Arte Metal: entrevista com a banda mineira Nostoi

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Vitor Franceschini, Fonte: Blog Arte Metal
Enviar Correções  

publicidade

Formada por Nienna (vocal), Leandro (bateria), Marco (baixo) e Pedro (guitarra) a banda mineira Nostoi aposta em misturas de elementos que vão desde o Rock Clássico, passando pelo Hard e Heavy Metal, culminando em uma sonoridade, que pode não soar original, mas que agradará a gregos e troianos. A banda divulga seu primeiro EP The Vulture e busca, honestamente, seu lugar ao sol. Falamos com todos os membros da banda, com muito bom humor, sobre tudo relacionado ao Nostoi e mais um pouco.

publicidade

Não há como não fazer essa pergunta. O que significa Nostoi e como se pronuncia esta palavra?

Leandro (Bateria) - O nome foi sugestão da nossa antiga vocalista, Rafaella. Ela fazia uma matéria de literatura grega na faculdade na época e sugeriu o nome. Nostoi (do grego Νόστοι), significa retorno ou ainda retorno dos gregos e é um dos poemas épicos perdidos da literatura grega. Eu sempre fui fã de cultura grega – até quis fazer um livro a respeito quando tinha 11 anos, culpa dos Cavaleiros do Zodíaco (risos) - e comprei a ideia na hora! Ironicamente, a banda quase acabou e "retornou" tantas vezes que o nome cai como uma luva. A pronúncia é uma dúvida viu. Muita gente fala NÓStoi e outros nosTÓI. Pelo grego original, me parece que a pronuncia mais correta seja a primeira, com a enfase no NÓS. Suprimimos o acento da grafia da nossa logo por uma questão estética. Particularmente eu pronuncio NÓStoi (risos). Mas cada um pronuncia como quiser, se quiser gritar no show, acaba que vai pronunciar algo tipo NÓSTÓI (olee olee ole olee NÓS TÓIII,NÓS TÓOII). Um dia a gente chega lá! (risos)

publicidade

Como é o processo de composição da banda?

Marco (Baixo) - Trabalhamos normalmente em cima de uma base crua, riffs em uma ordenação prévia, na maioria das vezes compostas pelo Pedro. Nos reunimos ou na minha casa - a.k.a. Nostoi HQ - (risos) ou na casa do Pedro e tocamos o que cada um consegue extrair e bolar a partir da gravação crua, quase que como um improviso. Aí cada um dá os pitacos pessoais sobre o que pode entrar nessa parte, o que pode ser mudado, até se chegar a uma versão que agrade à todos, o que normalmente é bem rápido mesmo (risos).

publicidade

Leandro (Bateria) – A gente até fez um capítulo da série falando sobre isso, porque é um processo legal o nosso, mas não fazemos idéia de como as outras bandas fazem! (risos). Assistam lá que tá divertido e tem umas dicas boas também, acho!

Vocês unem diversas influências dentro do Rock and Roll e do Metal, isso torna mais fácil ou mais difícil na hora de compor?

Pedro (Guitarra) - Isso acaba facilitando no momento da composição, pois não fica uma coisa restrita a um gênero apenas.

publicidade

Marco - Facilita quanto à própria liberdade das composições. Uma vez que as influências variam tanto dentro do Rock e do Metal, basicamente qualquer idéia que um de nós surgir acaba sendo utilizada de base para uma nova música. O real segredo é colocar o nosso toque de ‘Nostoi Metal’ para deixar tudo coeso, ao invés de somente um amontoado de diversos estilos: temos músicas mais puxadas para o Classic Rock, como "The Vulture", músicas como "Trademark Destruction" que mostram uma influência do Heavy/Power especialmente alemão, "RAWR" puxa pro Thrash... mas tudo no final tem a marca registrada da Nostoi estampada em suas notas.

publicidade

Nienna (Vocal) – Como os meninos disseram, facilita mais do que atrapalha! Isso dá mais liberdade e não te deixa travar. Tipo "Isso aqui ficou legal mas não posso usar porque a gente só toca rock".

Como tem sido a divulgação do EP "The Vulture" e qual a repercussão do trabalho, tanto por parte da crítica quanto pelo público?

Leandro – Bom, o retorno tem sido ótimo. Basicamente eu mando o EP pra download pra tudo quanto é veículo de imprensa, pequeno, médio, grande, não importa. Alguns retornam, outros não, mas isso já era esperado, principalmente pela distribuição ser apenas digital e não física. Mas todo mundo que ouviu até agora teceu elogios, mesmo quem não é muito fã do estilo ressalta o cuidado técnico do trabalho, a clareza do som, a beleza dos timbres – muito mérito nosso, mas principalmente do cara responsável pela gravação, o grande Renato Kojima, da banda Rosa Ígnea, também de Belo Horizonte

publicidade

Marco - Jamais imaginaria uma repercussão tão positiva! A cada resenha que pipoca na internet, mais elogios vêm sendo feitos. Isso é bom também por atrair mais o público, atiça a curiosidade deles ao verem comparações com bandas já conhecidas em nosso som.

