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Joe Bonamassa: Dust Bowl e Live From Royal Albert Hall

Por Ana Luiza Ferreira
Fonte: Som Livre
Em 21/12/11

Press-release - Clique para divulgar gratuitamente sua banda ou projeto.

Os fãs de blues e de classic rock nos Estados Unidos e na Europa não têm dúvida: o americano Joe Bonamassa, 34 anos, é a grande revelação deste milênio. Live From Royal Albert Hall, gravado em 2009, e lançado no Brasil agora em Blu-ray, DVD e CD duplo, pela Som Livre, atesta sua consagração no mesmo palco londrino onde alguns de seus maiores heróis viraram mito. Dust Bowl, décimo segundo álbum de estúdio (de 2011) de Joe – e também trazido ao mercado brasileiro pela Som Livre - dá mostras da criatividade e do vigor do favorito dos leitores de revistas como Guitar Player (EUA) e Classic Rock (Inglaterra). Em suas mãos, gêneros tidos como conservadores têm sua história e essência honradas, sem deixar de se arriscar por novas direções e fusões.

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Não foi fácil para o guitarrista e cantor chegar ao prestígio atual. Nascido em uma família de classe média com longa tradição musical, Joe foi garoto prodígio. Só que, distantes do Mississipi, dos grotões sulistas da América profunda ou mesmo do Texas de Stevie Ray Vaughan (1954-1990, outra grande influência), os Bonamassa estavam baseados em uma pequena cidade do estado de Nova York. Obcecado desde muito cedo pela guitarra e, em particular, pelo blues e por suas releituras roqueiras feitas do outro lado do Atlântico, o garoto branco com jeito de nerd foi criando a lenda particular longe de encruzilhadas, garrafas de uísque vagabundo e mulheres ingratas. Em um gênero onde a fama de mau, o azar e a quilometragem em estradas, de preferência poeirentas, são parâmetros para a autenticidade, o menino se fez grande à sua maneira: trancado no quarto, com muitas horas de estudo e dedicação diária, a assimilar o cânone blues/rock que o pai, com muito bom gosto, jogava ao alcance de seus ágeis dedinhos. Devagarinho, no balanço de um bom shuffle, ou com solos eletrizantes, ele foi conquistando a admiração até mesmo dos maiores: B.B. King, que reconheceu seu talento quando ainda imberbe, foi seguido por Buddy Guy, Eric Clapton e outras feras.

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Ao longo da prolífica carreira solo, iniciada em 2000, com A New Day Yesterday, foi vencendo desconfianças e preconceitos. Blues DeLuxe, de 2005, com nove clássicos do gênero misturados a três temas originais, lhe ajudou a transpor várias barreiras. E em 2010, Joe daria outro passo gigante ao formar um supergrupo junto com Glenn Hughes, legendário baixista e vocalista (ex-Deep Purple e com passagem pelo Black Sabbath), o baterista Jason Bonham (filho de John Bonham, do Led Zeppelin) e o tecladista Derek Sherinian (ex-Dream Theater): o Black Country Communion, que em pouco tempo lançou dois aclamados álbuns e um impactante registro ao vivo, o DVD duplo e Blu-ray Live Over Europe (que também está sendo lançado agora pela Som Livre).

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Dust Bowl, décimo segundo trabalho solo de Joe Bonamassa, traz a marca do Black Country no dueto "Heartbreaker", em que os timbres vocais diferentes do guitarrista e do baixista dão liga na releitura da clássica canção do grupo inglês Free. O álbum foi registrado ao longo de sessões nos Black Rock Studios, na paradisíaca ilha de Santorini, no mar Egeu, e também em endereços respeitáveis na Califórnia e em Nashville. O sabor da capital da country music é ressaltado por duas outras participações notáveis: o veterano cantor e compositor John Hiatt, que agita o rock’n’roll acaipirado e irresistível de "Tennesse Plates", e o cinqüentão Vince Gill, guitarrista e compositor que suinga com Joe em estéreo na faixa "Sweet Rowena" – Joe na direita, incorporando um B.B. King certeiro, e Vince penteando na esquerda.

