Metal Burguês: heavy metal é a cara da riqueza, afirma pesquisa
Por Jonathan Silva
Fonte: Citylab
Postado em 30 de maio de 2014
O Heavy Metal, como todos já sabem, não nasceu em berço de ouro e não se desenvolveu em centros acadêmicos. Nasceu da classe operária e se desenvolveu em lugares de péssima qualidade de vida. A falta de uma procedência "nobre" foi determinante na criação de um estigma social que sempre perseguiu os headbangers mesmo quando o Heavy Metal atingiu o mainstream nos anos 80, alavancando o status financeiro dos seus músicos.
Mas agora o metal anda ganhando cada vez mais aceitação dentro de países desenvolvidos. Procurando entender melhor sobre esse crescimento demográfico nessas regiões, o pesquisador Richard Florida¸ da Universidade de Toronto, elaborou um gráfico com dados do Encyclopaedia Metallum que mostram exatamente a concentração de bandas pelo mundo e teve como surpresa o fato de que a região onde há mais concentração de bandas a cada 100 mil habitantes é na Escandinávia. Vejam o gráfico:
"Quando escrevi sobre este mapa por volta de 2012, comentários tinham todos os tipos de explicações para o motivo do heavy metal ter se espalhado tão longe ao norte de forma tão intensa. A emoção sombria do Metal, alguns disseram, refletida a longas noites frias de inverno do norte da Europa [...] O gênero tem menos oscilação nos lugares pós-industriais devastados onde nasceu, mas continua a ser incrivelmente popular nos países escandinavos conhecidos por sua riqueza relativa, robustas redes de segurança social e a incrivelmente elevada qualidade de vida", afirma Richard, já deixando claro que fatores como o PIB elevado e a alta qualidade de vida fazem dos escandinavos um dos maiores (se não "o maior") consumidores e propagadores dessa cultura, justamente por terem os meios necessários para a sua participação nos meios de produção, bem como a aquisição dos materiais relacionados ao heavy metal.
"Apesar do metal ser a escolha musical para alguns machos alienados da classe trabalhadora, há maior proveito de sua popularidade nos lugares mais avançados, mais tolerantes, e com base de conhecimento do mundo. Por mais estranho que possa parecer, o heavy metal não brota da escória envenenada de alienação e desespero, mas do solo argiloso da prosperidade pós-industrial. Isso faz sentido, afinal de contas: enquanto novas formas musicais podem brotar em grupos descontentes, marginalizados ou desfavorecidos, é nas sociedades mais avançadas e ricas que se têm empresas de mídia e entretenimento que podem propagar novos sons e gêneros, bem como jovens ricos e consumidores com bastante tempo de lazer para comprá-los", finaliza Richard Florida.
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