Belphegor: frontman quase morreu por doença do Brasil
Por Carlos Almeida
Fonte: Metalsucks
Postado em 22 de junho de 2012
Em 2012 o vocalista e guitarrista do Bephegor, Helmuth Lehner, falou ao site Metalsucks sobre os graves problemas de saúde que enfrentou. Acompanhe alguns trechos.
Como você está se sentindo?
Muito melhor do que há alguns meses. Estou me recuperando, lentamente. Estou melhorando a cada mês.
Eu sei que você teve que cancelar algumas datas da turnê devido a uma infecção pulmonar, mas qual foi a extensão da sua doença? O que você teve?
Eu tive que cancelar todos os shows e turnês nos últimos nove meses. Não foi uma situação lá muito boa. Sério, nunca esperava algo assim. Quem espera? É como tomar um soco na cara.
Eu peguei uma infecção de tifo no Brasil. Acho que foi por ter bebido água de uma pia. O que você pode fazer quando acorda pela manhã depois de beber muito e está com uma ressaca violenta? Sim, eu sei, não foi algo muito inteligente afinal de contas. Eu não havia tomado vacina contra tifo. O vírus matou meus pulmões. À medida tocávamos pelo Brasil eu não sabia o que estava acontecendo. Eu achava que com o passar dos dias ficaria melhor. Pelo contrário, piorou. Era difícil respirar. Os últimos shows foram difíceis, cheios de vômito, dor e febre. Mas tocamos os últimos dois shows com o Morbid Angel. Hei, você não pode chegar e dizer "estamos cancelando."
Depois de oito shows no Brasil, voamos para a Venezuela. Eu já não conseguia sequer levantar a case da minha guitarra, de modo que foi a primeira vez que fui para o hospital. Eu não pude fazer o show, mas ainda havia shows marcados na Colômbia. Eu ainda pensei, vou melhorar... Eu estava totalmente acabado, não pude fazer os últimos três shows na Colômbia, desculpe a todos os envolvidos. Eu sou um lutador, eu nunca cancelo shows desde que eu possa ficar em pé, mas tudo estava acabado. Foram quatro dias de dor e febre, deitado na cama, em Bogotá, seguidos por dois malditos vôos internacionais de volta para a Áustria. Quando chegamos eu estava totalmente acabado, não conseguia nem carregar a minha própria bagagem de mão.
Eles me colocaram na UTI por dez dias, para me preparar para uma operação. Havia uma grande quantidade de água no meu fígado, coração e pernas - em todos os lugares. Eu parecia um lutador de sumô. Além dos meus pulmões, também houve danos no coração. Então, tive que fazer uma cirurgia na qual abriram meu peito e meu coração. Isso daria um livro, cara.
Você sempre teve uma agenda de shows incrivelmente ambiciosa. Isso teve alguma coisa a ver com você ter ficado doente? Você vai mudar isso no futuro?
Eu mentiria se dissesse que é bom para o corpo fazer mais de 120 shows por ano, gravar álbuns e lidar com coisas relacionadas aos negócios da banda. Isso para não mencionar a bebida e as drogas na estrada. O Belphegor é conhecido pelo excesso. Sim, eu tenho que mudar essa agenda de shows intensa e meu abuso delirante ao beber.
Como você se recuperou? Você chegou a ficar perto da morte?
Cara, eu lutei cinco semanas para ter minha vida de volta. Cinco semanas no hospital - três vezes na UTI, em seguida, seis semanas de reabilitação - passo a passo, eu tentei ter minha vida de volta. Eu tenho tive muita vontade e disciplina, caso contrário não estaria mais aqui.
Nergal, do Bethemoth, disse após a luta contra o câncer que está feliz por estar vivo. Você sente o mesmo?
Eu acho que nós dois tivemos muita sorte. Cinqüenta anos atrás, nós seriamos comida de verme, ou cinzas e enxofre no inferno. Eu também tenho que agradecer ao meu país de origem, a Áustria e a todos os médicos e enfermeiras que me ajudaram a sobreviver.
Várias coisas mudaram na minha vida. Talvez eu esteja um pouco mais sábio. A coisa mais importante além de liberdade foi sempre decidir o que eu quero fazer, seguir o caminho que escolhi, em termos de sonho e visão. Agora é importante ter um grande objetivo na vida, novos desafios para levar a banda adiante, meu jeito de tocar guitarra e da intensidade dos shows a um nível ainda mais elevado. Então, sim cara, é ótimo estar de volta e ser capaz de criar novas músicas.
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