Cozy Powell: Em entrevista, baterista entregou podres e curiosidades de ex-bandas

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Por Lucas Esteves, Fonte: Jornalista Joe Geesin, Tradução
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Em 1996, o lendário baterista COZY POWELL concedeu uma entrevista ao jornalista musical Joe Geesin em que aproveitou para exibir diversos podres e curiosidades das diversas bandas das quais fez parte. A despeito da idade da conversa, não é muito comum achar declarações do músico, morto no ano de 1998, o que justifica – inclusive por parte do próprio autor em seu site oficial – a divulgação do papo quase 20 anos depois.

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Em uma viagem pela carreira de Powell, uma série de histórias curiosas são contadas por ele sobre suas participações em bandas como BEDLAM, JEFF BECK GROUP, RAINBOW, MICHAEL SCHENKER GROUP, BLACK SABBATH, entre outras. Mas são sobre os grupos mais famosos, certamente, as declarações mais interessantes.

Confira os melhores trechos:

RAINBOW

Joe Geesin: Ritchie Blackmore estava bem desesperado por um baterista quando você fez o teste.

Cozy Powell: Sim, eu era o número 80, ou 77, alguma coisa assim. Eu ouvi algumas histórias engraçadas sobre Ritchie ser difícil com bateristas. Aparentemente um cara chegou, arrumou todo o kit de bateria, levou todos os cases para fora e trocou de roupa ali do lado, vestindo uma outra toda preta e com luvas pretas. Quando disse que estava pronto, Ritchie falou: “tire-o daqui”. O pobre nem sequer tocou uma nota! Eu lembro desse teste. Recebi uma ligação na noite de quarta-feira do meu agente e fui pra Los Angeles de avião pela manhã. Saindo do avião, entrei no hotel e desci direto pro estúdio, sem tempo pra fazer nada e em um kit que eu nunca tinha visto na vida. Havia umas 100 pessoas lá olhando pra mim como se eu fosse um garoto dourado que tinha sido trazido da Inglaterra a um preço altíssimo. A primeira coisa que ele me perguntou foi “você sabe tocar um shuffle (padrão rítmico de bateria bastante associado ao blues)?”. O que acha disso? E BANG!, comecei a tocar e 20 minutos depois “está contratado”.

Joe: Rainbow Rising é considerado pelos fãs um álbum clássico do rock.

Cozy: Acho que é um dos melhores álbum que eu gravei, em retrospecto. Tinha duas ou três faixas que realmente ficaram fantásticas, que resumiram toda a música que estava sendo feita na época, quando o rock pesado estava formando a sua cara. Eu toquei bem forte. Tive que desenvolver todas essas coisinhas que, depois, foram copiadas até a morte e eu fico muito orgulhoso disso. Fizemos o álbum muito rápido em Munique. A maioria das faixas foi feita em dois ou três takes. “A Light In The Black” foi feita no primeiro take. Você não pode simplesmente parar e tocá-la de novo. Foi feita na época antes de haver edições. Decidimos como fazer e começamos a ensaiar. Eu disse a Ritchie: “eu vou fazer, então não se preocupe com a guitarra. Podemos adicioná-la depois, mas vamos cuidar das bases antes”.

Joe: Você mantém contato com músicos como Tony Carey?

Cozy: Não. A última vez em que vi Tony foi quando ele e as malas dele estavam saindo do chateau (onde o Rainbow gravava “Long Live Rock n’ Roll”) depois que tentamos trancá-lo no seu quarto. Tony infelizmente fazia parte do lado sombrio do Rainbow no qual, se Ritchie não gostasse de alguém na banda, pregaria peças terríveis nessa pessoa. E ele odiava tecladistas. Ele fez umas coisas horrorosas a Tony Carey. Tem uma canção chamada “LA Connection” que, se você ler a letra, é sobre Tony Carey deixando o chateau onde estávamos gravando. Fizemos a vida dele ser uma merda, pra falar a verdade. A última vez em que o vimos, ele estava pegando um táxi para ir ao aeroporto e voltar a Los Angeles. Ele era um tecladista muito bom e eu gostava dele até certo ponto. Ele era muito pretensioso. Se você é desse jeito com Ritchie Blackmore, então adeus. Seria queimado na fogueira.

Joe: Seu último show com o Rainbow foi em Donnington 1980.

Cozy: Acho que eu explodi o equipamento do Judas Priest. Estava fazendo testes com explosivos porque queria ser sentido pelas pessoas do fundo da plateia, então usei gelignita (explosivo de aspecto gelatinoso). Destruiu o PA. Então, Graham Bonnet se esqueceu da letra de “Stargazer” e da maioria das músicas, na maioria do tempo, na verdade.

Joe: Foi por isso que ele foi demitido do Michael Schenker Group?

Cozy: Já ouvi todo tipo de história sobre isso. Aparentemente ele estava no palco da Universidade de Leeds e não se dava muito bem com Michael Schenker. Então no meio do setlist ele disse à plateia que um roadie ficava atrás dos equipamentos tocando guitarra-base. Então, ele mandou: “é isso o que vocês ouvem de verdade de Michael Schenker!” e disse à equipe de luzes pra iluminar o ponto onde o roadie estaria. Depois, aparentemente tirou o pau pra fora e mijou no palco. Um charme!

MSG

Joe: Pouco depois (de tocar em uma série de álbuns solo de colegas músicos), você entrou para o Michael Schenker Group.

