Talking Heads: O encontro entre Coringa e Hannibal Lecter
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 18 de março de 2014
Aclamada como um dos pontos de intersecção entre a secura punk e o lirismo do art rock, "Psycho Killer"foi o segundo single do TALKING HEADS, produto da líquida e esquizóide mente de DAVID BYRNE- um sujeito que mistura surrealismo e LOU REED com a mesma facilidade que um cozinheiro de botequim frita bolinho de bacalhau. Definida como "new wave travestida de balada", a faixa – que já fazia parte do repertório de um projeto anterior de BYRNE- The Artistic" , se tornou o aríete da carreia da banda e entrou de sola na cultura pop- endossando de games a episódios dos Simpsons.
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Em tradução, "Pshycho" é ambígua e, como muito coisa assinada por BYRNE, necessitaria do apoio de um tratado de semiótica para ser dissecada. Trechos como "Não pareço que possa encarar os fatos/Estou tenso e nervoso, não consigo relaxar/Não consigo dormir, a cama está em fogo/Não toque em mim, sou realmente um arame vivo" parecem fazer remissão ao "assassino serial"; em outros momentos frases como "Você começa uma conversa que nem pode terminar/Você está falando bastante mas não está dizendo nada/Quando não tenho nada a dizer meus lábios ficam selados/Dizer uma coisa uma vez, por que dizê-la novamente?" dão o contraponto na narrativa , apontando o que poderia ser um conflito doméstico- o que seria dos resenhistas se esses questionamentos prosaicos não existissem?
Entretanto, como é peculiar aos autores, BYRNE não poderia perder a passada e, em declaração em 2006, soltou a pérola- "Quando comecei a escrever isto, imaginei ALICE COOPER fazendo uma balada do estilo de RANDY NEWMAN. Tanto o Coringa quanto Hannibal Lecter eram muito mais fascinante do que os mocinhos. Todos torcemos para para os bandidos nos filmes". Entenderam agora?
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