Mick Wall: "O Black Sabbath não inventou nada, não é pai de nada"
Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 12 de maio de 2015
O site BIG MUSIC GEEK entrevistou em maio de 2015 o lendário e icônico jornalista bretão MICK WALL, decano do jornalismo dedicado ao heavy metal no UK e no mundo, e, dentre vários temas abordados, um de seus mais recentes livros, uma biografia do BLACK SABATH – de quem Wall é amigo de longa data – e sua percepção um pouco inusitada sobre o legado musical do grupo.
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Abaixo, um trecho traduzido da conversa.
Todd: O que fez desse exato momento o certo para lançar [o livro] "Black Sabbath: Symptom Of The Universe"? Com histórias dos dois lados remetendo até os dias de "Heaven And Hell" [1980], eu imaginava que isso já tivesse sido lançado antes…
Mick: Porque eles estão em muita evidência de novo. Parece que eles finalmente chegaram a esse estágio onde, eu não acho que ninguém nunca sabe o que vem a seguir com o Black Sabbath, mas eu sinto de fato que, de certo modo, eles já completaram o ciclo. O fato de que eles fizeram aquele álbum com [o produtor] Rick Rubin e ele foi tão bem-sucedido, e a formação original ter gravado um novo álbum, exceto por Bill Ward, claro, mas essencialmente voltarem àquele som original, pareceu o momento apropriado para dizer, ‘Na real, qual é a história aqui’? Porque à medida que o livro desvia de seu curso para explicar, no começo, que eu cresci com o Black Sabbath, e acredite, eles eram uma das bandas mais atacadas do mundo. Eu acho que eram eles e o Grand Funk Railroad que eram considerados o que hoje em dia chamamos de stoner music, mas, naquele tempo, era como se você tivesse que estar louco sequer para sentir o que eles estavam fazendo. Eles eram bastante ridicularizados e agora todo mundo sempre diz, ‘Bem, eles criaram o Heavy Metal. Eles são os pais do Doom, Sludge, Stoner Rock e Thrash Metal. Todas as estradas levam ao Black Sabbath’. Nada disso é verdade. Eles eram uma excelente banda em seu auge, mas eles não são os pais de nada.
Todd: Além do grosso de todas as suas experiências com o grupo, o que lhe leva a se sentir de modo tão diferente a respeito deles? Ouvir dizer alguém tão próximo a eles fazer declarações tão ousadas é bastante diferente…
Mick: Eu acho que as pessoas que dizem isso são as que não viveram nos anos 70. Tal como explico no livro, o Sabbath costumava se chapar enquanto ouvia ao primeiro disco do Led Zeppelin. Eles queriam ser como Jimi Hendrix e eles queriam ser como o Cream. Geezer Butler idolatrava a [o baixista e vocalista do Cream] Jack Bruce. Eles não foram os primeiros de nada, eles só foram os últimos. Em parte, por causa daquela condição marginal, a música que eles expressavam naquele tempo e toda aquela postura deles, eu acho que, hoje em dia, pode-se dizer que eles passavam essa postura marginal, deslocada. Até mesmo os outros músicos achavam que eles eram uns idiotas. Eles não eram de Londres e eles não faziam parte da cena. Eu estou tentando pensar qual seria o cenário equivalente nos EUA. Costumava-se dizer que Birmingham era meio como Seattle, muito chuvosa e sombria, mas Seattle não é mais assim, e claro, tem muita banda boa lá. Era como se eles fossem do coração do Centro-Oeste, aquele tipo de viagem. Eles não eram considerados com nenhum valor, de jeito nenhum, quando eles estavam fazendo seu melhor material musical. Para mim, é meio que risível que esses moleques de hoje em dia que não eram nem nascidos quando aqueles álbuns estavam sendo lançados, de bandas que surgiram quando eles não eram sequer nascidos, agora estejam dizendo, ‘Oh, eles inventaram a parada’. Não, eles não inventaram. Eles não inventaram nada… eles apenas criaram a si próprios, e isso já é mais do que o bastante. […]
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