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Na excelente "Black Lung Heartache", instrumentos gregos que o produtor e parceiro Kevin Shirley jogou na mão do guitarrista vão além da mera decoração musical: o bouzouki tocado com slide, assim como seu "primo", o baglama, e o "irmão menor", tzouras, trilham novos caminhos zeppelinianos com originalidade. Eles também ajudam a colorir a inspirada faixa-título, explorando fantasmagorias como quem vaga por um desolado cenário de western. Na abertura, "Slow Train", Joe cria mais imagens cinematográficas, em viagem que toma impulso a partir do embalo "ferroviário" do baterista Anton Fig com escovinha e caixa. Joe sola como sempre, com vibrato impecável e ataque certeiro, exibindo com parcimônia o virtuosismo, mas sem poupar o "vocabulário" de licks blueseiros. Nos vocais, mostra-se à vontade como nunca, justificando comparações com feras da classe de Paul Rodgers em baladões rasgados como "The Prisoner" (que foi hit com Barbra Streisand). Já seria o suficiente para recomendar o trabalho, mas ele ainda dá sólidas provas de sua evolução como compositor, tanto no rockão "The Whale That Swallowed Jonah" como no blues lento e climático "The Last Matador of Bayonne", digno dos grandes momentos de Gary Moore (guitarrista e cantor irlandês, 1952-2011, outro de seus ídolos).

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Em Live From The Royal Albert Hall, mais que a aclamação de Joe Bonamassa no panteão contemporâneo, vê-se (e ouve-se) a realização de um sonho de menino, como ele mesmo conta nas cenas de entrevista selecionadas. O tradicionalíssimo salão de concerto londrino com mais de 140 anos de história recebeu o americano em grande estilo, com lotação esgotada (ingressos rapidamente evaporados na web), e participação de ninguém menos que Eric Clapton, que escreveu a história do blues rock ali mesmo, sozinho e com o Cream. O garoto prodígio que decidira ser músico depois de ouvir o trio formado por Clapton, Ginger Baker e Jack Bruce tinha crescido. E aparecido.

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Vestido com figurino de Blues Brothers, de terno preto e óculos escuros, Joe entra com o tema instrumental "Django", pagando tributo ao legendário guitarrista cigano (1910-1953) nascido na Bélgica. O tom épico é sublinhado pelo uso de dois bateristas, Anton Fig e Bogie Bowles, que se complementam e não soam redundantes mesmo quando a simplicidade rítmica se impõe. Com o riffzão de "The Ballad of Joe Henry", de sua própria lavra, Joe "enche" o local. Ao solar, causa comoção quando brinca com efeitos do Theremin, como um certo Jimmy Page já fez por ali em cena famosa.

"So It’s Like That" sacode o recinto inteiro, com a metaleira inspirada, o hammond batucado e mais um solo incendiário de guitarra. O roteiro do show tem truques de gente grande: pula da acelerada e reta "Last Kiss" (de Bonamassa, nada a ver com a gravada pelo Pearl Jam) para a grandiloqüente "So Many Roads", administrando energia e alternando dinâmicas. "Stop!", originalmente um baladão da cantora britânica Sam Brown, vira esteira para Joe deitar e rolar, tanto em voz quanto na Les Paul. Mas a melhor performance da primeira metade da apresentação talvez seja "Further on up the Road", um típico blues texano que Eric Clapton gosta de tocar em versão acelerada e que Joe conta ter sido a primeira canção que aprendeu. Os dois dialogam em seguida, no mais alto nível, sem repetir o que foi feito nas gravações de Clapton com Freddie King, Jeff Beck e The Band. Não é pouca coisa. Outra tremenda responsa é a releitura de "High Water Everywhere", clássico de Charley Patton (1887-1940), em que Joe demonstra seu domínio do blues acústico, estraçalhando no Yamaha. O diálogo entre os bateristas nesse momento é o cala-boca definitivo para quem critica a opção por dois kits no palco em um show do gênero.

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Daí em diante, o jogo está ganho: vêm "Sloe Gin", "Lonesome Road Blues", "Happier Times" imprimindo novo vigor na segunda parte... O gaitista e apresentador de rádio Paul Jones, um aliado de primeira hora e responsável pela divulgação do trabalho de Joe na Inglaterra, ajuda a esquentar "Your Funeral My Trial", clássico de Sonny Boy Williamson. E o guitarrista escolhe "Blues DeLuxe", pedra de toque do Jeff Beck Group, para esbanjar técnica e fluência no terreno "BBKinguiano" que tão bem domina.

Antes de um bis apoteótico de mais de vinte minutos com a bela "Mountain Tiime" e "Asking Around for You", uma última surpresa final: Joe saca sua Flying V para atacar "Just Got Paid", do ZZ Top, e explorar todas as possibilidades do sonzaço surround registrado pelo produtor Kevin Shirley. Dá para a gente se sentir lá dentro do Royal Albert Hall, como um dos 5 mil felizardos presentes naquele 4 de maio abençoado – vibrando e aclamando um grande garoto.

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Dust Bowl e Live From Royal Albert Hall são apenas o começo. A Som Livre pretende lançar até o fim de 2012 a discografia completa de Joe Bonamassa.

