Neil Turbin fala sobre Anthrax e Ozzfest

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Por César Enéas Guerreiro, Fonte: Blabbermouth, Tradução
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O site Blasting-Zone.com recentemente fez uma entrevista detalhada com o ex-frontman do ANTHRAX/atual DEATHRIDERS, Neil Turbin. Alguns trechos dessa entrevista:

Blasting-Zone.com: Como você se envolveu com o ANTHRAX? Você participou da formação do grupo ou entrou depois?

Neil: "Eu não participei da formação mas, quando entrei na banda, eu aumentei bastante a sua popularidade. Eu já era um cantor experiente, o ANTHRAX não foi a minha primeira banda. Na verdade, no meu primeiro show, eu cantei para umas quinhentas pessoas. Mas no meu primeiro show profissional, tocamos no CBGB [legendário clube de Nova Iorque] com a minha banda NEW RACE. O ANTHRAX tinha me chamado primeiro".

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"Eu tinha colocado um anúncio do tipo ‘vocalista procura banda’ na revista Good Times e eles me chamaram em junho ou julho de 1982, mas poderia ter sido muito antes disso. Esses caras tinham o seu próprio PA, algumas músicas bem legais, então entrei em contato com Scott [Ian, guitarrista base do ANTHRAX]... Eu freqüentei a escola com Scott. Na verdade, estudamos na mesma classe no colegial. Eu sabia que não era seu amigo favorito, mesmo naquela época. Aí eu falei com eles e concordamos em nos reunir, depois de algumas conversas pelo telefone. Então nos encontramos em minha casa no Queens [Nova Iorque] e ficamos ouvindo fitas demos. Trocamos umas idéias sobre as nossas experiências e sobre as opções para o ANTHRAX naquele momento. Na verdade, eles iriam fazer um show em duas semanas. Eles já tinham agendados, mas o que eles não tinham era um vocalista. Eles estavam tocando com o irmão de Scott, Jason Rosenfeld. Ele fez um ou dois shows com eles e acho que eles não estavam muito contentes ou entusiasmados com o resultado porque ele era um garoto de quatorze anos".

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"A banda, naquela época, tinha um som bem no estilo IRON MAIDEN, ou seja, nada original. Era uma banda do tipo ‘Hard Rock encontra o Heavy Metal’. Aquele material, para mim, era bem fraco. Havia umas idéias legais, mas era fraco porque essas idéias não eram bem aplicadas. Não quero dizer que não tinha nenhuma qualidade... estava quase chegando lá, precisava de algum desenvolvimento. Eu tinha a intenção de escrever músicas para a banda, já que também tinha experiência como compositor. Eu já compunha há anos. Escrever músicas é ótimo mas, se você não estiver escrevendo para um determinado vocalista, é como mijar no vento, entende? Então eu acho que é fundamental você escrever especificamente para o seu vocalista. Mas não era assim que as coisas funcionavam. Durante a minha passagem pelo ANTHRAX, nunca escrevemos para o vocalista. Eu apenas escrevia a música e esperava que eu pudesse cantá-la. Eles não diziam: ‘Esta é a chave na qual estamos compondo’. Não havia esse nível de composição".

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Blasting-Zone.com: Isso deve ter sido frustrante...

Neil: "Bem, não era culpa de ninguém. Era apenas o nosso jeito de compor. Naquele tempo, havia muito mais ‘tentativa e erro’. Havia muito menos informação sobre como fazer coisas. E muito dessa informação vem da experiência. Então eu acabei entrando na banda e fizemos o nosso primeiro show duas semanas depois no Great Gildersleeves em setembro de 82 e o resto é história. Eu fiquei na banda nos bons e nos maus momentos. Eu não sairia se ficasse desanimado ou coisa parecida. Eu fiquei na banda mesmo nos momentos mais difíceis. Não era a minha intenção pular do barco, mas as coisas simplesmente chegaram num impasse. As coisas estavam bem ruins antes de sairmos em turnê. Havia pessoas ciumentas, vamos dizer assim. Algumas pessoas estavam falando demais, simplesmente jogando lenha na fogueira. Já havia animosidade dentro da banda, além de falhas graves de comunicação".

