Ynis Vitrin: tecladista comenta álbum faixa-a-faixa

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Por Emanuel Seagal, Fonte: Ynis Vitrin
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A banda gaúcha YNIS VITRIN retomou suas atividades após um sério acidente sofrido pelo tecladista Antonio Soccol, que ficou em coma durante 27 dias e hospitalizado por 5 meses, e finalmente lançou seu novo álbum, "The Sad Art of Smiling". Antonio comentou o disco faixa-a-faixa, revelando as inspirações por trás da obra, confira:

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"O 'The Sad Art of Smiling' é a síntese do que se passa em minha mente, e busca atingir o público pelo sentimento e experiências individuais. Mostra o lado antagônico de situações cotidianas e persegue um linguajar universal, amor e ódio. Vou comentar faixa a faixa, pois quase todo o CD foi feito com minhas letras.

1 - End of line - Esta música foi criada numa época em que eu estava muito mal emocionalmente e num relapso advento da razão eu me toquei e disse que do "fim da linha" eu iria voltar e retomar minha vida, pois descobri que havia muitas pontas soltas a serem atadas e isso só exigia bom senso e desapego. O ser humano é muito ligado a suas experiências e acaba deixando o passado e o futuro intervir no presente que é a única coisa que temos certeza.

2 - Take me home - Fiz ela enquanto andava no Shopping. Ela foi concebida em dois dias, um dia fiz o instrumental e no outro a letra. Imaginei a fragilidade de um homem solitário e pensei em alguém me levando para casa, a um lugar seguro onde eu poderia virar a noite sem medo de nada, pois a mão de alguém me aliviaria o medo e poderia ligar a luz ou apagá-la quando meus fantasmas me atormentassem.

3 - Limbo - Fiz ela em homenagem a uma pessoa da família que morreu em um natal e a partir daí eu senti a necessidade de expressar o medo e a obsessão pela vida. Fala de alguém se atendo a vida por um filete e ao mesmo tempo dizendo que poderia encontrar um lugar em outra dimensão onde não fosse jogada para trás e nem vivesse com medos humanos. Considero uma das melhores faixas do CD, carregada de emoção e força instrumental equivalente ao apelo da canção. Uma música singular em todos os aspectos.

4 - Old memories - Fala de pessoas que são guiadas pelo amor e não conseguem se desconectar deste apego, mesmo em condições desfavoráveis a esse sentimento. A música fala que as pessoas se apegam a centelhas de amor em detrimento ao seu próprio amor por si. Escrevi ela, pois nesta época eu vi pessoas deixando este amor de homem e mulher conduzir suas vidas e eu não podia aceitar aquilo, pois pregava o desapego e o amor por si próprio acima de tudo. Ela leva o ouvinte a refletir seu rumo preso a um único desejo, o de amar, sem que isso tenha limites e certas condições, o que na verdade vai contra o bom senso, pois as pessoas não nos pertencem e partem a hora que lhes aprouver.

5 - Open Arms - Uma canção que quebra toda a obra da Ynis pela metade, pois ela fala da vida urbana como algo corriqueiro. Coisas simples como um café esfriando, uma TV ligada montam a fio condutor da faixa. Coisas como a noite terminando, o céu carregado, o barulho das máquinas e a isolação do ser humano mesmo rodeado de pessoas e coisas. Fundamentalmente fala que a cidade toca sua rotina não se importando com o que um ser humano pensa ou passa. A cidade é surda, muda e cega e funciona com o todo e não com fatos isolados. Concebi ela na sacada de um apartamento enquanto olhava o movimento urbano e ninguém notava que eu estava ali protagonizando a minha própria história, mas que para a rotina, não importa o que eu pensasse ou dissesse, a rotina se repetiria inexoravelmete no dia seguinte. A frieza da automação sobrepujou as angústias pessoais.

6 - Remains of life - Esta música eu só dei o nome e ela se tornou símbolo da banda e para mim a melhor faixa do CD. Quando foi me apresentado esta música pela banda eu não gostei, pois ela era Hard e eu disse que só faria algo na linha metal e que não seria conivente a ela, mas respeitei o direito da banda de fazer algo diferente e foi algo que derrubou todos os meus preconceitos musicais e 'Remais of Life' é a verdadeira síntese da Ynis.

7 - Cry - É uma música triste que na verdade faz parte de uma decepção amorosa. Ela teve um fundamento que foi dar uma resposta para a minha vida num momento de muita dor no coração. Remete-me a um dia de frio e as fumaças saindo dos chaminés em pleno inverno. Creio que seja uma música para ser ouvida num dia de chuva com muito critério, pois a letra é muito forte e retrata uma situação de perda de controle. O refrão é muito forte e diz que podemos chorar pelas mais diversas formas de emoção.

8 - Last Words - A pesadíssima faixa 'Last Words' conta a história de um pai que está morrendo e que chama o filho em seu leito de morte para lhe pedir perdão pela vida e pelas oportunidades que perdeu-se desta convivência. Creio ser os melhores teclados que já gravei até hoje. Usei muitos timbres do Karma e tirei tudo o que eu podia além de ter dado a execução um toque diferencido. Usei muito os ataques na linha Nightwish, mas com um pouco mais de sentimento explorando muito o touchsense do Karma.

9 - Alone - Esta faixa é um épico, pois a força da canção é Aquilina. Foi a última música a ser composta pela Ynis antes do meu acidente. Esta música diz que estamos sós mesmo rodeados de pessoas e que nossa tumba está lá a nossa espera e que a vida é efêmera e solitária, cheguei a ver esta música como uma das melhores músicas feitas no metal nos últimos tempos e continuo a achar isso. Ela é extremamente recomendável.

10 - The Sad Art of Smiling - Introspectiva e intrigante. Fala que minha arte som e a cada dia, fazendo uma analogia com a vida. Um dia tudo acaba e a música carrega esta gforça com ela. Fiz ela sem que a banda soubesse. Simplesmente a gravei, passei a letra para o Benhur e a linha vocal e o resto da banda conheceu ela quando o CD foi prensado e adoraram muito, já é um hino da Ynis Vitrin."

Algumas amostras de "The Sad Art of Smiling" podem ser conferidas no novo site da banda, em www.ynisvitrin.com.br




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Sobre Emanuel Seagal

Descobriu o metal com clássicos como Iron Maiden e Black Sabbath. Hoje em dia, entre outros gêneros musicais, e sem se limitar a rótulos, ouve principalmente doom, viking e folk metal. Sempre que possível está em busca de novas bandas que tenham algo a transmitir alem de clichês, e mesmo em meio a tantas novidades não dispensa pérolas como o bom e velho Candlemass. Acompanha o Whiplash! desde os primórdios, tendo iniciado sua vida de internauta no mesmo ano de criação do site (1996). Há algum tempo está envolvido com metal, seja trabalhando com eventos, bandas, gravadoras ou imprensa, na tentativa de contribuir de alguma forma para o crescimento desse que é um dos segmentos mais apaixonantes da música, o metal.

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