Beatles Rock Band: jogo é viagem pela trajetória da banda

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Por Vitor Bemvindo, Fonte: Mofodeu
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Matéria de 12/09/09. Quer matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?

A experiência de mesclar Rock and Roll com jogos de vídeo game não é nova. Desde os primeiros passos dos joguinhos, os desenvolvedores sempre buscaram colocar músicas associadas ao gênero e, até mesmo, às temáticas. Essa experiência começou a se aprofundar, nos anos 1990, durante a quarta geração de jogos eletrônicos, quando foram lançados títulos como "Rock & Roll Racing" e "Revolution X", lançados para a plataforma Sega Genesis (no Brasil, Mega Drive). Esses jogos possuíam trilhas sonoras adaptadas baseadas em sucessos do DEEP PURPLE, BLACK SABBATH, STEPPENWOLF e AEROSMITH.

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Mas foi em meados dos anos 2000 que a interação entre vídeo game e Rock alcançou um novo patamar, com o lançamento, em 2005, da primeira versão do Guitar Hero. O jogo simula, através de um joystick em formato de guitarra, a experiência de ser um astro de rock. O objetivo é, basicamente, seguir as notas musicais, representadas por cores, apertando os botões coloridos do controlador, ou melhor, da guitarra. O sucesso do jogo rendeu uma série de seqüências, abrindo espaço também para uma nova franquia, o "Rock Band", que pela primeira vez ofereceu simuladores de bateria e microfones para que os jogadores pudessem cantar.

Esse tipo de jogo abriu um novo mercado para a combalida indústria musical, que passou a competir por espaço para os seus artistas nos novos lançamentos de vídeo game. A primeira banda a ter um jogo dedicado a ela foi o Aerosmith, e, em seguida o METALLICA, mas nessas duas versões do "Guitar Hero", havia espaço músicas de outras bandas.

Em 2007, iniciou-se uma briga entre os desenvolvedores de "Guitar Hero" e "Rock Band", para saber qual deles teria o direito por ter em seus jogos, o direito de disponibilizar as músicas da banda mais importante de todos os tempos, THE BEATLES. A queda de braço foi vencida pela Harmonic Music System e pela Eletronic Arts, responsáveis pelo "Rock Band", que prometeram fazer um jogo inteiramente dedicado ao quarteto de Liverpool.

Eis que no dia 09/09/09 – uma referência à faixa "Revolution 9", na qual os dizeres "number nine" ficam repetindo-se em loop – houve o lançamento do tão esperado "The Beatles: Rock Band". Ao contrário dos jogos dedicados ao Aerosmith e ao Metallica, essa versão só possui canções da banda que leva o nome do jogo, fazendo um mergulho profundo na carreira da banda.

O jogo se torna impressionante logo na animação de abertura, que traz um medley de canções do grupo, trazendo vários momentos da carreira dos Beatles, desde os dias de "Twist and Shout" até a psicodelia final de "I Am The Walrus". Talvez nenhuma outra banda fosse tão apropriada para estrelar um jogo de vídeo game do que os Beatles. Isto porque a trajetória da banda favorece imensamente a elevação de nível de dificuldade de acordo com as fases da banda. No início, faixas mais simples e menos elaboradas, como em "A Hard Days Night", até melodias mais complexas como a de "The End".

A evolução por cada nível de dificuldade acompanha as fases da banda, que mudam de nível a nível, juntamente com o visual do quarteto (figurino, cortes de cabelo, bigodes e barbas). Os cenários também acompanham a trajetória do grupo, começando no Cavern, clube onde a banda se revelou até o teto da gravadora Apple, onde o grupo se apresentou junto pela última vez.

Início de carreira, ou melhor do jogo: Cavern Club
Início de carreira, ou melhor do jogo: Cavern Club

Após tocar no Cavern Club, os jogadores "tocam" no Ed Sullivan Theater, em Nova Iorque, onde a banda se apresentou pela primeira vez, em 1964. Logo depois, a excursão pelos Estados Unidos se transfere para o estádio de beisebol Shea, onde os Beatles realizaram o show para o seu maior público: 55.600 pessoas, no dia 15 de agosto de 1965. O nível dos detalhes deste cenário é impressionante: o comportamento do público é idêntico ao visto nos vídeos daquele concerto. Além disso, pode-se notar o trabalho que a polícia teve para conter as fãs enlouquecidas. Em alguns momentos, os guardas aparecem tampando os ouvidos para se proteger da gritaria, em outros, correndo atrás de garotas que tentam invadir o palco.

