O emo: O estilo está de volta?
Por Mario Gomes
Postado em 05 de julho de 2019
O emo talvez seja um dos gêneros musicais mais descriminados no guarda-chuva do rock, o preconceito era tanto que muitas das principais bandas do movimento não se julgavam emo, nem gostavam de serem rotuladas assim. A exemplo da Fresno no Brasil, e o My Chemical Romance nos Estados Unidos.
A premissa do estilo era mostrar a fragilidade humana, desde admitir sofrer por amor; não se enquadrar nos padrões; sentir-se solitário; etc. Uma temática introspectiva que ia diretamente contra o MACHO do rockstar tradicional e era muito mais condizente com o público jovem da época. Algo que o grunge já havia feito a sua maneira, mas com as diferenças estéticas tanto sonoras quanto de vestuário, o emo logo foi encarado não como humano e realista, mas como extremamente sentimental, depressivo e homossexual (principalmente por grupos intolerantes).
Tendo esta polarização na recepção inicial, incluindo criação de grupos anti-emo, e agressões verbais e físicas, o subgrupo urbano característico ficou reduzido e muitas pessoas só confessariam ouvir as bandas anos depois. O que ocasionou em um surgimento de festas emo e uma nova geração de bandas influenciadas por volta de 2010, com novos elementos (incluindo uma forte influência do indie rock) e uma vestimenta mais casual, o que começou a ser anunciado como a volta do emo ao mainstream: Emo Revival, representado por grupos como Modern Baseball e The Front Bottoms.
Entretanto apesar do otimismo da crítica o movimento continuou no underground, ocasionado em parte pela ascensão do rap que estava começando a ser menos um movimento de crítica social e ostentação da vida no crime, e começando a abordar temas mais introspectivos e mais facilmente relacionáveis, vale destacar artistas como Kanye West e Kid Cudi como responsáveis por essa migração.
Enquanto as grandes bandas de rock começaram a adotar elementos eletrônicos para tentar manter seu status e os rappers já começavam a ocupar o palco principal de grandes festivais, uma nova fusão entre os gêneros começava a ser estruturada no cenário underground.
O emo rap não demorou para começar a fazer barulho no SoundCloud, assim como as bandas emo dos 00's faziam no My Space. Liderado por artistas como Lil Peep (RIP), XXXtentacion (RIP) e mais recentemente Juice WRLD, não só as linhas vocais trazem influências diretas das bandas emos, como os instrumentais carregam samples de clássicos da década passada, trazendo algo ao mesmo tempo novo e nostálgico. Não poupando em detalhes o novo emo trouxe uma estética musical e de vestimenta, assim como foi no ápice do gênero. Os temas continuam seguindo a norma, porém adicionando diversos tópicos da juventude atual, como a ansiedade pela velocidade da comunicação na internet contrastando com a velocidade normal das coisas na vida, o abuso de remédios controlados, a depressão da geração pós-crises econômicas de 2007 (EUA) e 2009 (Europa), e a felicidade consumista.
No Brasil, apesar do lado emocional estar fortemente representado em todos os gêneros musicais da atualidade, a queda do rock foi maior aqui e o emo rap continua sem sair do underground, mas está ganhando força com artistas como Olvr Rapha, Lucas A.R.T. e JF.
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