Marty Friedman entende que não tinha mais nada a oferecer para o Megadeth
Por João Renato Alves
Postado em 03 de dezembro de 2025
Quando deixou o Megadeth, na virada do século, Marty Friedman não estava apenas saindo de uma banda. O guitarrista deu início a uma nova vida no Japão, que lhe renderia ainda mais popularidade. No entanto, nada aconteceu sem sacrifícios, como o próprio recordou durante entrevista ao Life in Six Strings.
"Eu morava no Arizona, em um típico bairro americano normal - tranquilo, onde você relaxa e nada muda. Bem, é assim que o Arizona é. Então, quando você volta de turnê, é muito bom. Mas quando você não está em turnê e está morando lá, é como viver no deserto. Então, você começa a pensar: que tipo de música eu realmente quero fazer? E eu estava ouvindo J-Pop, música japonesa, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Simplesmente sabia que precisava estar aqui no Japão se quisesse realmente entrar no mundo da música japonesa. Então, esse foi o motivo de eu ter vindo."
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A mudança fez com que o músico não apenas mudasse de mercado, mas voltasse a ser um anônimo. "Já tinha vindo ao Japão inúmeras vezes, mas sempre como artista internacional. E quando você faz isso, tudo é resolvido. Ao voltar sozinho, claro que nada disso existia. Além disso, eu não queria estar na cena musical internacional; eu queria estar na cena musical japonesa. É um mundo diferente, pessoas diferentes, conexões diferentes. Eu não conhecia ninguém, então comecei do zero e realmente não tinha nada.
Mesmo tendo conquistado álbuns de platina com o Megadeth por 10 anos, os fãs de música japonesa, em sua maioria, nem sequer conhecem os maiores grupos americanos. Queria entrar nesse mundo, e foi realmente uma conexão de cada vez. Comecei a trabalhar com uma cantora chamada Aikawa Nanase, de quem era muito fã. Eu ouvia a música dela no deserto, em turnê pela América, pela Europa e por todos os lugares. Mal conseguia acreditar que estava na banda dela. Foi ali que dei meu primeiro passo para entrar na cena musical japonesa, tive muita sorte."
A conclusão de Friedman é de que a mudança foi benéfica em todos os sentidos. Incluindo a relação com sua antiga banda, onde sentia não ter mais nada com o que contribuir. "Quando saí do Megadeth, eu sabia que era hora de deixar o grupo. Não tinha mais nada a oferecer e eles não tinham mais nada a me oferecer. Foi um bom momento para isso acontecer."
Nos últimos anos, Marty chegou a se reunir no palco com Dave Mustaine e as formações recentes. Ele também segue com a carreira solo, tendo lançado o álbum "Drama" em 2024.
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