Andi Deris explica o porquê de um novo Keeper
Por Thiago Coutinho
Fonte: Metal-Temple.com
Postado em 09 de setembro de 2005
Em recente entrevista ao site MetalTemple.com, Andi Deris, vocalista do HELLOWEEN, explicou a razão pela qual a banda resolveu compor a terceira parte do clássico "Keeper of the Seven Keys", entre diversos outros assuntos. E, pasmem, Deris afirmou sem titubear: há partes neste novo álbum que deveriam ser cantadas por Michael Kiske.
Deris explicou ainda que a saída do baterista Stefan Schwarzmann se deu por incompatibilidades técnicas: Stefan disse ao grupo que o novo material era rápido demais e que, sendo assim, ele não poderia tocá-lo.
Confira o bate-papo logo a seguir ou clique aqui para ler o texto na íntegra:
Metal Temple — Por que vocês escolheram fazer a terceira parte do "Keeper of the Seven Keys"?
Andi Deris — Por diversas razões. Antes de mais nada, estou nesta banda há doze anos, mesmo com o ‘Master of the Rings’ [N. do R.: de 1994], quando o lançamos e ele foi disco de platina, sete vezes de ouro pelo mundo todo, havia pessoas nos perguntando ‘por que vocês não fazem outro ‘Keeper’’? E eu pensava: ‘mas que povo mais louco’ [risos]. Você lança um álbum que apenas no seu ano de lançamento vende o dobro dos ‘Keepers’ — mas, hoje em dia, ele vende mais por conta do tempo — mas imagine, você consegue platina triplo, sete vezes álbum de ouro e as pessoas ainda olham para você e perguntam: ‘bem, vocês ainda farão um outro ‘Keeper’? [risos]
Metal Temple — É que muitas dessas pessoas passaram a ouvir metal depois de conhecer os ‘Keepers...’
Andi Deris — Absolutamente! Veja, é como se fosse um ônibus sendo acertado por uma estrela" [risos] Mesmo depois do ‘The Time of the Oath’ [N. do R.: de 1996], que foi um sucesso estrondoso também, as pessoas ainda nos perguntavam quando faríamos um outro ‘Keeper’... [risos] Ainda mais que naquele álbum o conceito era parecido com o do ‘Keepers’... não era um ‘Keeper’, mas o conceito falava sobre Nostradamus...
Metal Temple — Verdade, e a capa...
Andi Deris — Sim. Mas, veja bem, nós ficávamos mais ou menos assim: ‘caras, nós não queremos fazer outro ‘Keeper’ hoje em dia’, e não dizíamos o porquê. Mas, agora, nós definitivamente podemos dizer o porquê: nós não tínhamos um time de guitarristas, isso não é segredo mais. Todos sabem que Roland [Grapow] e Weike [Michael Weikath] não se davam bem. Weike não gostava de Roland, Roland não gostava de Weike... o que podíamos fazer?
Metal Temple — Se não há química na banda, então você não pode fazer um álbum excepcional como os dois ‘Keepers’...
Andi Deris — Exatamente. E, no final das contas, ambos estavam sendo idiotas.
Metal Temple — Isso responde minha pergunta sobre o porquê de fazer este álbum agora.
Andi Deris — Por diversas razões. Não apenas porque há um time de guitarristas agora. Agora, temos dois guitarristas que se gostam. Dois guitarristas que se sentam no sofá e começam a tocar porque eles se divertem ao tocar juntos. Não vi isso em dez anos. Mas eles fazem isso. E há outra razão que, pessoalmente, não gosto de falar e que é o tema principal dos ‘Keepers’: eu acredito fortemente que ele deveria ser cantado por Michael Kiske. Ou pelo menos parte deles, entende. Mas ou outros integrantes me disseram: ‘olha, antes de mais nada, Michael Kiske disse que odeia metal, então você realmente gostaria de tê-lo em um álbum de metal? Isso dá entender que estamos nos vendendo’. Entende, pois se fizéssemos isso muitas pessoas diriam: ‘ninguém canta tão bem um ‘Keeper’ como você, Michael’. Mas por que nós o deixaríamos cantar se ele odeia metal? Isso soa como algo comercial demais.
Metal Temple — Michael Kiske aparece em mais álbuns como convidado do que eu posso contar...
