Metallica: Lars Ulrich defende banda tocar em festivais pop
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 14 de maio de 2014
Recém-confirmado para ser a primeira banda de Metal da história a se apresentar no tradicional festival inglês de Glastonbury mês que vem, o METALLICA, representado por seu baterista e fundador LARS ULRICH, falou com o jornal inglês THE GUARDIAN sobre o que espera encontrar no evento.
O que segue abaixo é um trecho traduzido da entrevista.
Algumas pessoas sugerem que o público que vai a Glastonbury podem não ser muito familiarizados com o trabalho do Metallica. Como é que vocês ganharão os que duvidam?
Ouça, nós só vamos lá e fazemos o que fazemos. Não é maravilhoso que, 33 anos depois, possamos nos colocar em situações nas quais há uma possibilidade distinta de você ainda ter que, como você diz, ganhar as pessoas? Eu não sei se o fogo da competição ainda queima com a mesma intensidade como queimava 20 anos atrás, então não sei se estamos preocupados com essas coisas do modo que fomos outrora. Mas, obviamente, tocar pra quem quer que seja que não esteja realmente familiarizado com o que você faz é sempre interessante. No momento, minha reação é de júbilo e êxtase e agradecimento por ter sido dado a chance de ser convidado para o solo sagrado de Glastonbury. Então não estou esperando por nada além disso, que do caralho, tamo chegando!
Uma coisa que eu deduzi ao longo do caminho é que o Metallica tem uma tendência de extrair algumas opiniões bem fortes das pessoas – o que é ótimo, porque ninguém parece ser neutro ou indiferente. Todo mundo sempre tem uma opinião sobre o que fazemos, ou o que estamos tocando ou o que comemos no café da manhã, ou o que seja. Isso é algo dentro do qual você acha algo de bom, porque quer dizer que as pessoas se importam. E é melhor que as pessoas se importem do que ninguém se importe. Então achamos o lado bom em tudo, muito obrigado por perguntar!
O Metal parece ser a última tribo musical que sempre foi separada das demais e mantida apenas para festivais de Metal. Deve ser bom quando alguém diz, "Sim, vocês podem fechar Glastonbury – vocês são do Metallica."
O que eu posso te dizer é que, viajando por todo o mundo, tocando para pessoas que nunca experimentaram o que vocês faz antes, você se dá conta que as pessoas simplesmente gostam de música. As pessoas não sentam ali e dividem as coisas em gêneros ou categorias, ou colocam barreiras em volta dela, ou definições. Claro, em países que têm tido acesso a música e à infraestrutura que apoiam a música faz décadas – provavelmente a Inglaterra mais do que em qualquer outro canto – você está lidando com meio que o contrário disso. Antes de mais nada, nós defendemos a música, e além disso, se as pessoas quiserem dissecá-la e fazer o que seja, eu não tenho um problema com eles por causa disso. Mas quando eu sento ali e fuço no meu iPod, eu não categorizo a música tipo ‘Agora vou ouvir um pouco de jazz, agora vou escutar um pouco daquilo… ’
Na Inglaterra, quando você já tem décadas de imprensa musical semanal. Onde a certo ponto vocês chegaram a ter quatro revistas semanais de música – você tinha a Melody Maker, a New Musical Express, você tinha a Sounds e a Record Mirror – você encontra esse tipo de cena, esse tipo de cultura, há uma necessidade de se aplicar definições mais profundas ás coisas. Eu não estou criticando. Estou apenas dizendo que há uma história na Inglaterra, desse tipo de definições, mais do que em outros lugares.
Então, ter uma oportunidade de tocar em Glastonbury e representar a primeira banda de rock mais pesado é com certeza uma grande honra. E estamos cientes que pode haver algumas pessoas em algumas das barracas que vão sentar e dizer, ‘O que caralhos o Metallica está fazendo no nosso festival?"E tudo bem. Como eu disse antes, o Metallica tem essa tendência de arrancar opiniões das pessoas. Tenho orgulho de que sejamos os primeiros, e tenho certeza que 99,9% das pessoas vão gostar disso.
Na Inglaterra, há um histórico com o festival de Donington que talvez seja mais pro rock, e com o Sonisphere. Mas olhe para o festival de Reading. Começou como um festival de folk. Daí, no fim dos anos 70, e ao longo da maior parte dos anos 80, ele foi primariamente um festival bastante hard rock. E agora Reading e Leeds acharam um ponto que parece ser um grande equilíbrio entre o rock e o alternativo e coisas diferentes. Eu não sei – eu não sou o tipo de cara que acompanha muito essas coisas, porque o que fazemos no Metallica é pregar união – sem querer soar piegas quanto a isso. Nós pregamos unidade, e sempre fomos os líderes na quebra de barreiras e fronteiras musicais. Mas eu tenho noção do fato que na Inglaterra algumas pessoas desenham do hard rock como algo menor e não tão valioso, ou não tão importante quanto os outros gêneros. E eu nem vou falar muito disso. È bobo demais.
Ao longo das décadas, o hard rock por vezes não se ajudou ao adotar clichês e machismo e falta de visão. Mas isso não se limita necessariamente ao hard rock. Quero dizer, eu acho que você pode mexer em qualquer gaveta musical e achar versões diferentes de clichês e mente fechada, então é do jeito que é. Mas, pra bom ou pra ruim, estamos chegando! E estamos empolgados pra cacete com isso. Se alguém tem algo a dizer, eu tenho aqui meus dois dedos médios, podem levar.
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