Marty Friedman: o papel da guitarra na música japonesa
Por Ferrr Barone
Fonte: Guitar World
Postado em 16 de maio de 2013
O antigo guitarrista do Megadeth, Marty Friedman, recentemente respondeu a uma série de perguntas de fãs na matéria "Dear Guitar Hero", para a revista Guitar World. Alguns trechos seguem abaixo:
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Guitar World: Como foi pra você quando o terremoto e o tsunami atingiram o Japão em 2011?
Friedman: Foi de longe a experiência mais assustadora pela qual já passei. Eu não estava em Fukushima quando aconteceu; Estava em Tóquio com minha banda em nosso estúdio de ensaios, e o prédio inteiro começou a sacudir. Por sorte, todas as cabines e os equipamentos de PA eram enormes, então não houve nada caindo do teto. Foi inacreditável. Todos evacuaram o local. Daí, junto com o lance nuclear que tava rolando, os tremores secundários foram sérios também. Você ligava a TV no noticiário e o âncora estava usando capacetes, e suas câmeras sacudiam. Foi a coisa mais triste de se ver, porque você sabia que todas as pessoas que estavam sofrendo ali eram pessoas normais como eu e você. Num minuto eles estavam na escola ou qualquer lugar, e no minuto seguinte foram levados pelo mar. Foi horrível. Agora, obviamente tudo já se acalmou. Mas ainda há tremores secundários diariamente, e você nunca sabe quando ou se algo assim vai acontecer de novo. Você só tem que apreciar o que tem, enquanto tem. Quando isso aconteceu eu me senti desesperado, e só tinha que pensar em um jeito de fazer as coisas. Então vendi todas as minhas guitarras da era Megadeth, os amplificadores e os efeitos pra tentar ajudar. O mínimo que eu poderia fazer era chamar atenção para a situação e contribuir com algum dinheiro. Acabou sendo uma experiência purificadora. Me senti bem e isso me abrandou, Também foi um bom desfecho para 'me livrar' do material, que estava trancado num armário. Tudo estava nas condições originais e não foi tocado por anos. Isso não pôde trazer de volta as pessoas que se foram, mas espero que tenha ajudado um pouquinho às pessoas que ficaram no local.
Guitar World: Considerando que você já teve uma carreira extensa agora tanto nos Estados Unidos quanto no Japão, estive pensando se você poderia descrever as diferenças entre os cenários musicais desses dois países.
Friedman: A maior delas é a ausência de 'gangsta rap' aqui no Japão. Quando acontece algum rap aqui, a mensagem das letras é muito positiva e elevadora. Mais uma coisa é que a música aqui é muito mais baseada na melodia do que nos EUA. A América parece estar realmente focada no estilo de canto do American Idol, o que significa cantar metade da música normalmente e a outra metade como Aretha Franklin, Mariah Carey ou Kelly Clarkson. É tudo em cima de mulheres fortes gritando. No Japão é mais como "você nunca pode ser tão fofo ou feliz". É tão bizarramente doce que você pode ficar com uma dor de dente, mas se você conseguir lidar com isso, então estará no paraíso. Uma última diferença é que você pode ter músicas pop extremamente doces cheias de guitarras muito boas. Eu amo isso. Na América, se houver alguma vez alguma guitarra na música pop, é normalmente um desperdício de guitarras. Mas, por aqui, as pessoas tendem a gostar do som de uma guitarra distorcida mesmo que não seja um fã de rock ou metal. No Japão, a guitarra distorcida se encaixa na música adulta orientada, no dance e até em músicas pop. É uma verdadeira viagem.
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