como esses em épocas passadas (como exemplo mais famoso sem dúvida consta o "Keeper Of Seven Keys I e II" do Helloween) eram fatos isolados e raros de acontecer. Agora em 2004 o fenômeno parece estar acontecendo como nunca antes dentro do heavy metal.

Os italianos do Rhapsody deram o passo inicial com o anúncio do lançamento de "Symphony Of Enchanted Lands Pt II - The Dark Secret", a continuação de seu álbum de maior sucesso e prestígio até hoje, o que já deixa dúvidas no ar. A banda acabara de finalizar a saga de "Algalord Chronicles" contada em 4 álbuns de estúdio, e agora retorna para requentar um conceito já usado antes? Porque não partir para uma direção diferente e trazer idéias mais novas e frescas para sua música e suas letras? Será que à vontade de permanecer no topo do heavy melódico sem correr nenhum risco foi mais forte do que a força para mudar e daí resolveram investir num trabalho já manjado pelo seu público com o apelativo adicional de evocar um álbum de sucesso em tempos passados? Quase não tenho dúvidas de que esse álbum vai manter a excelente qualidade da banda e possivelmente vai receber uma ótima recepção ao redor do mundo, mas que essa história de "Symphony II" não cheira bem, isso com certeza, e correm o risco de cair em sua própria armadilha com isto.

Depois foi a vez do Helloween declarar que "vamos tentar fazer um "Keeper III" no próximo álbum, porque a vibração e o espírito da banda está ótimo tanto quanto estava a época dos seus antecessores". Ora, ora....o conceito da história do guardião das sete chaves já não tinha sido encerrado completamente com o final da história encartado no "Master Of The Rings"?

Isso sem contar que segundo a lenda, o "Keeper II" só foi chamado assim por imposição da gravadora e contra a vontade da banda. Ou seja, chamar o próximo álbum de "Keeper III" parece um despropósito comercial, sem justificativa, a não ser de chamar ainda mais a atenção de crítica e público e vender milhares de cópias na velocidade da luz. E é curioso notar que a banda não precisa disso, já que sua reputação, importância e legião de fãs é irrefutável e já estão consolidadas há muito tempo, sem contar que o último trabalho (Rabbit Don't Come Easy) é um ótimo álbum e um dos melhores com Andi Deris no vocais.

Por último, foi a vez do Queensryche (ou pelo visto, a Sanctuary, sua gravadora) anunciar a "segunda parte" de "Operation: Mindcrime", o clássico dos clássicos lançado em 1988, comumente apontado entre os 10 melhores álbuns de todos os tempos e o melhor álbum conceitual da história do heavy metal, além de ser intensamente explorado até hoje ao vivo. Dentre os 3 exemplos citados aqui, este é o que soa pior e com maior desconfiança. Para começar, tem-se a nítida impressão de imposição de gravadora essa história de Operation Pt II. E por a banda ter caído em desgraça após o lançamento de "Empire" (de !PASMEM! 1990), tendo todos os seus álbuns lançados após este recebidos com ambigüidade e ressalvas quanto á sua qualidade musical (e todas as mudanças propostas), lançar um "Operation: Mindcrime II" parece a jogada de marketing perfeita e ideal para voltar todas as atenções da mídia novamente para eles e voltarem a serem extremamente respeitados e queridos como já foram um dia. Apesar de confiar na idoneidade e competência de Geoff Tate, Michael Wilton e cia, não dá para não duvidar das verdadeiras intenções por trás disso.

Na mesma proporção que as continuações vão trazer uma maior atenção da mídia e reascender um sentimento de "déja-vu" positivo dos fãs, as bandas devem estar preparadas para as intensas cobranças e comparações que virão com elas.

Espero que lançar continuações não vire moda também dentro do heavy metal, e que não aconteça a mesma desgraça que acontece com o cinema e os games. Onde os estúdios não patrocinam mais projetos originais, criativos e promissores com medo de perder dinheiro, e preferem investir em continuações que sejam certeza de retorno em caixa. O que é extremamente venenoso para o meio. Não periga muito para que as gravadoras de heavy metal gostem da idéia e venham a fazer o mesmo. Honestamente, não gostaria de ver um "Powerslave II", ou um "Master Of Puppets - Vengeance" ou ainda um "Back In Black II". Prefiro acreditar nas profundas e verdadeiras intenções de quem tem consciência do seu papel e sempre lutou para manter o cenário forte, vivo e diversificado. Ao qual nós também fazemos parte. E devemos agir como tal. Só assim poderemos vislumbrar mais sadios e infindáveis anos para o rock/metal, suas origens e subdivisões.




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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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