Andi Deris — Verdade, mas tudo bem quanto a isso, porque por outro lado eu sempre disse: ‘olha, esse cara canta demais, é difícil pra caralho cantar todo aquele material dele’. Quero dizer, todos sabemos que ele não é muito esperto no que diz, mas ainda assim é um cantor maravilhoso e ele precisa viver. Então, quando ele canta em um álbum de metal, por que ele faz isso? Porque talvez ele precise de algum dinheiro, o que é algo justo.
Metal Temple — Então, com relação ao que você está dizendo, você não acha que é um grande risco para você como cantor, como Andi Deris, fazer este álbum?
Andi Deris — Mesmo desde o álbum ‘Master of the Rings’, que era uma grande volta ao estilo do Helloween, você sabe, mesmo nos últimos álbuns com Michael que não vendiam merda nenhuma, mesmo com as pessoas sabendo que era Michael Kiske que estava cantando, havia pessoas reclamando. Mas as pessoas que têm reclamado agora são aqueles ‘diehard fans’ do Michael Kiske, o que eu adoro, afinal eles estão se levantando para reclamar de algo que amam. E mesmo com este novo álbum, um CD duplo com o tema dos ‘Keepers’, com tudo isso lá, ainda ouço pessoas dizendo que Kai Hansen deveria fazer a segunda guitarra, que Michael não está cantando... Sim, caras, ok, porque com o primeiro ‘Keepers’ você deu seus primeiros beijos e com o ‘Keepers II’ você transou pela primeira vez. Essas são memórias que não podemos trazer de volta, entende, porque já aconteceram.
Metal Temple — Não acho que haja uma razão para trazer essas memórias de volta.
Andi Deris — Mas para eles, talvez sim. Mas mesmo que Michael estivesse cantando neste ‘The Legacy’, mesmo que Kai tivesse feito a segunda guitarra, não traríamos essas lembranças de volta aquele período. Isso é algo que eles têm que aceitar. Porque agora eu posso dizer isso, pois há uma segunda geração de fãs do Helloween, aqueles que nos conheceram nos álbuns ‘The Time of the Oath’ ou no ‘Master of the Rings’, foi na época em que eles transaram, beijaram pela primeira vez... a primeira vez em que eles colocaram as mãos embaixo da camiseta de uma garota. [risos]
Metal Temple — Bem, como fã acho que você ressuscitou a banda.
Andi Deris — Eu tinha que fazer isso. Eu vinha de uma banda que havia feito muito sucesso, então, por que não trazes essas pessoas comigo? Nós precisávamos disso, precisávamos deles no Helloween. O Helloween estava morto. O ‘Chamaleon’ quase destruiu a banda.
Metal Temple — Mudando de assunto, o que você se lembra das sessões de gravação do novo álbum?
Andi Deris — Bem, houve dias bons e dias ruins. Um dos dias ruins, por exemplo, rolou depois de cinco semanas quando o Stefan e tivemos um encontro de emergência quando ele nos disse que tinha um grande problema que queria discutir. Após cinco semanas, ele apenas sentou e colocou na mesa: ‘Eu não posso tocar isso. Há pequenas partes em ’Occasion Avenue’, ’Silent Rain’ e aqui, e ali’... ele não poderia tocar. São 192 batidas por minuto, claro que isso é estupidamente veloz. Mas ele realmente teve uma vida miserável e, no fim do dia, ficava frustrado por todos os lados. Ele tentou muito mesmo, mas no final das contas chegou até nós e disse que preferia sair da banda.
Metal Temple — E ele é um baterista experiente...
Andi Deris — Absolutamente! Mas ele é um baterista estupendo para aquele material do Accept, mas ele tem seus limites quando se trata de velocidade. E o que nós aprendemos após isso tudo era que estávamos pronto para trazer um idiota que pudesse tocar toda aquela merda...
Metal Temple — Sim, seria algo como ‘apenas venha aqui e toque’...
Andi Deris — Isso! Tivemos que aprender com tudo isso. O Stefan nos disse: "por favor, não se limitem’. Ele poderia ficar no trabalho se nós limitássemos a música, mas isso estaria certo? Limitar o Helloween, não tocar speed metal no mais alto padrão porque nosso baterista não pode tocá-lo? Ele simplesmente nos disse que não queria ser responsável por isso.
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