Portnoy: "Não consigo acordar e ir para o trabalho!"
Por Karina Detrigiachi
Fonte: Blabbermouth
Postado em 08 de novembro de 2009
Mike Portnoy, baterista do DREAM THEATER, participou em 2009 do "Ask The Artist", uma sessão de perguntas feita pela gravadora Roadrunner Records na qual os fãs enviam perguntas para os músicos. Abaixo podem ser conferidas algumas das perguntas e suas respectivas respostas.
O DREAM THEATER já pensou alguma vez na possibilidade de fazer trilhas sonoras para filmes?
Portnoy: "Nós adoraríamos; falamos sobre isso a nossa carreira inteira, especialmente o nosso lado instrumental. Às vezes improvisamos algumas jams e usamos muito disso no LIQUID TENSION EXPERIMENT. Nós adoraríamos, precisamos apenas da oportunidade certa. Bandas como PINK FLOYD costumavam fazer isso nas décadas de 60 e 70, eles fizeram a trilha sonora para alguns filmes. Eu acho que nós seríamos capazes de fazer coisas legais, estamos apenas esperando o convite."
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Estamos todos conscientes de que a sua recuperação do alcoolismo tem muito a ver com a participação em reuniões e trabalho nas etapas em uma base diária, e às vezes até mesmo patrocinando alguém. Como você lida com essas questões sendo um músico na estrada? Você ainda vai às reuniões quando está em casa, ou ainda encontra tempo para ir às reuniões em outros países?
Portnoy: "Essa é uma boa pergunta. O Alcoólicos Anônimos foi a solução para o meu problema. Não é para todos, pessoas diferentes têm maneiras diferentes de resolverem os seus problemas, mas para mim essa foi a solução. Não consegui parar até que comecei a ir às reuniões, e daí fui capaz de abandonar as drogas e bebidas de uma vez por todas.
Estou chegando a dez anos de sobriedade, graças às reuniões do AA. Nos meus primeiros anos de sobriedade eu tinha que ir para as reuniões todo dia, e eu ia todos os dias, e mesmo em turnê a primeira coisa que eu fazia quando eu chegava em uma cidade era ligar pra um centro de informações e encontrar uma reunião para ir. Eu fui a reuniões em todos os lugares do Kansas a Tóquio a Londres, e vários outros lugares. Foi absolutamente obrigatório para minha sobriedade.
Agora, quase dez anos depois, eu sou capaz de ir para a estrada sem ir às reuniões, mas parar completamente não é recomendado, você realmente tem que sempre ir para as reuniões. Talvez as pessoas em casa possam se perguntar por que eu ainda estou indo, mas sei que se eu não for, vou beber novamente. Você tem que manter o hábito. Eu não vou agora tanto como eu costumava ir, mas eu ainda vou, e isso é absolutamente imprescindível para mim".
O DREAM THEATER oferece muito material aos fãs como DVDs, shows ao vivo, bootlegs, projetos paralelos e etc. Com tanta coisa acontecendo, como você relaciona estar em uma banda e ser um artista de maneira individual?
Portnoy: "Bem, gestão de tempo é um grande problema para mim porque eu estou supervisionando todo este material para a banda, por isso é uma questão de como espremer tudo isso. Não sei, eu simplesmente fui construído para me manter ocupado. Os outros caras podem ir para casa e tirar semanas ou meses de férias e não fazerem nada e eles ficam bem com isso, mas para mim, eu preciso estar fazendo um milhão de projetos.
Eu não sei qual é a resposta, não é algo que você pode planejar. Ou você é este tipo de pessoa - um workaholic - ou você não é. Há algumas personalidades que são feitas pra isso, e felizmente, ou infelizmente, minha personalidade é assim".
Eu gostaria de seguir uma carreira na música com a minha banda. Da sua perspectiva, o sucesso dos negócios no mundo do entretenimento era diferente do que você esperava quando você ainda era adolescente e começou o DREAM THEATER?
Portnoy: "Tudo é como eu sonhei, eu comecei a viver uma vida encantada e sou muito agradecido por isso. Graças a Deus eu consegui ser bem sucedido neste negócio porque eu realmente não posso fazer mais nada, além disso, no mundo real. Eu não consigo acordar de manhã e ir para o trabalho, eu não posso fazer nada que seja conveniente, por isso agradeço a Deus pois tive sucesso em fazer algo criativo.
Quando formamos a banda, não tínhamos essas ilusões de tocar no mundo inteiro, vender discos e turnês, não era nosso objetivo. Éramos apenas um bando de garotos que queriam tocar música juntos.
Acho que se nós realmente quiséssemos ter todos essas recompensas do estilo de vida rock n' roll, nós provavelmente teríamos escolhido um estilo diferente de música! Se fosse tudo sobre sexo, drogas e rock n 'roll eu provavelmente deveria ter sido de uma banda como o MÖTLEY CRÜE, mas de alguma forma acabamos fazendo o que DREAM THEATER faz, o que obviamente é um estilo mais especializado de música no qual, se você quisesse ser rico e famoso, provavelmente essa não seria a melhor escolha.
Nós temos muita sorte de ter perseverança e de ter feito um nome e uma carreira para nós mesmos, fazendo o que fazemos, mas levou um longo, longo tempo para chegar onde estamos. Sou muito agradecido. Temos uma grande base de fãs em todo o mundo, temos que tocar para um grande número de pessoas toda noite, todos nós temos mulheres e crianças, e nós ganhamos dinheiro o suficiente para prover as nossas famílias com um estilo de vida agradável, e eu me encontrei e toquei com todos os meus heróis ao longo dos anos, por isso certamente foi um sonho que se tornou realidade".
Para ler a entrevista completa (em inglês) acesse este link.
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