FAIXAS JOE BONAMASSA – LIVE FROM ROYAL ALBERT HALL
DVD 1
1) THE ROAD TO THE ROYAL ALBERT HALL
2) DJANGO (Etienne Lefebvre / Robert Bosmans)
3) THE BALLAD OF JOHN HENRY (Joe Bonamassa)
4) SO IT'S LIKE THAT (Joe Bonamassa / Mike Himelstein)
5) LAST KISS (Joe Bonamassa)
6) SO MANY ROADS (Paul Marshall)
7) STOP! (Gregg Sutton/ Bruce Brody / Brown Samantha)
8) INTRODUCING ERIC CLAPTON
9) FURTHER ON UP THE ROAD (Don D. Robey/ Joe M. Vessey) Participação Especial: Eric Clapton
10) HIGH WATER EVERYWHERE (Charley Patton)
11) SLOE GIN (Robert Ezrin / Michael Kamen)

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DVD 2:
1) I FIRST MET B.B. KING...
2) LONESOME ROAD BLUES (Joe Bonamassa)
3) HAPPIER TIMES (Joe Bonamassa)
4) INTRODUCING PAUL JONES
5) YOUR FUNERAL MY TRIAL (Sonny Boy Williamson) Participação Especial: Paul Jones
6) BLUES DELUXE (Rod Stewart)
7) STORY OF A QUARRYMAN (Joe Bonamassa)
8) THE GREAT FLOOD (Joe Bonamassa)
9) JUST GOT PAID (Billy Gibbons / Bill Ham / Frank Lee Beard)
10) MOUNTAIN TIME (Joe Bonamassa / Will Jennings)
11) ASKING AROUND FOR YOU (Joe Bonamassa / Mike Himelstein)

EXTRAS:
- Woke Up Dreaming (Joe Bonamassa / Will Jennings)
- Joe Bonamassa Interview

CD 1
1) DJANGO (Etienne Lefebvre / Robert Bosmans)
2) THE BALLAD OF JOHN HENRY (Joe Bonamassa)
3) SO IT'S LIKE THAT (Joe Bonamassa / Mike Himelstein)
4) LAST KISS (Joe Bonamassa)
5) SO MANY ROADS (Paul Marshall)
6) STOP! (Gregg Sutton / Bruce Brody / Brown Samantha)
7) FURTHER ON UP THE ROAD (Don D. Robey/ Joe M. Vessey) Participação Especial: Eric Clapton
8) WOKE UP DREAMING (Joe Bonamassa / Will Jennings)
9) HIGH WATER EVERYWHERE (Charley Patton)
10) SLOE GIN (Robert Ezrin / Michael Kamen)
11) LONESOME ROAD BLUES (Joe Bonamassa)

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CD2
1) HAPPIER TIMES (Joe Bonamassa)
2) YOUR FUNERAL MY TRIAL (Sonny Boy Williamson) Participação Especial: Paul Jones
3) BLUES DELUXE (Rod Stewart)
4) STORY OF A QUARRYMAN (Joe Bonamassa)
5) THE GREAT FLOOD (Joe Bonamassa)
6) JUST GOT PAID (Billy Gibbons / Bill Ham / Frank Lee Beard)
7) MOUNTAIN TIME (Joe Bonamassa / Will Jennings)
8) ASKING AROUND FOR YOU (Joe Bonamassa / Mike Himelstein)

CD JOE BONAMASSA – DUST BOWL
1) SLOW TRAIN (Joe Bonamassa / Kevin Shirley)
2) DUST BOWL (Joe Bonamassa)
3) TENNESSEE PLATES (John Hiatt / Mike Porter) com John Hiatt
4) THE MEANING OF THE BLUES (Bobby Troup / Leah Worth)
5) BLACK LUNG HEARTACHE (Joe Bonamassa)
6) YOU BETTER WATCH YOURSELF (Walter Jacobs / Joe Bonamassa)
7) THE LAST MATADOR OF BAYONNE (Joe Bonamassa)
8) HEARTBREAKER (Paul Bernard Rodgers) com Glenn Hughes
9) NO LOVE ON THE STREET (Michael Kamen / Tim Curry)
10) THE WHALE THAT SWALLOWED JONAH (Joe Bonamassa)
11) SWEET ROWENA (Vincent Gill / Pete Wasner) com Vince Giil
12) Prisoner (Karen Lawrence / John Desautels)

SERVIÇO:
JOE BONAMASSA – LIVE FROM ROYAL ALBERT HALL
Preço: CD duplo – R$29,90
DVD – DVD 44,90
Blu-ray – R$59,90

CD JOE BONAMASSA – DUST BOWL
Faixas: 12
Preço: R$ 27,90

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