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"Um dos problemas que se destacavam era o fato de que havia pessoas na banda que não falavam as coisas na sua cara. Eles preferiam falar pelo telefone. A banda não gostava de mim. Tudo se resumia nisso. Havia atitudes simplesmente desrespeitosas. Todas essas pessoas estavam simplesmente dizendo insultos o tempo todo. Isso poderia ser divertido, entende? Aqueles caras não estavam a fim de me deixar em paz, descansar ou coisas desse tipo. Aquilo era o oposto de uma equipe. A situação estava mais para ‘cada um por si’, com todos aqueles egos inflados em conflito. Infelizmente, para mim, eu estava na posição de frontman. Eu estava no centro das atenções... Eu intimidava as pessoas e por isso ficava no centro das atenções, entende? Eu não tive que pedir e nem exigir. Simplesmente veio... estava lá. Acho que algumas pessoas podem ter ficado ciumentas com o fato de eu ter minhas próprias idéias. Eu não era uma pessoa que simplesmente fazia o que mandavam. Eu era parte da equipe, mas eu não aceitava qualquer ordem e foi isso o que aquela banda se tornou".

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"Havia muitas coisas acontecendo naquele tempo e o processo de composição havia mudado. Dan Lilker [que viria a ser baixista do NUCLEAR ASSAULT e do S.O.D.] não estava mais na banda, e a equipe de composição até aquele momento era eu, Scott e Danny. Quando Danny saiu, eu tentei começar a compor com [o então guitarrista solo do ANTHRAX] Dan Spitz, mas a coisa não funcionou. Todas as músicas soavam como VAN HALEN, DOKKEN ou coisa parecida (risos). Não era um estilo complementar ou que seguia na mesma veia. …Foi quando escrevi ‘Armed And Dangerous’, ‘Gung HO’ e ‘Raise Hell’. A nova geração de músicas partiu de mim. O resto, é claro, é história".

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"Eu estava fora da banda uma semana depois do show de 3 de agosto de 1984 no Roseland Ballroom. Aquilo foi premeditado. A banda nunca comunicou nada comigo antes. Eles sabiam que o barco estava afundando. O fato de eu ter sido jogado fora do barco antes da segunda metade da turnê já tinha sido premeditado. Não havia muita integridade naquela banda. Vamos deixar as coisas assim".

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Blasting-Zone.com: Qual a sua opinião em relação à recente tentativa frustrada de reunião com [o vocalista Joey] Belladonna?

Neil: "Isso não me diz respeito. O que isso tem a ver comigo? Eu evoluí ao longo dos anos e estive envolvido em muitos projetos musicais diferentes. Se as pessoas não ouviram falar deles, de quem é o problema? Lamento se as pessoas não seguiram minha carreira. Eu não desapareci, eu não morri e ressuscitei. Eu sempre fui atrás daquilo em que acreditava. Já faz muito tempo que não me lembrava disso. É claro que não estamos com um contrato assinado ou fazendo grandes turnês, mas o DEATHRIDERS é uma força a ser respeitada. Outras bandas que tocam conosco sabem do que somos capazes. Agora vamos apenas progredir. Acho que é muito empolgante estarmos onde estamos porque não precisamos fazer covers, entende? Eu não preciso fazer isso, eu faço porque quero. Não acredite em tudo o que lê. Há muitas fofocas e baboseiras por aí".

"Com relação ao ANTHRAX, eu poderia ter ficado, não importa o quanto a situação estivesse ruim, porque essa era a minha atitude mental. Eu ajudei a levar a banda bem longe, até o ponto em que se um novo vocalista entrasse, as coisas já estariam preparadas. Tudo já estaria no lugar. Tudo o que você tem que fazer é caminhar pelo corredor, entende? Tudo o que eles precisavam fazer era lançar mais um álbum, mas todos já sabiam o que estava acontecendo na banda. As pessoas falam sobre isso como se alguma coisa importante tivesse acontecido".

