Funarte: Maestro que ligou rock a aborto e satanismo é exonerado de novo
Por Igor Miranda
Fonte: O Estado de S. Paulo
Postado em 05 de maio de 2020
Dante Mantovani, maestro que voltou à função de presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte) na manhã desta terça-feira (5), foi exonerado novamente. A medida foi tomada pelo presidente Jair Bolsonaro, que tornou sem efeito o ato publicado no Diário Oficial da União (DOU), devolvendo o cargo.
A jornalista Eliane Catanhêde, do jornal 'O Estado de S. Paulo', apurou que a decisão tomada por Bolsonaro "atendeu a pressões de dentro e de fora" do Palácio do Planalto. Ainda segundo a publicação, a secretária da Cultura, Regina Duarte, almoçará com o presidente da República na quarta-feira (6) para "tentar amenizar o descontentamento de lado a lado".
Mantovani havia sido reconduzido à função de presidente da Funarte na manhã desta terça (5), em edição do DOU e com assinatura de Braga Netto, ministro chefe da Casa Civil. Ele foi efetivado pela primeira vez no fim de 2019 e exonerado meses depois, em março de 2020, após decisão de Regina Duarte, que havia acabado de assumir a Secretaria de Cultura do governo federal.
Curiosamente, o maestro havia dito nas redes sociais que o governo de Bolsonaro é "inspirado pela verdade", por isso, retornou ao cargo. "Levaremos arte e esperança para todo o Brasil, no momento em que nossa civilização mais precisa", declarou.
Dante Mantovani gerou polêmica, ainda em 2019, ao falar sobre o rock em vídeo no YouTube. Na filmagem, publicada no fim de outubro e retirada do ar posteriormente, ele busca fazer uma relação entre os Beatles e a Escola de Frankfurt, vertente de teoria social e filosófica que tinha Theodor Adorno e Max Horkeimer como principais referências.
No vídeo, o maestro afirma que os Beatles exerceram as ideias da Escola de Frankfurt, que, de acordo com ele, buscava destruir a cultura ocidental. O foco principal era acabar com as famílias tradicionais, tidas como "base" do capitalismo. Ele declarou, ainda, que agentes comunistas infiltrados na Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) distribuíram a droga LSD para o público do festival Woodstock. O evento, realizado em 1969, ficou marcado como o auge da contracultura hippie.
"Existe toda uma infiltração de serviços de inteligência dentro da indústria fonográfica norte-americana que se não levarmos em conta, não vamos entender nada. A União Soviética mandou agentes infiltrados para os Estados Unidos para realizar experimentos com certos discos realizados para crianças. Esses agentes iam, se infiltravam e iam mudando, inserindo certos elementos para fazer engenharia social com crianças. Daí passaram para música para adolescentes", disse ele, em trecho transcrito pelo site do jornal O Globo.
Ao mencionar Woodstock, Dante Mantovani pontuou a teoria dos agentes infiltrados da CIA. "Mas como (a distribuição de drogas era feita) pela CIA? Tinha infiltrados do serviço soviético lá. [...] O rock ativa a droga que ativa o sexo que ativa a indústria do aborto. A indústria do aborto por sua vez alimenta uma coisa muito mais pesada que é o satanismo. O próprio John Lennon disse que fez um pacto com o diabo", afirmou.
Em março de 2020, além de Dante Mantovani, foram demitidos Camilo Calandrelli, da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura; Reynaldo Pereira, da Secretaria da Economia Criativa; Marcos Azevedo, Secretário de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual; e Rodrigo Junqueira, Secretário de Difusão e Infraestrutura Cultural. Outro nome dispensado foi Paulo Cesar Brasil, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
Na época, de acordo com o jornal 'O Globo', todos os gestores foram exonerados a pedido de Regina Duarte, que buscava reaproximação da Secretaria da Cultura e do governo federal com a classe artística brasileira.
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