The Dirt: uma análise após o "boom" inicial
Por Alexandre Veronesi
Postado em 18 de abril de 2019
Nota: 7 ![]()
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Cinebiografias musicais estão definitivamente em alta. Após o estrondoso sucesso de "Bohemian Rhapsody", obra que retrata a carreira da banda Queen, aclamada pelo público (mas não tão bem aceita pela crítica especializada), e "Lords Of Chaos", que narra o conturbado início da cena Black Metal norueguesa, já estamos na iminência do lançamento de "Rocketman", filme do pianista e cantor Elton John, sem falar da recém anunciada vindoura película que contará a história do Sex Pistols, ícone da música Punk. A bola da vez é "THE DIRT", original Netflix baseado no livro autobiográfico de mesmo nome, do ano de 2001, que conta a história do lendário grupo de Heavy Metal / Hard Rock MÖTLEY CRÜE, formado por Nikki Six (baixo, membro fundador), Tommy Lee (bateria), Mick Mars (guitarra) e Vince Neil (vocal).
O roteiro segue aquele padrão já muito bem estabelecido em filmes do gênero: início, ascensão, queda e redenção. Ao contrário de seu primo famoso (no caso, "Bohemian Rhapsody"), "THE DIRT" faz questão de evidenciar todos os excessos relacionados a sexo, álcool e drogas que renderam ao Mötley Crüe a reputação de ser uma das bandas mais insanas da história do Rock. Agindo em pról das polêmicas, o longa infelizmenteacaba deixando a música um pouco de lado, pois apesar de conter boas recriações de shows e videoclipes, faltam, especialmente, cenas da banda em processo de criação e composição, o que deveria ser primordial em uma obra desta natureza.
A direção ficou a cargo de Jeff Tremaine, conhecido por seu trabalho em Jackass, famosa série exibida na MTV no início dos anos 2000, e que ganhou 4 longas-metragens, todos dirigidos por Tremaine. Isto provavelmente explica o fato de "THE DIRT" conter um grande número de cenas altamente espalhafatosas, como quando Tommy Lee corre alucinadamente (de cueca) pelos corredores de um hotel, além do famigerado momento em que Ozzy Osbourne cheira uma carreira de formigas e lambe urina do chão (a sua própria, e também a de Nikki Six). Toda essa necessidade em elevar a loucura sempre a níveis exacerbados e extremos faz com que a obra seja parcialmente exagerada e caricata. Por outro lado, a cômica cena de abertura do filme, e os takes que mostram o dia-a-dia de Lee durante a turnê, por exemplo, funcionam muito bem e podem até arrancar alguns risos do espectador.
O elenco, como um todo, é somente funcional, e o trabalho de construção dos personagens acaba sendo bastante questionável em determinados casos, como no de Tom Zutaut, futuro executivo do ramo musical, à época funcionário da Elektra Records, responsável por intermediar a relação entre gravadora e banda, que é mostrado aqui como um sujeito bobo, ingênuo e relativamente inexpressivo.
Entre os destaques do enredo, temos as cenas da trágica morte de Nicholas 'Razzle' Dingley, baterista do Hanoi Rocks, em acidente causado por um Vince Neil completamente embriagado; a overdose de heroína sofrida por Nikki Six, quando sua vida ficou por um fio; e o triste falecimento de Skylar, filha de Neil, aos 5 anos de idade, em decorrência de um câncer nos rins. Diversos acontecimentos, é claro, são romantizados, como o retorno do vocalista ao grupo, que se dá no terceiro ato do filme. Porém, são apenas liberdades poéticas, e não possuo ressalvas em relação a isto.
Em suma, "THE DIRT" não é um filme para se amar, nem para se odiar. Um tanto aquém das expectativas, sim, mas é divertido, bem-humorado, e entrega uma dose satisfatória de entretenimento ao fã de cinema e Rock n' Roll. Vale a pena conferir!
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