Vinil: comediante Denis Leary explica seu ódio pelo formato
Por Nacho Belgrande
Fonte: Digital Trends
Postado em 05 de agosto de 2015
"Sex & Drugs & Rock & Roll" é o título de um anti-hino punk de 1977 gravado por Ian Dury & The Blockheads, e agora também da imediatamente aclamada série televisiva do comediante DENIS LEARY [ele é roteirista e produtor da série, além de protagonista], cuja primeira temporada [com 10 episódios] está sendo exibida pelo canal FX nos EUA.
Nela, Leary interpreta a um cômico, perturbado e decadente band leader e passa por situações bastante prosaicas – ainda que todas bastante comuns a músicos no geral.
O site DIGITAL TRENDS conversou com o ator de 58 anos sobre sua relação com o rock e a música, e dentre as várias ramificações que o assunto poderia tomar, o modo pelo qual Leary consome música atualmente. A seu lado, estava outra integrante do elenco, Elizabeth Gillies. O que segue abaixo é a tradução de um trecho da entrevista.
[...]
Digital Trends: Eu vi os primeiros cinco episódios da série, e vocês todos parecem de fato estarem em uma banda de rock completamente disfuncional. Quantos nomes de bandas vocês analisaram até chegarem a The Heathens?
Denis Leary: Sabe, eu acho que antes de eu criar e ter escrito a série alguns anos atrás, esse nome já tinha passado pela minha cabeça. A minha banda se chama Denis Leary and the Enablers Featuring Rehab Horns. Então estamos sempre zoando com nomes de bandas, e é quase verdade que qualquer nome que você invente já esteja sendo usado por alguma banda. Mas The Heathens era um modo tão perfeito de descrever esses caras, e é provavelmente como eles teriam se intitulado naquela época.
Como vocês consomem música hoje em dia? Você curte streaming e Apple Music?
Leary: Eis o que penso, no papel de tiozão. Eu ODIAVA discos de vinil. Eu fiquei feliz ao vê-los sumirem. Eu não poderia ficar mais feliz ao ter um botão no meu telefone que eu possa apertar e ouvir minha música favorita. Neil Young – eu tentei ouvir ao que ele se referia [com o áudio em alta resolução e o Pono], mas eu não consigo ouvir a diferença. Eu estou feliz pra caralho com o acesso que tenho à música no momento. É fantástico.
Elizabeth Gillies: Eu estou contente por ter comprado o [aplicativo] Gramopohone para os falantes do iPhone. Tecnicamente, é o que sai do seu fone, mas ele soa como um disco de vinil. É desse modo que eu contribuo para obter o som de um vinil, mas você está provavelmente certo, Denis. É ser um pouco pretencioso.
Leary: Eu acho que essa geração está redescobrindo discos de vinil, mas eu disse a meus filhos, ‘Não me deem uma porra de um toca-discos, ou nenhuma porra de vinil". A última coisa que eu quero é limpar discos de novo. Nunca mais na minha vida.
Peraí, Denis, você não quer pegar a escova, e o líquido especial...
Leary: Não! Eu odeio essa merda!
Talvez o revival de discos faça com que as pessoas ouçam a álbuns inteiros, ao invés de ficarem escolhendo as músicas.
Leary: Eu nunca fui muito de álbuns. Eu era mais do tipo das músicas de 3, 4 minutos. Eu não gostava de rock progressivo, e eu não gostava de ‘Tommy’ – apesar de eu amar ao The Who, que são uma de minhas bandas favoritas de todos os tempos. Mas eu não sou do tipo que curte ‘Quadrophenia’ ou ‘Tommy’. Eu gosto de ‘My Generation’.
Um jornalista pediu que eu escolhesse 10 discos que fizeram diferença na minha vida, e eu escolhi 10 músicas. Ele queria 10 álbuns, mas eu não tenho como escolher 10 porras de álbuns. Teve que ser 10 músicas.
[...]
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