Rage In My Eyes: Temática lírica do novo álbum aborda temas existenciais
Por Maicon Leite
Fonte: Maicon Leite
Postado em 09 de setembro de 2019
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Buscando não apenas um diferencial sonoro, mas também lírico, a banda gaúcha RAGE IN MY EYES aborda uma temática bastante complexa em seu novo álbum, "Ice Cell". A começar pela arte mais obscura com sua mascote Sage, em trabalho realizado pelo artista gráfico Tiago Masseti, o álbum foca em temas humanos, como explica o guitarrista Leo Nunes: "Podemos dizer que "Ice Cell" é um álbum existencialista, narrando uma vida que, tendo-se encontrado aprisionada em um niilismo subjetivista, dá-se conta de sua frieza e de sua esterilidade metafísica, e então experiência uma espécie de renascimento, ou despertar, que não é senão um dar-se conta da urgência pela busca de uma unidade individual e da harmonização desta unidade com a unidade total do ser.". Segundo o guitarrista, alguns dos temas comuns de Ice Cell são a apatia, o egocentrismo, a ganância, a morte interior e a ausência de um sentido transcendente para a própria existência, como por exemplo, nas letras de "Death Sleepers", "Blank, Surrounded By Black Mirrors" e "Inner Fate". Em "Hole in the Shell", e, sobretudo em "Draft of Illusions", ao contrário, apresenta-se o tema da superação, de uma síntese interior que liberta o personagem das antinomias de uma existência restrita ao imanente.
A temática de "Ice Cell" é bastante complexa, e será ainda exposta com maior clareza em outros trabalhos. Essa continuidade na exploração do tema tornará mais clara, à medida que novos trabalhos forem lançados, a significação total das músicas. E essa ressignificação que se experimentará na apreciação do disco, não mais em si mesmo, mas à luz do seu conceito geral, ao apontar para a ideia de uma inesgotabilidade da arte, também proverá ao ouvinte a experiência pathica de um dos elementos centrais da temática de "Ice Cell". O nome "Ice Cell" (célula gelada, ou cela gelada), além de servir como símbolo desta esterilidade metafísica — e isto se torna mais claro quando se olha para a imagem da capa —, faz referência a um tipo de cosmogonia moderna que formou a cosmovisão do personagem central, na história do disco. Leo afirma ainda que a banda busca, com esse trabalho, representar os principais elementos da cosmovisão de nossa época. "Os dramas que mais comumente, e que com maior pujança, afligem o homem moderno estão dados esquematicamente, de alguma forma, na temática de Ice Cell.".
"Ice Cell" foi gravado entre 2017 e 2018 nas cidades de Los Angeles (EUA) e Porto Alegre (Brasil) e teve sua produção conduzida por Magnus Wichmann no Magneto Studio (Brasil) e Daufembach Studio (EUA). A mixagem e masterização foi feita em Los Angeles e ficou a cargo do renomado produtor brasileiro Adair Daufembach. O trabalho realizado com Daufembach mostrou-se muitíssimo bem acertado, como relatou Francis: "Desde que começamos o processo de gravação tínhamos em mente fazer um trabalho bem orgânico, que soasse moderno, mas que ainda carregasse alguma sonoridade clássica do Heavy Metal. Sinto que atingimos nosso objetivo, e a resposta do público tem sido excelente! Não vemos a hora de mostrar estas músicas ao vivo em nosso próximo show, no dia 09 de outubro, com o Iron Maiden em nossa terra natal, Porto Alegre!".
Jonathas Pozo (vocal), Magnus Wichmann e Leo Nunes (guitarras), Pedro Fauth (baixo) e Francis Cassol farão a abertura para o Iron Maiden na Arena do Grêmio, em Porto Alegre, e prometem tocar com sua nova indumentária tradicionalista, fazendo jus aos arranjos gaúchescos contidos no novo álbum.
Ouça "Ice Cell" no Spotify:
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