A banda conta com uma vocalista. No que isso ajuda e/ou atrapalha na hora de expor o nome da banda, já que muitos pré julgam a qualidade do trabalho da banda pela imagem, pois contam com uma ‘front woman’?

Marco - Por um lado, uma parcela não só do público, mas de quem está dentro do ramo musical, ainda têm uma visão meio deturpada do "female fronted Metal" e já associam à bandas exclusivamente góticas. Porém, no lado bom da coisa, essa ala do metal vem ganhando forças consideráveis nos últimos anos, vide o sucesso que, por exemplo, o Shadowside vem tendo, ou o renome que a Doro Pesch possui de anos de estrada. O Heavy Metal com vocais femininos desperta bastante curiosidade, associado a fatores como esse, acabam por trazer mais pessoas de encontro ao nosso som.

publicidade

Leandro – Endosso a fala do Marco! Se por um lado gera alguns pré-conceitos, por outro abre portas também. Parece que atrai até um público não típico do Metal, que vê um pouco mais de suavidade no vocal feminino e parece apetecer mais a ouvidos não acostumados ao estilo! E esperamos muito que a Shadowside apareça cada vez mais, porque isso vai mostrar o Brasil como também um celeiro forte de bandas female fronted.
Como tem sido os shows, a recepção do público e como anda a agenda da banda?

Pedro - Os shows, apesar do publico não ser tão grande, tem sido muito bons e contribuído muito para nossa experiência.

Nienna - Eu adorei todos os shows que fizemos até hoje!! O público tem nos recebido muito bem, estão curtindo as músicas novas, nos dão retorno depois dos shows! Muito bom!

Marco - O bom é que, com o tempo que já estamos com uma formação solidificada, conseguimos compor um número bom de músicas, podendo então finalmente fazer set lists quase que exclusivamente de composições próprias. Claro, ainda mandamos um cover, de acordo com o evento em que tocamos, um agrado a mais ao público (risos).

Leandro - Além do Stone Metal Fest, no dia 28/08, temos planejado ainda ensaios abertos que acontecem em um estúdio/pub que conhecemos, o que é uma ótima opção pra se conhecer como é a rotina de ensaios de uma banda, poder ouvir músicas novas e covers diferentes dos habituais e ainda comer e beber tranquilamente.

Vocês são oriundos de um grande celeiro de bandas do Metal nacional, que é o estado de Minas Gerais. Como é fazer parte deste celeiro, e isso ajuda ou atrapalha, a pressão é maior?

Marco - Acho algo que boa parte das bandas locais, nós inclusos, buscam fazer é trazer de volta os dias de glória da cena Metal ‘belorizontina’. E para isso, o trabalho tem que ser árduo, especialmente que o mineiro é muito crítico, gosta das coisas à sua maneira. E, infelizmente, é isso que aumenta a dificuldade para se fazer sucesso dentro de BH. Grande parte do público ainda prefere ouvir covers à composições autorais por ser algo que eles já conhecem, já sabem que é bom. Isso ainda é algo que diferencia bastante a cena atual da cena dos anos 80, onde o público cresceu ouvindo as bandas mineiras que viraram as referências do Estado.

Pedro - É uma honra fazer parte de um estado que revelou bandas importantíssimas, reconhecidas internacionalmente, é uma pena que atualmente o metal aqui deu uma esfriada.

Leandro – Eu acho muito bom, mas ao mesmo tempo é complicado, já que basicamente o que saiu daqui foram Metal Extremo e nosso som não carrega muita influência disso. Flertamos mais com o Overdose e o Kamikaze do que Sepultura, Sarcófago, Chakal, Mutilator e etc. Já fizemos até cover de Overdose! É sim uma influência e jogam pra gente uma grande responsabilidade de manter BH como uma cidade fértil no campo do Heavy Metal.

Niennal - Nossa... justamente por muitas bandas que fizeram sucesso e algumas que ainda fazem terem saído daqui, eu acho que ajuda muito!! É como se fosse "genético" (risos). Existe uma pressão sim, no sentindo de que as pessoas talvez esperem muito das bandas oriundas de Minas, mas nada que atrapalhe.

Esta é uma pergunta que o blog tem feito às bandas em comum. É fato que existem bandas que pagam para abrir shows de bandas grandes, as chamadas ‘mainstream’. Este é um assunto polêmico. Gostaria de saber o que vocês acham disso?

