Max Cavalera: "Acho sensacional levar a família para o palco"
Por Andrew Carvalho
Fonte: Lithium Magazine
Postado em 22 de março de 2013
Anton Koltykov da revista canadense Lithium recentemente conduziu uma entrevista com Max Cavalera (Soulfly, Cavalera Conspiracy, Sepultura). Seguem abaixo alguns trechos da conversa.
Anton: O último álbum do Soulfly,intitulado "Enslaved", é o álbum mais pesado e o mais obscuro feito até agora; o que o levou a seguir esse caminho?
Max: Sim, eu só queria fazer alguma coisa diferente, sabe… Eu achei que os dois últimos CDs parecessem um pouco iguais – "Conquer" e "Omen" eram um pouco mais de Thrash e HardCore, e eu me perguntava "O que mais eu posso fazer?". Eu sempre gosto de surpreender meus fãs um pouco, então eu comecei a escutar muita coisa pesada, escutei muito minhas antigas, e meus antigos Death Metal como Entombed, Napalm Death, Morbid Angel, Death, Massacre, e também escutei muita coisa nova que era realmente pesada como Oceano, The Acacia Strain, Molotov Solution, Impending Doom, I declare War, e foi tipo "Isso é muito foda". Esse é um tipo de som que esta sendo bem feito e eu devo levar o Soulfly na mesma levada, mais agressiva. Isso foi um tipo de experimento, mas eu acho que muitas pessoas gostaram da energia porque foi brutal do começo até o fim. De fato, foi a primeira gravação do Soulfly que eu nem se quer usei um instrumento; veio como uma música especial em uma edição especial porque eu achei que o álbum soou tão pesado, sem espaço para instrumentos nessa gravação. Foi divertido trabalhar com o produtor Zeuss... Um cara bacana, e ele está fazendo umas gravações da mesma pegada do Oceano. Ele teve muita participação na sonoridade e nos ajudou a criar o nosso estilo pesado na gravação. Eu alcancei o que eu queria; Eu queria fazer uma gravação totalmente diferente da antiga e nós fizemos.
Anton: Você configurou grandes colaborações nas gravações do Soulfly, como você fez a escolha dos músicos?
Max: Na maioria das vezes eu sou fã das músicas deles e algumas vezes eu já os conheço então é mais fácil. A amizade vem a tona e facilita o trabalho, sabe... Que nem o Dez da DEVILDRIVER, eu o conheço já faz anos, então foi bem tranquilo trabalhar com ele no estúdio. São maioria as bandas que eu conheço e quero trabalhar, e eu acho muito legal essa ideia de colaboração que começou no Sepultura voltar nos dias atuais. E o álbum "Beneath The Remais" teve o Kelly Shaefer da banda ATHEIST que escreveu algumas letras como "Stronger Than Hate" e , claro "Chaos A.D", nós temos o Jello Biafra, que escreveu a letra de "Biotech". No álbum "Roots" nós usamos o Mike Patton e Jonathan do Korn que ajudaram na "look Away". Isso continuou no Soulfly; "Primitive" teve o Tom e o Chino do Deftones. Eu tive que trabalhar com meus músicos favoritos, e é bacana coloca-los em um ambiente diferente. Por exemplo, quando você escuta "Terrotist", não se parece em nada com Slayer mas tem o Tom Araya cantando, então isso é bacana; isto é como ele soa quando ele não está no Slayer. Eu farei isso em cada álbum, colocarei alguém diferente. Não necessita necessariamente ser "grande", pode ser da cena underground também, porque eu gosto gosto do underground. Eu gosto de muitas bandas novas que muitas pessoas não gostam.
Anton: Sua carreira musical sempre foi envolvida com sua familia. Como você consegue gerenciar esses dois mundos?
Max: A primeira coisa a se fazer é não escondê-la. Muitos músicos do mundo inteiro escondem quando tem filhos. Eu não sei o porquê. Eu acho muito bacana ter filhos e ainda sair agitando por aí! Não tem nenhuma regra que diz que se você tem filhos não deve mais curtir um show, tem que ser uma marica pra fazer isso só porque se tornou pai. FODA-SE! Não é assim que funciona. Quando eu tive meus filhos eu estava muito orgulhoso e fiz uma tattoo com o nome deles nos meus dedos e os levei comigo na turnê. Tem sido assim desde sempre. Richie estava no Nailbomb em 1995, meu irmão raspou a cabeça dele e fez um moicano, daí lhe deu uma guitarra e ele iria na frente de milhões de pessoas e fazer barulho ! Então sim, a família sempre esteve ali. Essa turnê é muito familiar. É uma turnê maravilhosa, um pacote inesquecível para todos. Chegue cedo para ver todas as bandas e então no final do set do Soulfy nós fazemos "Revengeance", nós nos juntamos e ficamos toda a família no palco. É uma ótima atmosfera. É ótimo viajar com toda a família. É algo muito singular.
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