Batera do Anthrax: "Sinto falta do John Bush"
Por Renan Corradini Colber
Fonte: Blabbermouth
Postado em 07 de agosto de 2006
Roger Lotring, da revista Metal Edge, conduziu uma entrevista com o baterista Charlie Benante do ANTHRAX. Seguem alguns trechos:
Metal Edge: Você imagina um momento em que as músicas da última fase do ANTHRAX (fase John Bush) serão incluídas no set da banda?
Charlie: "Não, eu, pessoalmente, não quero isso. Veja bem, o John (Bush) precisava cantar aquelas músicas antigas, já Joey [Belladonna] não precisa cantar nenhuma dessas músicas mais recentes. Ele tem um catálogo de músicas. E eu, pessoalmente, não quero ouvir o Joey cantando o que foi feito pelo John."
Metal Edge: Você não chega a pensar que, talvez, essas músicas desapareçam com o tempo?
Charlie: "Elas vão desaparecer, eu sei disso. É algo que eu precisaria saber lidar, mas não sei… [respira] Alguém disse para mim, porquê você não coloca "Only" no set list. Eu respondi, 'Não, não quero fazer isso.' Não me sentiria bem fazendo isso."
Metal Edge: Pela sua voz, percebo que mesmo não querendo colocar as músicas no set você não se sente bem com o fato das músicas se perderem no tempo.
Charlie: "É difícil para mim mesmo, porque aquele é o período do ANTHRAX que, para mim… Veja, eu escrevo cada uma daquelas músicas que o Joey canta. Musicalmente, eu escrevi todas as músicas que o John cantou. Na minha opinião,eu me sinto melhor em relação às músicas com o John do que às músicas antigas. Foi uma época na minha vida que eu era mais jovem e…"
Metal Edge: Inexperiente.
Charlie: "[Concorda] Inexperiente! E eu era de um jeito, um jeito que as coisas deveriam ser - sabe, punk, thrash, era como eu queria. Eu amadureci um pouco como compositor, e àqueles álbuns com o John mostram uma certa evolução. O último álbum que fizemos ('We´ve Come for You All') foi, para mim, o melhor disco do ANTHRAX. Agora, estamos nessa reunião que é um sucesso. Existe uma parte de mim que pergunta o porquê deste succeso, já que a última fase do ANTHRAX não obteve o mesmo sucesso.
Metal Edge: Como você explica as difereças da banda atualmente para o que foi recentemente? Como compositor, em que direção você se vê?
Charlie: "Alguns dias atrás, eu estava compondo, tocando, e acabei chegando à um material que caberia perfeitamente no velho ANTHRAX. Mas não é uma coisa que faço propositalmente. Precisa ser natural. Acho que essa turnê/reunião está me fazendo isso. Se eu tivesse começado a compor logo no início desta turnê, com certeza as músicas sairiam como as da fase John Bush. Estou começando a me concentrar mais nisso tudo e em como tudo isso irá soar. Eu não quero sair por aí e fazer um álbum que seja forçado. Não quero me sentar e ter que compor um riff de thrash metal doze vezes, porque isso não presta, cara."
Metal Edge: Algum arrependimento em relação à turne de reunião?
Charlie: "Não tenho nenhum arrependimento por fazer a turnê. Tudo que fiz em minha vida fiz porque senti que era 100% correto fazer. Sinto bastante a falta do John, sabe — demais até. Existem dias que eu me sinto,… [pausa] Isso tudo afetou muito nossa amizade. Você sempre escuta as pessoas falando que deve-se fazer o que for melhor para você. Eu tentei fazer o que achei ser o melhor para a banda — nada pessoal, apenas a banda como um todo. Isso, para mim, é maior do que qualquer um na banda. A banda sempre existirá, mesmo depois que todos nós não existirmos mais; nossos álbuns continuarão a ser escutados por aí. Por isso esperava que tudo isso não fosse para o lado pessoal e que ficasse tudo bem com o John Bush. Digo, sim, está tudo bem entre eu e o John, mas existe algo estranho."
A entrevista feita pela Metal Edge está presente na edição atual da revista. Mais informações podem ser encontradas em MetalEdgeMag.com.
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