Marco - É algo que entristece e muitas vezes até desanima um músico. Por conta disso, pode-se ver que tem bandas com estilo totalmente diferente da apresentação principal abrindo shows. Analisando também como um fã do estilo, que vai a shows, quando esse caso ocorre não é nem um pouco positivo para a banda que faz isso, porque o público fica mais impaciente ainda pro show principal e simplesmente ignora a banda de abertura. Mas isso é algo que não acaba tão cedo, é inegável que dinheiro move o mundo. É claro que a preferência vai ser por quem der mais pra tocar. Nem falo por ser lucro financeiro pra quem organiza, muitas vezes pode ser até pra cobrir custos que não puderam ser cobertos só com as vendas de ingresso, quem sabe.

Leandro – É das coisas mais tristes pra música. Acaba minando o trabalho de bandas sérias, que se destacam pela qualidade do seu som, e colocando sob os holofotes bandas questionáveis, pouco criativas, mas com muita grana. Claro que mesmo entre os que pagam, há exceções, e não duvido de que bandas com um som MUITO foda, já tenham pago pra tocar e aumentar a visibilidade. Não acho uma prática aceitável, mas compreendo quem tem qualidade, quer viver disso, e se submete a esses produtores mesquinhos.

Quais os planos futuros da Nostoi?

Marco - Estamos agora participando do excelente projeto In Cineris, que contará a história de Minas e personagens importantes da cultura mineira através do metal. Também planejamos até o final do ano voltar ao estúdio para começar as gravações do nosso primeiro full length para suceder o EP. Além disso, temos uma grande surpresa sendo planejada, mas para isso terão que continuar vendo nossa web série (risos).

Leandro - Continuaremos divulgando o EP, e tocando sempre que possível, interagindo com a galera pelo Facebook e pelo Twitter! Não queremos dar passos maiores do que podemos, gostamos de deixar a onda das guitarras distorcidas levarem a gente pra onde o Deus Metal quiser (risos).

Vocês lançaram no Youtube uma série contando a história da banda, apresentando os membros, falando das composições, enfim, divulgando o nome da banda. Como surgiu esta idéia e, em sua opinião, qual a importância das mídias digitais para a divulgação do trabalho de bandas independentes?

Marco - Olha, hoje temos inúmeras mídias a serviço dos usuários de internet, não há porque ficar restrito aos métodos convencionais de divulgação. Exatamente aí que nasceu a idéia da web série, divulgar nosso nome de um modo novo, mostrando os bastidores de uma banda independente. Muita gente sempre pergunta como que é a rotina de uma banda nova, ou se não pergunta ao menos imagina.

É como atacar por todos os lados, tem gente que prefere ouvir coisas novas, tem gente que prefere ver os mesmos em vídeos. Uma vez tendo ambas as opções, desperta a curiosidade das pessoas quanto à outra.

Leandro – Eu sou estudioso da área de comunicação na internet e nas mídias sociais, e meio que uso a Nostoi de laboratório pra muitas coisas que vejo na teoria – e fico feliz em dizer que qualitativamente, a teoria tem se mostrado muito válida. Temos poucos seguidores no Twitter, por exemplo, mas é um pessoal que sempre interage, sempre traz coisa boa pra gente, e isso vale mais do que 20 mil seguidores que não te dão nem oi.

A série surgiu pra ser mais um braço nosso na rede, mais uma tentativa de mostrar nosso trabalho e de interagir também com os fãs. Infelizmente, por questões de tempo, ficou impossível produzir a série na frequencia que queríamos, mas certamente teremos os 10 episódios prometidos, só que saindo quando dá! (risos)

Deixe uma mensagem aos leitores.

Leandro – Muito obrigado a quem tema acompanhado a gente pela internet – temos muita gente de fora de BH que já tem o EP, escuta e passa pros amigos, e isso é foda, valeu DEMAIS pra essa galera. E pra quem ainda não sabe quem somos, é só ir lá no Twitter @nostoimusic ou procurar a Band Nostoi no Facebook, além de ouvir a gente no www.myspace.com/nostoi.

Marco - Agradecemos a todos pelo apoio que vêm dando, em especial nos últimos tempos, pois uma banda independente só sobrevive ao mar tempestuoso da vida musical com o suporte dos fãs. Mantenham sempre essa chama viva!

Nienna – Obrigado a todos que tem ficado do nosso lado nessa jornada, cada um que vem com palavras de apoio é muito especial e se um dia chegarmos a ‘fama' pode saber que não nos esqueceremos desses que estão com a gente agora!

Pedro – Muito obrigado galera! Compareçam nos shows sempre que possível!

publicidade




Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Exemplos: 10 músicos com deficiências ou problemas de saúdeExemplos
10 músicos com deficiências ou problemas de saúde

Slayer: assista Ivete Sangalo cantando Dead Skin MaskSlayer
Assista Ivete Sangalo cantando "Dead Skin Mask"


Sobre Vitor Franceschini

Jornalista graduado tem como principal base escrever sobre Rock e Metal, sua grande paixão. Ex-editor do finado Goredeath Zine, atual comandante do blog Arte Metal, além de colaborador de diversos veículos do underground.

Mais matérias de Vitor Franceschini no Whiplash.Net.

WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin WhiFin