Angra: Pela 1ª vez, Aquiles Priester conta em detalhes como e por que foi demitido

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Por Igor Miranda
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O baterista Aquiles Priester contou, durante sua live regular do canal 'TV Maldita' no YouTube, na última quinta-feira (3), como e por que foi dispensado do Angra. O músico declarou que foi a primeira vez que revelou tais informações com tantos detalhes.

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O assunto veio à tona em meio a uma de suas lives beneficentes, onde arrecada doações para os profissionais dos bastidores dos shows e da própria transmissão - a galera da "graxa", como são chamados informalmente. Aquiles declarou que caso um fã doasse R$ 500, revelaria com detalhes o que aconteceu.

Levou apenas alguns minutos até que uma pessoa doasse os R$ 500 necessários para o baterista revelar o motivo de sua saída do Angra. Ele contou que a versão dele com a história será narrada em ainda mais detalhes em um documentário sobre sua carreira, que será produzido em breve.

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Confira, a seguir, a transcrição completa, feita pelo Whiplash.Net, do relato de Aquiles Priester explicando como e por que foi demitido do Angra (a adaptação para texto traz pequenos ajustes de expressões para encaixar melhor à leitura).

"Me chamaram para uma reunião do Angra, no Franz Café, na rua da Agência Produtora. Falaram que a gente iria sair da Rock Brigade Records para trabalhar com essa empresa e me chamaram para fazer a reunião e falar sobre os próximos passos da banda.

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Na época, na feira da música, que foi em setembro de 2007, eu estava lançando meu livro, 'Inside My PsychoBook: 100 Double Bass Patterns'. Lembro que o Kiko (Loureiro, guitarrista) chegou na mesa, viu, e conversamos sobre o livro. Enfim, vou direto ao assunto - e isso eu nunca falei, estava planejando falar somente no meu documentário, que possivelmente vou falar com mais detalhes.

O Kiko disse: 'então, a gente está pensando em fazer um acústico'. E eu falei: 'porra, legal, a gente já fez um acústico outra vez'. A gente fez só um show acústico, no Teatro do Sesi, na Paulista, e estourou a boca do balão.

Aí o Kiko falou: 'só que eu acho que se a gente fazer um acústico, você sempre vai querer botar uma bateria maior no palco, aí gera estresse com roadie, que não consegue montar as coisas em tempo... então, acho que a gente deveria fazer uma votação para ver quem quer que você fique na banda'. Eu falei: 'mas vocês deveriam falar antes, pois eu vim em uma reunião para a gente pensar no futuro'.

E ele: 'pois é, mas está f*da, o show do Angra virou workshop do Aquiles; você se levanta, as pessoas gritam seu nome, a gente fica parecendo coadjuvante no palco, sendo que estamos há mais tempo na banda; então, vamos fazer uma votação para ver quem acha que você deve ficar'.

O Felipe (Andreoli, baixista) estava p*to comigo na época porque eu não iria ficar no Almah, que era a banda do Edu (Falaschi, vocalista) na época. O Edu me chamou e eu falei que ficaria até lançar o disco do Hangar, 'The Reason of Your Conviction' (2007). Quando lançou, eu coloquei todas as forças do Hangar entre o final de 2007 ao início de 2012. Nessa época, o Hangar era a fonte principal de renda - ou de despesas - da minha vida.

O Kiko começou a votação e disse que votava para eu sair. O Felipe também votou para eu sair. O Edu votou para que eu ficasse. Então, a escolha ficou para o Rafael (Bittencourt, guitarrista). Ele disse: 'mesmo se eu votasse para ficar, ficaria empatado, mas eu acho que poderia dar outra chance para o Aquiles, então, acho que é uma decisão de cabeça quente'.

O Kiko começou a martelar, dizendo que já sabiam como seria, por eu já ter minha carreira, fazer workshop, ter merchandising à venda nos shows. Ele disse para o Rafael: 'você tem que pensar bem nisso, você e eu estamos na banda desde o começo'. Então, o Rafael votou para eu sair.

Eu falei: 'então tá'. Levantei da mesa, apertei a mão de cada um, desejei boa sorte e saí. Quando eles falaram aquilo, vi que a mentalidade era muito tacanha e pequena. Os caras não entendem que uma banda é formada por... uma banda.

O Kiko, no momento em que percebeu que as pessoas começavam a gritar meu nome mais, ficava p*to. Ele falava: 'não levanta da bateria antes do show; agita, mas agita no seu lugar'.

Muitas vezes, teve briga no backstage, na hora da montagem, porque os caras falavam: 'abaixa o praticado da bateria do Aquiles'. Estava tudo ligado a isso. A gente tinha um praticado que a gente levantava até um metro. Chegava em show (maior) tipo Via Funchal, o praticado estava em 40 centímetros. Eu pedia para levantar um metro. Na passagem de som, reclamavam, mas ninguém vinha falar comigo.

Pediam para tirar meu mascote (polvo), porque não tinha nada a ver com o Angra. Antes do show, o Marquinhos (provável responsável pela montagem) chegava e dizia que o polvo não estava lá. Eu dizia para ele falar para o tour manager: 'ou o polvo volta, ou o Aquiles volta para o hotel'.

Comecei a bater de frente, porque era coisa de muito filho da p*ta. Na minha cabeça, acho que o Iron Maiden é o Iron Maiden porque tem as cinco pessoas. Tem um brilho maior no Bruce (Dickinson, vocalista) e no Steve (Harris, baixista), mas os outros caras são fundamentais para que a banda seja o Iron Maiden. Essa mentalidade (de achar ruim que um integrante está brilhando) é muito burra.

Chegaram a falar para o empresário que deveria contar os pratos que eu tinha da Paiste, microfones, caixas, porque a banda tinha que ter um percentual daquilo, pois eu estava ganhando tudo de graça. Já estava tudo f*dido.

Quando falaram que iria votar (pela saída), eu já sabia, porque o Edu já tinha me falado que na turnê do 'Aurora Consurgens' (2006), quando foram fazer a viagem, a promo trip, o Kiko já tinha falado: 'será que a gente não deveria arrumar outro baterista?'. O Edu falou: 'você é louco... o Aquiles é um puta batera, carismático, as pessoas gostam dele'. Esse foi o principal problema: as pessoas gostavam de mim.

Pediam para eu não me levantar, para as pessoas não gritarem meu nome, mas eu sentava, acabava 'Angels and Demons' ou 'The Temple of Hate', que são músicas para um baterista de verdade tocar ao vivo, eu levantava só a mão - não levantava do banco, só a mão. Quando viam aquilo, começavam a levantar a mão. E aí eu perguntava: 'e aí, o que eu faço, fico abaixado ou me levanto?'. Os caras ficavam se olhando e aí eu me levantava. Aí rolava um desgosto (risos).

É por isso que eu falo o seguinte... quando as pessoas perguntam se eu voltaria para o Angra, eu digo que não. Mas... não vou falar mais nada (risos).

[...]

Não sei por que, mas o Angra é o tipo de banda que parece que eles querem que o humor seja aquele: ninguém feliz. Tem que estar f*da. Aquilo foi a gota d'água. Falaram para eu sair e eu: 'beleza, vou fazer minhas coisas'. E tenho feito. Graças a Deus, minha carreira está super bem, vivo bem de música, consegui vir para fora do país. Amo o Brasil, amo os meus fãs, mas para dar um passo adiante na carreira, tive que fazer isso. Mas os 4 anos que estou morando aqui, não teve um ano que deixei de ir ao Brasil."

Assista à live, com a declaração de Aquiles a partir de 1h26min:


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Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.

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