"Na América do Sul a coisa beira a histeria", diz Adrian Smith, guitarrista do Iron Maiden
Por Cristiane McBrain
Postado em 12 de maio de 2008
Ter uma arma apontada pra você em São Paulo seria assustador, se você não estivesse andando nas ruas com o guitarrista do IRON MAIDEN Janick Gers, e o portador da arma não fosse um caçador de autógrafos... ah, e também policial.
"Sou um policial," diz o homem, rindo e mostrando uma pistola. Segundos depois, ele sai de um carro não identificado em uma rua afastada da maior – e mais perigosa – cidade do Brasil.
"Quero uma foto. Sou da polícia"
Depois de buscar na bolsa por seu distintivo, o policial presumidamente de folga apresentou um colete de couro vermelho para que Gers devidamente assinasse com sua caneta azul. O fã empolgado apertou a mão de seu herói.
"Ele vai prender pessoas no show," Gers ri.
Assim é a vida para o IRON MAIDEN na América do Sul, um canteiro fértil para o fanatismo com o Maiden.
"Na América do Sul, a coisa beira a histeria," diz Adrian Smith, um dos três guitarristas da banda.
"Chegamos aqui no hotel ontem e havia 2300 pessoas gritando. E ficaram gritando até quase meia-noite. Eu conseguia ouvir eles fazendo coros de ‘Maiden, Maiden’".
"Acordei tarde hoje e meio que fui cambaleando até o restaurante, porque não tinha conseguido nenhum serviço de quarto. Eu só queria uma xícara de café, sabe."
"Isso é meio que divertido para nós", ele continua, "mas eu quase sinto pena dessas super celebridades, sabe, que não conseguem ir a lugar nenhum, são assediados o tempo todo nos hotéis no mundo inteiro... isso me deixaria louco."
Não é nada menos que espantoso que depois de 30 anos nos palcos e milhões de álbuns vendidos, os membros do IRON MAIDEN desfrutem de um nível de anonimato jamais visto na cena musical moderna.
Ajuda o fato de eles não procurarem a imprensa e de que o único rosto que já apareceu nas capas de seus álbuns pertence a Eddie, uma figura demoníaca que começou sua vida como uma máscara de teatro.
"Ele é a maior e mais ultrajante estrela de rock que já existiu,", diz o vocalista Bruce Dickinson.
"E é ótimo, porque nós não precisamos ser [estrelas de rock]. Nós apenas nos concentramos naquilo que fazemos. A verdade é que nenhum de nós realmente se interessa por essa coisa de ser estrela do rock. Somos muito felizes pelo fato dos paparazzi nos acharem absolutamente, absolutamente desinteressantes."
O IRON MAIDEN começou no East End de Londres em 1975. O baixista Steve Harris montou um grupo de músicos que partilhavam de sua opinião, incluindo o amigo guitarrista Dave Murray. Foi apenas depois de várias mudanças e um fim temporário que a formação chegou à atual.
A banda lançou dois álbuns: "Iron Maiden" (1980) e "Killers" (1981) – antes de Bruce Dickinson substituir Paul Di’Anno como vocalista. O primeiro álbum de Dickinson com a banda - "The Number of the Beast" (1982) – foi até o topo da parada britânica. O baterista Nicko McBrain se juntou ao grupo em 1983 e eles então lançaram outro álbum, "Piece Of Mind."
"Powerslave" seguiu em 1984, depois do qual a banda embarcou em uma das maiores turnês do mundo da música, a "World Slavery Tour."
Mais álbuns se seguiram antes que Janick Gers se juntasse à banda em 1990, substituindo Adrian Smith, que tinha saído para continuar com outros projetos.
O vocalista Bruce Dickinson também saiu em 1993 e ficou fora durante vários anos, mas retornou em 1998, junto com Adrian Smith, para ressuscitar a velha – e atual – formação.
"Nós todos somos um pouco esquisitos... poderiam dizer até um pouco excêntricos", diz Dickinson, tentando explicar a longevidade do grupo.
"Se não fosse pelo IRON MAIDEN, nenhum de nós jamais teria se conhecido; cada um veio com diferentes experiências, de diferentes lugares. Nos juntamos e tudo funciona porque a coisa que nos junta é o IRON MAIDEN. É realmente como uma família."
Este sentimento de família se estende à equipe de apoio e à legião de fãs, os quais conheceram a banda através do boca-a-boca e, mais tarde, da internet.
"O IRON MAIDEN nunca contou com rádio, TV ou as formas convencionais de mídia, com as quais muitas bandas contam," diz Sam Dunn, um produtor de documentários e fã da banda, que está filmando a turnê "Somewhere Back in Time".
"Acho que para os fãs, isso é o mais especial. Tudo ainda é movido por essa comunicação. É uma comunidade de fãs e não temos que contar com as grandes corporações de mídia para nos dizer que essa é a música que deveríamos estar ouvindo; nós a ouvimos porque temos vontade."
No dia posterior ao incidente da arma, o IRON MAIDEN tocou para a capacidade máxima do Estádio Palestra Itália, em São Paulo. 45 mil pessoas enfrentam a chuva para ouvir a banda desfiar um catálogo de sucessos dos anos 80: "Aces High", "2 Minutes to Midnight", e o épico de 14 minutos "Rime of the Ancient Mariner."
"É 2008 e o IRON MAIDEN está fazendo shows maiores do que eles jamais imaginaram, e acho que isso surpreendeu a banda, e surpreende os fãs,", diz Sam Dunn.
"Acho que a idéia geral é de que o IRON MAIDEN é uma banda dos anos 80, vestida de spandex, com mullets, faixinhas na cabeça e cabelo sujo. Claramente eles percorreram um longo caminho desde então, graças a Deus."
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