Abbath fala sobre Immortal e o projeto I
Por César Enéas Guerreiro
Fonte: Rockpages
Postado em 02 de novembro de 2006
Segue abaixo tradução de entrevista com Abbath realizada pelo Rockpages.gr:
"Há muito tempo eu sonho com esta entrevista e, finalmente, meu sonho se tornou realidade. Em ocasiões como esta, quando você fica perto do seu objetivo, é muito provável que o "capeta" faça alguma das suas. A linha costuma cair, a comunicação fica difícil porque o som é ruim, o gravador quebra no meio da conversa... É a "Lei de Murphy" na prática. Mas nada é forte o suficiente para impedir o Rockpages.gr de falar com uma das mais importantes e reconhecidas personalidades do Black Metal, Abbath, o poderoso líder da legendária banda Immortal e da recentemente formada I".
Antes de discutirmos o seu projeto paralelo, "I", diga-me o que fez com que você tomasse a decisão de reunir o Immortal.
"Isso foi há uns seis meses, mais ou menos. Eu e Demonaz decidimos reunir o Immortal e fazer um vídeo sobre a banda, algo que nunca fizemos antes".
Aposto que Demonaz está ocupado compondo as músicas e lidando com o empresário, certo?
"Bem, estamos com um novo empresário, mas sim... Demonaz está escrevendo as letras".
Quem mais está na banda?
"Temos Apollyon do Aura Noira no baixo e Horgh na bateria".
Agora vamos falar do "I". O que exatamente você quer dizer com "I"?
"Isso significa... (risos)... pergunta difícil. Isso foi uma idéia do Demonaz. ‘I’ significa ‘eu’, você sabe... também há uma ligação com Immortal. Então é perfeito para nós. Você pode dizer que simboliza o equilíbrio. Se você pensar sobre essa letra, é como se fosse uma coluna".
"I" estreou no palco no festival Hole In The Sky, no último verão. No ano que vem o Immortal será a atração principal dos festivais Wacken e Inferno. No passado, você odiava sair de Bergen [Noruega] O que você acha de fazer turnês agora?
"Eu disse que odiava viver [‘live’] em Bergen? ‘Eu não gosto de viver nessa cidade!’ Eu gosto dessa região, eu adoro Bergen. Ah... sair [‘leave’] de Bergen! Eu devo ter dito isso quando estava viajando muito".
"Between Two Worlds" está repleto de canções de Black Metal na veia do Immortal e com alguns riffs à la Motörhead e solos no estilo Heavy Metal clássico. Já "Far Beyond The Quiet" é uma música bem no estilo Bathory [banda sueca de Black Metal]. Por que você a compôs?
"‘Far Beyond the Quiet’ é dedicada ao Quorthon [líder do Bathory]. Demonaz quis escrever as letras no espírito do Bathory e trabalhamos nela para torná-la uma espécie de tributo".
Por uns dois anos e meio não ouvimos nenhuma notícia de você. Com o que se ocupou durante todo esse tempo?
"Eu passei mais tempo com o meu filho e fiz muitas caminhadas em montanhas, que é algo que gosto bastante. Foi uma grande oportunidade para relaxar, levar uma vida normal e sem estresse".
2006 é o ano do lançamento de cinco álbuns muito importantes de cinco lendas vivas. Se você não se importar, eu gostaria de ouvir sua opinião sobre cada um deles. Vamos começar com "A Matter Of Life And Death", do Iron Maiden:
"Soa bem. Sem dúvida, é melhor do que ‘Dance Of Death’. É um álbum bem maduro".
"Kiss Of Death", do Motörhead:
"Esse eu escutei só uma vez. Preciso escutar de novo antes de poder analisar melhor. Mas, de qualquer forma, acho que ‘Inferno’ é melhor. Não consigo encontrar uma estrutura clássica nele mas, com eu disse, preciso escutá-lo de novo".
"Monotheist", do Celtic Frost:
"Ótimo! Quatro ou cinco músicas são realmente muito boas".
"Sodom", do Sodom:
"Ainda não ouvi. Mas tenho certeza de que é perfeito".
"Christ Illusion", do Slayer:
"Eu ouvi algumas músicas dele ontem... achei parecido com ‘Seasons In The Abyss’. Preciso escutar o álbum inteiro algumas vezes".
Abbath, você e alguns outros foram os pioneiros da cena norueguesa de Black Metal no começo dos anos 90. Depois de um tempo, o Black Metal tornou-se muito popular no mundo. Do que mais você se lembra dessa época?
Foi uma era grandiosa... tudo era novidade. Um novo mundo se abria para nós! Lembro-me também do mistério! Éramos jovens e vivíamos em uma época bem legal... claro, antes dos assassinatos [relacionados a um grupo ‘satanista’ denominado Inner Circle, formado por membros de algumas bandas de Black Metal]".
Antes de terminarmos, diga-me qual seu álbum favorito de todos os tempos:
"Precisa ser um só?"
Sim!
"Blood Fire Death".
"Meu Deus... Quorthon de novo!"
(risos)
"Brincadeira! Eu adoro a maior parte dos álbuns do Bathory".
"E ‘Under The Sign Of The Black Mark’. Esses dois".
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