We're a Happy Family: A Tribute To Ramones
Fonte: Rockwave
Postado em 16 de fevereiro de 2003
Por Fernando Tucori
Faltou gente para caramba, mas, tirando uma ou outra derrapada, o disco é tão bom que pede um volume 2.
A importância dos Ramones no último quarto do século XX é praticamente incontestável. Como prova disso, saiu o disco "We´re A Happy Family - A Tribute To The Ramones", colocando num mesmo pacote muitos dos fãs mais ilustres da banda de Nova York. O resultado é desigual, como era de se esperar, tem vários pontos altos e um ou outro ponto baixo.
Vamos aos fatos.
O disco começa com uma versão calminha de "Havana Affair", com os Red Hot Chili Peppers abrindo mão da energia em nome da melodia. É uma opção curiosa, mas só serve pra dar mais vontade de ouvir o original. Dá um pouco de sono.
A porrada começa a comer na segunda faixa, quando Rob Zombie - o cara que deu sangue pra este tributo rolar redondinho - confere, em estúdio, o aspecto que os Ramones davam para "Blitzkrieg Bop" nos seus shows: o de um hino de batalha. Dá medo, na melhor acepção da palavra.
Em uma parceria magistral, Eddie Vedder do Pearl Jam empresta seus vocais à banda Zeke e faz uma versão digna para "I Believe In Miracles". O instrumental muda pouco e o vocalista do Pearl Jam mostra que muito do seu estilo vocal vem mesmo do velho Joey.
Metallica tocando Ramones? Desde o começo me soou estranho. A versão que eles fizeram para "53rd & 3rd" dá pra pular. Parece que foi aí que os caras se reencontraram com o peso, a dinâmica e a energia que eles prometem retomar no disco novo.
O U2 tocando Ramones é uma curiosidade. A versão para "Beat On The Brat" é coisa de fã mesmo. O próprio Bono admite que foram os Ramones que inspiraram a banda a começar a tocar. O instrumental é simplérrimo e bem próximo do original, mas o vocais de Bono ficam no meio termo entre ele mesmo e um Marc Bolan, do T. Rex. De zero a dez leva um oito.
O grande dez do disco é, de longe para o Kiss, que regravou "Do You Remember Rock´n´Roll Radio?" e provou que a distância entre Kiss e Ramones está só na maquiagem. A versão leva o pique de um e a putaria do outro. A melhor do disco.
Marilyn Manson, quando faz covers, ou se dá muito bem (vide "Sweet Dreams" e "Rock´n´Roll Niggers") ou se dá muito mal (como em "Highway To Hell", do AC/DC). Na versão para "The KKK Took My Baby Away", ele escorrega feio e acaba com o humor original em nome de um ar sombrio que não faz sentido. Erro, erro, erro.
O Garbage tem colhão. A versão para "I Just Wanna Have Something To Do" é tiro certo. O vocal de Shirley Mason cai bem e o instrumental segue o original de pertinho.
O Green Day deve tudo que é aos Ramones e, em "Outsider", isso fica claro. Parece karaokê do Billie Joe Armstrong, o que não quer dizer que seja ruim.
O pique abaixa com Pretenders e sua versão para "Something To Believe In". Delicadinha e com uma letra muito bem cantada por Chrissie Hynde, que não é boba nem nada.
O Rancid bota mais peso e acelera "Sheena Is A Punk Rocker". Acerta em cheio. Não tem nem o que dizer. É pra abrir a roda de pogo e deixar o pau comer.
Peter Yorn é um mistério. A sua versão para "Do You Wanna Be My Girlfriend?" é tão igual à original que um desavisado qualquer é capaz de nem notar a diferença.
Por falar em fazer igual, tem também o Offspring que xerocou "I Wanna Be Sedated".
Os caras do Rooney fazem um trabalho de primeira em "Here Today Gone Tomorrow", mudando sensivelmente os arranjos e conferindo um ar de desespero que cai bem pra caramba.
A versão de Tom Waits para "The Return Of Jackie & Judy" é justa. Se os Ramones pegaram a sua "I Don´t Wanna Grow Up" e deixaram com a cara deles, porque ele não ia poder fazer o caminho inverso? Ao lado do Kiss, é uma das melhores do disco.
Eddie Vedder e o Zeke aparecem de novo com uma versão para "Daytime Dilemma (Dangers Of Love)", uma das músicas mais bacanas do repertório dos Ramones. A versão ficou boa, mas falou o vocal feminino que, na versão original, ficava na mão de ninguém menos que Debbie Harry do Blondie.
No fim, quem fecha o disco é o guitarrista do Red Hot, John Frusciante, com uma versão coro e violão para "Today Your Love, Tomorrow The World", com vocais que lembram muito aqueles que Dee Dee Ramone costumava fazer. Sozinho, ele redime os companheiros de banda pela chatice de "Havana Affair", que abriu o disco.
No fim, "We're A Happy Family" deixa claro aquilo que os Ramones ensinaram ao mundo sem querer: que fazer o fácil é, muitas vezes, o mais difícil.
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