"Naquele momento, a banda seguiu em frente porque estavam no embalo. Aí a banda parou de ser uma preocupação minha. Por que eu deveria me preocupar com uma reunião? Pra mim isso não importa. Para ser honesto com você, o DEATHRIDERS tem um estilo diferente do ANTHRAX. O DEATHRIDERS é mais Power Metal e Thrash neo-clássico".

Blasting-Zone.com: Que tipo de setlist você pensa em tocar quando sair em turnê?

Neil: "Vamos tocar músicas que as pessoas querem ouvir... e temos muitas músicas fortes. Não quero dizer que vamos fazer muitas turnês ou coisa parecida. Ainda não houve oportunidade e também não temos um álbum novo. Você precisa ter um produto e toda a parte comercial por trás dele. Obviamente, não somos o NIRVANA, mas é assim que nos sentimos. Adoramos o que fazemos e adoramos tocar ao vivo. Isso é o que importa..."

"Outra coisa que há por aí é essa coisa estúpida de ter que pagar pra tocar. Para mim, isso é nojento... isso não deveria ser nem mesmo uma opção, mas a dura realidade é que essas pessoas querem ganhar dinheiro. Eles não se importam com os artistas. Então eu não trato com essas pessoas porque isso não me interessa".

Blasting-Zone.com: Isso significa que não veremos o DEATHRIDERS no próximo Ozzfest?

Neil: "No Ozzfest? Pessoalmente (eu acho) que o Ozzfest já é um grande nome e eu estive com meus amigos do DRAGONFORCE no último. E eu fui ao anterior, onde a coisa ficou feia. Eles não me deixaram entrar com as correntes que eu estava usando, mas deixaram entrar a po**a de uma caixa de ovos. Como é que eles deixaram entrar aquelas po**as de ovos se eles tinham seguranças na po**a da entrada revistando todo mundo e não deixando ninguém entrar com correntes e coisas desse tipo? E eles até fazem você tirar seus sapatos. Eu me senti sendo vítima de uma revista completa no aeroporto. Foi nojento. Quando cheguei lá, senti como se tivessem tocado todas as partes do meu corpo. Eu fiquei puto!"

"E depois fui ver o show…com todos aqueles caras acertando o IRON MAIDEN com as po**as daqueles ovos… Eu estava lá e a coisa foi foda, entende? Aquilo faz você sentir vontade de fazer alguma coisa. É uma desgraça termos nos rebaixado dessa maneira, como sociedade, que alguém possa invadir um palco e começar a machucar alguém. Com uma banda como o IRON MAIDEN, isso é injusto porque eles assinaram uma po**as de uns papéis que diziam que eles não podiam fazer alguma coisa ou dizer alguma coisa… e Sharon Osbourne tenta nos fazer pensar que isso não é grande coisa. Acho que seria interessante ver o que aconteceria se o Ozzy estivesse no palco e alguém começasse a jogar ovos nele e saber o que ela pensaria sobre isso. Ela acharia isso legal? Para mim, essa é uma questão séria. Eu não vou ficar parado vendo alguém invadir o meu palco, entende? Qualquer um que invadir meu palco pode estar arriscando a própria vida".

Leia a entrevista completa no blasting-zone.com

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Sobre César Enéas Guerreiro

Nascido em 1970, formado em Letras pela USP e tradutor. Começou a gostar de metal em 1983, quando o KISS veio pela primeira vez ao Brasil. Depois vieram Iron, Scorpions, Twisted Sister... Sua paixão é a música extrema, principalmente a do Slayer e do inesquecível Death. Se encheu de orgulho quando ouviu o filho cantarolar "Smoke on the water, fire in the sky...".

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