Rush: ouça o álbum de uma das primeiras bandas de Neil Peart
Por Vagner Cruz
Fonte: Rush Fã-Clube Brasil
Postado em 05 de novembro de 2015
A edição de dezembro / 2015 da revista norte-americana Drum! traz uma longa matéria escrita por Neil Peart, onde o baterista relembra toda sua carreira em estúdios de gravação - desde os trabalhos com sua antiga banda J.R. Flood até o último álbum com o Rush, Clockwork Angels. Confira trechos do relato:
Minha primeira experiência em um estúdio de gravação foi quando eu tinha aproximadamente dezessete anos, no período em que tocava há quatro ou cinco anos. Para registro, foi no começo de 1970 e a banda era a J.R. Flood, da minha cidade natal St. Catharines, Ontário. Ficamos muito emocionados ao sermos convidados por uma gravadora - na verdade, duas naquele ano - a fim de fazermos uma versão demo do nosso material original em um estúdio de qualidade profissional na "cidade grande", Toronto.
J.R. Flood era uma banda séria, minha primeira profissional "full-time", com Paul Dickinson na guitarra, Wally Tomczuk no baixo, Bob Morrison no órgão Hammond e Gary Luciani cantando. Um grupo de caras legais, disciplinados, dedicados - e divertidos. (Tive sorte.) Praticávamos duro durante todos os dias úteis no porão da família Dickinson. (A mãe do Paul certamente foi canonizada). Nos fins de semana, tocávamos em escolas e em pequenas casas de shows nos arredores da parte sul de Ontário. O que havia sido chamado de "danças" no início dos anos 60, se firmava como "concertos" por volta de 1970, quando quase todos na plateia ficavam sentados no chão do ginásio ou encostados nas paredes para ouvir e assistir. Um belo nível de atenção para um jovem músico sentir.
O J.R. Flood tocava covers de bandas que gostávamos (algumas do Santana e do Blood, Sweat & Tears, "Teacher" do Jethro Tull, "April" do Deep Purple é o que consigo me lembrar rapidamente), e tínhamos um pequeno repertório de canções originais (entre elas minhas duas primeiras tentativas em letras, "Gypsy" e "Retribution").
Foi uma grande coisa para nós, correto, e uma experiência inesquecível estar em um estúdio de gravação pela primeira vez. Por um lado (isso me ocorre agora), nós nunca havíamos nos escutado no ofício! Impossível imaginar isso hoje, mas não havia dispositivos de gravação baratos naquele tempo, muito menos câmeras de vídeo (até onde sabemos, apenas um único clipe silencioso do J.R. Flood feito numa Super-8 capturado por meu pai sobrevive). Tenho certeza que é verdade que nunca tínhamos ouvido nós mesmos sob qualquer formato.
Todas as nossas músicas eram longas, em média com cinco ou seis minutos, com duas por volta de dez minutos. Um daqueles épicos era encantadoramente intitulado, "You Don't Have To Be A Polar Bear (To Live In Canada)" ["Você Não Tem Que Ser Um Urso Polar (Para Viver no Canadá)"]. Os arranjos eram intrincados, incluindo longas passagens instrumentais com solos, pontuadas por seções em conjunto bem difíceis e versos e refrões ocasionais.
Nos últimos anos, consegui localizar, reviver e rever aquelas fitas velhas em mono do J.R. Flood, e elas contam muitas histórias.
Desenterrei recentemente aquele antigo gravador de rolo com fitas mono "ressuscitadas" por um especialista em arquivos. Como foi engraçado me ouvir aos 18 anos, com mais ideias do que habilidade, mais energia do que controle e mais influências do que originalidade - uma mistura crua de Keith Moon, Mitch Mitchell, Michael Giles e dos bateristas de Toronto Dave Cairns do Leigh Ashford e Danny Taylor do Nucleus.
Ouça na íntegra o disco demo do J.R. Flood, gravado em 1970 com o jovem Neil Peart:
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