Cozy: Simon Phillips fez o primeiro álbum e eles estavam procurando alguém que pudesse fazer o que ele fez. Dei conta do recado. O álbum “Live At Budokan” foi bom. Na época, tive um pouco de infecção alimentar. Tínhamos literalmente acabado de chegar no Japão e alguns de nós tínhamos comido a comida do serviço de bordo, então metade da equipe e da banda ficou doente. Eu fui um dos que sofreu mais. Devia haver umas 12.500 pessoas no local do show, o estúdio móvel estava lá, e enquanto o cara (no palco) dizia “senhoras e senhores...”, eu ainda estava vomitando nos bastidores. Entrei no palco quase morrendo, Deus sabe como foi que ficou tão bom. Como fiz isso?

WHITESNAKE

Joe: Então você começou a tocar com o Whitesnake.

Cozy: Foi na turnê do “Saints Na’ Sinners”, com Micky Moody, Colin Hodgkinson, Jon Lord, Mel Galley. Então, no “Slide it In” Colin tocou baixo, mas Neil Murray entrou e fez umas substituições, tocou de novo algumas coisas. John Sykes entrou também e fez a turnê. Esse foi musicalmente o período mais bem-sucedido do Whitesnake. “1987” foi melhor financeiramente, e as pessoas dizem que “Still Of The Night”, da qual eu gosto, era um plágio total do Zeppelin. “Slide It In” foi o último álbum que teve crédito. Depois ele (David Coverdale) pegou músicos de estúdio e não era mais o Whitesnake. John Sykes levou um pé, como todos nós. Eu saí com um problema sobre contrato, o que é triste. Me ofereceram um acordo, um aperto-de-mãos, se você preferir, e esse acordo não foi honrado. Se tivesse sido, eu teria ganho muito dinheiro. Aquele álbum vendeu 17 milhões (de cópias).

EMERSON, LAKE & POWELL

Joe: Você esteve em um monte de bandas. Você chegou a deixar alguma delas por causa de discussões pesadas?

Cozy: Não. Eu deixei o Rainbow depois de 5 anos e ele seguiu o rumo dele. Não achava que Ritchie estava mais acreditando na banda. Apesar deles terem tido sucesso depois que saí, não achava que Ritchie estivesse tocando como poderia. Eu pensei que precisava de uma mudança. Do MSG saí porque eles estavam entrando num problema muito sério com drogas do qual eu não queria fazer parte. Eu estava sendo arrastado e estava ficando ridículo. E os empresários estavam colocando a banda em situações terríveis, estávamos fazendo datas horrorosas. Estávamos nos matando. Sair disso pro Whitesnake foi muito melhor. Do Whitesnake saí por conta de disputa contratual. O ELP foi queimado pelo seu próprio vapor. Lake e Emerson estragaram tudo pela milionésima vez e infelizmente tínhamos assinado contrato para dois álbuns e turnês. Pegamos adiantamentos para os dois álbuns e eles tiveram a discussão número 575 e decidiram que não podiam trabalhar mais juntos de novo. E aí tinha eu no meio dos dois pensando que havíamos acabado de assinar esses contratos...

Joe: E a turnê nunca chegou à Inglaterra.

Cozy: Foi uma grande turnê e possivelmente a mais desafiadora que já fiz, musicalmente falando. Aproveitei muito a turnê e estar na banda, mas por causa de Greg e Keith nunca iria dar certo. Eles se juntaram de novo depois disso, mas como você pode trabalhar com gente que você não aguenta? Bem, claro que pode, eles voltaram porque lhes foi oferecido um monte de dinheiro. Estavam todos em dificuldades financeiras e tiveram de fazê-lo. Keith é um grande músico, me inspirou um pouco, e Greg, ele é seu pior inimigo em alguns aspectos, mas um grande músico e um bom cantor.

BLACK SABBATH

Joe: No meio-tempo (após a saída de Cozy no fim da turnê de “Tyr”), o Sabbath fez dois álbuns. Você foi convidado a voltar?

Cozy: Eles não fizeram isso bem. Eu tive um acidente com um cavalo e fui chutado da banda sem nenhuma cerimônia. Ronnie Dio voltou e não me queria na banda de qualquer maneira. Eu recusei fazer o álbum solo dele pra ficar no Rainbow, talvez isso tenha sido um fato importante. Ele levou um pé na bunda do Rainbow e me perguntou se eu ficaria com ele e deixaria Ritchie, e desde então ele me odeia. Mas então acabei sendo chamado de volta e tentei recriar o mesmo espírito que havia quando fiz “Headless Cross”. Infelizmente, dessa vez não estava lá, não sei porque. Talvez as pessoas mudem com os anos, teve umas coisas que não deram certo, e então eles trouxeram um produtor que nunca tinha feito um álbum de rock antes. As ideias dele, quer fossem boas ou ruins, foram com a bateria, então meu som saiu pela janela. Eu estava muito infeliz com o som do kit e com a maneira com a qual toquei. Eu não poderia promover “Forbbiden” e dizer que era a melhor coisa que tinha feito quando não acreditava nisso. Eu neguei a turnê promocional porque achava que, se fosse para fazer daquele jeito, melhor seria não fazer. Fizemos uma turnê nos Estados Unidos que foi absolutamente horrenda, possivelmente a pior que já fiz. Foi muito mal agendada, o agente americano marcou tudo de última hora, não estávamos atraindo a plateia que queríamos, a gravadora não estava apoiando a banda. Foi uma época muito difícil. Eu também estava com problemas pessoais. Precisava de um tempo fora da estrada e não podia ter, porque eram compromissos durante 8 meses. Então disse ao empresário que terminaria a turnê americana e sairia, para ele arrumar um substituto.

Entrevista completa (em inglês) no link abaixo.

http://www.joegeesin.com/cozy-powell.htm

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