Avatar dos Beatles no Ed Sullivan Theater
Avatar dos Beatles no Ed Sullivan Theater

Em seguida, o jogo nos transporta para 1966, quando os Beatles fizeram a sua última turnê mundial, apresentando-se pela primeira vez no Japão. O cenário reproduzido é a arena Budokan, em Tóquio, na qual o grupo fez uma série de concertos entre junho e julho daquele ano.

A possibilidade de cenários parecia esgotada, já que entre 1967 e 1969 a banda não se apresentou mais publicamente. Foi aí que os desenvolvedores resolveram utilizar o estúdio de Abbey Road para ambientar as canções escritas nesse período. Mas engana-se quem pensa que a partir daí o jogo fica monótono. Ao contrário, as músicas desse período têm tratamento individual. As temáticas de cada faixa transportam Paul, John, George e Ringo para cenários imaginados, alguns deles baseados em filmes da banda, como em "Yellow Submarine" (baseado no filme de mesmo nome) e "I Am The Walrus", na qual os membros da banda aparecem caracterizados como os personagens do filme "Magical Mystery Tour". Em alguns casos, as artes da capas são inspiração para os cenários, como em "Sgt. Pepper's Lonely Hear Club Band".

Versão virtual de Paul e John tocando "Sgt. Pepper
Versão virtual de Paul e John tocando "Sgt. Pepper's..."

Quando tocam somente no estúdio, o impressionante é a reprodução exata de figurinos e visual da banda que batem perfeitamente com vídeos da época. Até mesmo a posição de cada integrante no estúdio é a mesma das sessões originais de gravação. Entre uma canção e outra pode-se ouvir algumas conversas gravadas durante essas sessões, e até mesmo algumas improvisações.

Ao final de três sessões que contemplam muitas viagens beatlísticas para além de Abbey Road, o quarteto seu reúne no telhado da Apple Records para fazer sua última apresentação pública juntos. Nessa parte do jogo pode-se "tocar" algumas canções nas versões idênticas as que foram executadas naquele 30 de janeiro de 1969. Mais uma vez os detalhes impressionam: desde o público passando na rua, até os policiais preocupados em acabar com a festa.

O Histórico Rooftop Concert, versão animada
O Histórico Rooftop Concert, versão animada

O jogo chega ao fim com um vídeo-animação, que não poderia ter outra trilha que não "The End". Nela o Fab Four toca a canção de cima dos telhados da Apple, contemplando uma Londres incrementada pelos personagens de suas canções. Após o vídeo, a canção fica disponível para ser tocada, ou melhor, jogada.

Um dos atrativos do jogo são as recompensas dadas após atingir determinados objetivos. Há alguns presentinhos como fotos raras e alguns vídeos que mostram os bastidores de apresentações as quais o jogo faz referência.

Enfim, todos os detalhes foram pensados para que nenhum fã dos Beatles possa colocar algum defeito. Jogar "The Beatles: Rock Band" é participar de uma viagem pelos anos dourados do Rock, tripulada pelos mais importantes comandantes dessa história.

O jogo ajuda não só saciar os sedentos seguidores da banda, que sempre estão atrás de lançamentos, mas também ajuda a perpetuar o legado do quarteto de Liverpool para as novas gerações.

A Harmonix e a Eletronic Arts prometem disponibilizar todo o catálogo da banda para ser jogado no Rock Band. Já está disponível para download (pago), a faixa "All You Need is Love". Para outubro está previsto o lançamento do álbum Abbey Road, na íntegra. Em seguida será a vez de Sgt. Pepper's Lonely Heart Club (novembro) e Rubber Soul (dezembro).

Para celebrar os lançamentos ligados aos Beatles, no mês de setembro, o Mofodeu fará dois programas especiais:

Dia 21/09/2009: Mofodeu #067: Especial 40 anos do lançamento de "Abbey Road"
Dia 28/09/2009: Mofodeu #068: Versões de Beatles (só com outros artistas executando canções do Fab Four)

Fique ligado em:

www.mofodeu.com

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Sobre Vitor Bemvindo

Historiador de formação, tem verdadeira adoração pelo Rock and Roll desde sua infância. Seu instinto de pesquisador fez com que "se especializasse" em bandas velhas, especificamente as das décadas de 1960 e 1970. Produz e apresenta o MOFODEU (www.mofodeu.com), o Programa que tira o MOFO do ROCK, juntamente com seu parceiro Luiz Felipe Freitas (a Enciclopédia do Rock). O Programa está no ar desde 2007, tocando só bandas sessentista e setentistas sempre com muita informação e bom humor.

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