Tony Iommi, guitarrista do Black Sabbath, conta como quase matou Bill Ward
Por Anderson Ferret
Fonte: Times Online
Postado em 08 de outubro de 2006
Em uma entrevista com Mel Bradman do U.K.'s Times Online, em 2006, o guitarrista do BLACK SABBATH, Tony Iommi, 58 anos, relembrou das piadas absurdas praticadas por ele com seus colegas de banda e frequentemente, com consequências quase fatais.
"Eu era travesso nos meus tempos de escola e eu levei isso pra banda. Bill Ward, nosso baterista, era o centro das piadas. Se eu não aprontasse com ele, ele dizia: 'Você está bem? Você não fez nada comigo hoje.' Ele adorava quase tudo que nós fazíamos com ele."
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"Em 1973 nós fomos gravar um álbum em Beverly Hills. Nós alugamos a casa do John DuPont [herdeiro da fortuna oriunda da indústria química DuPont]. Era um lugar maravilhoso — sala de jogos e tudo mais. Nós estávamos mexendo pela casa e achamos um spray de tinta de ouro na garagem. Eu pensei: ‘Vamos pegar Bill com isso. Nós esperamos até que ele bebesse um pouco e ficasse inconsciente, tiramos suas roupas e aí jogamos spray no corpo todo, da cabeça aos pés. Aí nós achamos um balde de verniz e passamos nele também. Ele ficou muito doente depois disso."
"Então nós chamamos uma ambulância. Você pode imaginar o que eles pensaram quando chegaram — vendo aquele sujeito deitado, pelado e todo cheio de spray de ouro. Eles perguntaram pra gente se tínhamos noção do que havíamos feito, dizendo que poderíamos ter causado sua morte por bloquear os poros de sua pele. Estavam realmente putos! Aplicaram nele uma injeção e disseram pra gente limpa-lo. Então voltamos na garagem e achamos um removedor de tinta. A pele dele estava incrivelmente vermelha, bem machucada. Nós rimos disso no dia seguinte, mas por Deus, não foi engraçado naquela noite".
Iommi continua: "Bill e eu tínhamos um costume de tacar fogo no corpo dele em festas! Eu tinha que jogar álcool nele – o álcool que tinha no estúdio que nós usávamos para limpar os equipamentos. Tinha que jogar nele, tacar fogo e apagar em seguida. O efeito era completamente superficial – sem causar nada. Um dia eu quis fazer isso com nosso produtor. Eu disse pro Bill: ‘Posso tacar fogo em você?’ ‘Não, ainda não’ ele disse. ‘Estou ocupado.’ Algumas horas depois ele disse: 'Estou indo pra casa agora. Você quer tacar fogo em mim ou não? 'Peguei o álcool, joguei nele e assim que eu acendi, ele deu um grito. Todo o cabelo, sua barba, tudo pegou fogo. Ele caiu no chão, eu achei que ele estava rindo mas ele estava gritando. Ele teve queimaduras de terceiro grau. A mãe dele me ligou e disse: 'Seu maluco desgraçado! Tá na hora de você crescer. Bill quase teve que amputar as pernas’. Eu me senti mal."
E a coisa prossegue: "O fato de eu ser o único que podia dirigir, eu que tinha que levar e buscar a banda nos shows. Mas leva-los de volta pra casa era um saco porque todo mundo dormia no caminho. Uma noite, eu achei um rua em Birmingham que era idêntica a da rua em que Ozzy morava, e decidi deixa-lo lá. Eu fiquei observando enquanto ele saia da van meio sonolento e tentava entrar na casa de alguém às 4 da madrugada. Aí eu fui embora. Ozzy morava a mais ou menos 1km e meio dali. Eu fiz a mesma coisa nas noites seguintes até que um dia ele reclamou. Então eu parei por um mês, depois ele caiu de novo nessa."
Novamente a coisa é com Bill: "Num vôo, a língua do Bill estava bem afiada. A mulher que estava sentada na frente dele virou pra trás e disse: ‘Lave sua boca com sabão.’ Então ele foi no banheiro, pegou um sabonete e voltou com a boca espumando. 'Tudo bem assim?' ele perguntou pra ela. Em outra vez, dirigindo pelo deserto dos EUA, nós chegamos perto de uma casa de madeira com o escrito ‘Fogos de artifício’ na porta. Ozzy entrou e comprou todos os fogos da loja. Naquela noite, depois que todos nós fomos dormir no hotel – estava quase tudo embaçado — eu acordei e vi uma fumaça vindo pela minha porta. Eu olhei pelo olho-mágico e vi Ozzy no final do corredor, acendendo os foguetes. Ele causou um estrago imenso! A polícia veio, mas ele não parava. Ele estava louco, ainda acendendo os fogos. Pegaram os extintores e todos os hóspedes correram para a recepção de pijamas, pensando que estava pegando fogo no hotel. A polícia prendeu Ozzy. Eles me disseram que se a gente quisesse que ele saísse da delegacia nós tínhamos que pagar fiança. Eu disse pra eles manterem ele lá por uma noite, queria dormir um pouco."
No final, Iommi justifica: "Mas você tem que se divertir quando se tem uma banda. Se você não fizer isso, você explode. Você precisa de algo pra relaxar. Muitas coisas que acontecem são causadas pelo convívio – um novo dia, uma nova piada. Isso é somente uma amostra do que a gente já passou. Mas essa banda é como uma vizinhança. Nós temos nossos altos e baixos, mas tentamos fazer de tudo, agradável. Nós temos sorte, na nossa idade, de ainda poder fazer isso. É fantástico. Especialmente desde que nós paramos de beber e continuamos fazendo isso sem cair."
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