Max Cavalera: ele não aprova falas de Bolsonaro sobre índios e negros
Por Igor Miranda
Fonte: Reading Eagle
Postado em 15 de fevereiro de 2019
O vocalista e guitarrista Max Cavalera (Soulfly, Cavalera Conspiracy, ex-Sepultura) falou um pouco sobre o atual momento da política brasileira em entrevista ao site americano Reading Eagle. O músico fez críticas ao presidente eleito, Jair Bolsonaro, mas demonstrou otimismo ao dizer que "tudo passa", inclusive o mandato do político em questão.
O assunto veio à tona após Max Cavalera falar sobre a música "The Summoning", presente no álbum mais recente do Soulfly, "Ritual". A letra da canção aborda a exploração de povos nativos ao longo da história. "É um dos assuntos de maior tabu na humanidade. É uma idade das trevas o que aconteceu na América do Sul, América Central e América do Norte, com o estupro dos povos indígenas. E isso ainda continua", afirmou.
Em seguida, Max falou sobre a situação atual de seu país. "O Brasil tem um histórico de líderes corruptos, (embora) tenhamos alguns bons presidentes que fizeram algumas coisas para o páis. Eu estava lá quando ele (Bolsonaro) foi eleito e era um clima muito estranho. Foi similar a quando (o presidente dos Estados Unidos, Donald) Trump foi eleito aqui. Metade do país votou nele; a outra metade, não", disse.
O músico, então, pontuou suas críticas a Bolsonaro. "Eu me sinto muito negativo sobre as coisas que ele diz a respeito de índios e negros. Ele não liga para a comunidade indígena. É a coisa que mais me incomoda", afirmou.
Por fim, Cavalera destacou sua esperança no futuro. "A política é tão suja. Todos eles são corruptos. (Mas) Tudo passa. Até esse cara vai passar e outra pessoa virá e esperamos que seja alguém melhor", disse.
Em entrevista anterior ao UOL, concedida em novembro de 2018, Max e seu irmão, o baterista Iggor Cavalera, também falaram sobre política e deixaram suas posições um pouco mais evidentes. Max por exemplo, disse que sempre quis fazer música "para o pessoal oprimido". "A nossa música vem da raiva, mas é um ódio contra a intolerância, contra o que a gente acha errado", disse ele, que é crítico de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, mas falou com certa cautela sobre o Brasil.
Iggor, por sua vez, foi mais pontual em seus comentários. "Acho que se um fã acaba sendo conservador, ele não está entendendo muito o que estamos falando, qual é a nossa mensagem. Mas, ao mesmo tempo, a gente tenta não ser uma banda totalmente politizada. São opiniões que a gente dá e colocamos alguns fatos para as pessoas analisarem", disse.
"Ao mesmo tempo, vejo que essa subida do lado direito, da extrema-direita, no mundo inteiro, é uma coisa muito perigosa e é algo que sempre lutamos contra, desde o início, e vamos continuar", completou Iggor.
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