Kiko Loureiro: como o álbum "Open Source" vai de Wikipédia a Bauman sem letras
Por Igor Miranda
Fonte: Guitarload
Postado em 17 de setembro de 2020
O guitarrista Kiko Loureiro conversou sobre "Open Source", seu novo álbum solo, em entrevista à revista online Guitarload. Durante o bate-papo, o músico do Megadeth e ex-Angra falou a respeito da ideia por trás do disco, que explora o conceito do mundo virtual, com seus lados positivos e negativos, mesmo sendo 100% instrumental, sem letras.
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"'Open Source' é inspirado na questão do mundo como a gente vê hoje, do virtual com o real, como o virtual está presente na nossa vida. Há os dois lados. O positivo é esse lado 'open source' ('código aberto'): colaborativo, criando coisas fantásticas para a humanidade. Grandes empresas como o Google, YouTube, Wikipédia, Uber, todos criam tecnologias fantásticas a partir do uso colaborativo das pessoas. Quanto mais as pessoas usam, melhor fica o produto. Há a democratização da cultura, do conhecimento... um cara no Paquistão pode aprender a tocar violino com o melhor músico da França graças à internet", afirmou, inicialmente.

Sobre o lado negativo, Kiko apontou: "Tem a ansiedade, o vício, as doenças a partir disso, pessoas completamente viciadas nas redes sociais... você se compara com o mundo. No álbum, tem várias mensagens dessa forma. A mais clara foi o videoclipe de 'EDM (e-Dependent Mind)', mas tem os títulos das músicas, como 'Liquid Times', baseada em um livro de Zygmunt Bauman. Os próprios convidados refletem isso de certa forma. O Marty Friedman (ex-Megadeth) no sentido de sermos comparados e a busca da música como competição. O Mateus Asato, por já ter surgido na internet, traz a ideia de que todos estão sendo medidos com curtidas e eu, com 48 anos, não vivi isso por um bom tempo da minha carreira".
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O músico também destacou que a capa do álbum, desenhada por Gustavo Sazes, mostra "a parte colaborativa da mitose, da divisão celular". Em seguida, exemplificou a ideia com mais uma das músicas da tracklist. "O próprio título 'Running With the Bulls', ele leva pra um lado flamenco, com os caras correndo com os touros. Imagina: você se coloca numa situação em que você pode morrer. E você fica na internet sabendo que faz mal, mas você fica naquilo", afirmou.

A campanha de divulgação de "Open Source" buscou, ainda, explorar o lado positivo da internet com sua campanha de financiamento coletivo e a disponibilização gratuita das tracks de gravação, para que outros músicos produzirem suas versões das mesmas músicas. "Liberei as tracks para os músicos criarem suas versões, tocar por cima, e de repente aparecem coisas mais legais que as minhas. É o lado positivo da internet, da colaboração", disse.
O papo sobre a obra de Zygmunt Bauman - mais especificamente, o livro "Amor líquido: Sobre a fragilidade dos laços humanos" - foi um pouco além. Em "Liquid Times", que traz participação de Mateus Asato, Kiko Loureiro procurou representar a ideia da "liquidez" em vários sentidos.

"'Liquid Times' tem um som 'líquido', com melodias em delay, harmônicos e notas longas. O que seria mais líquido musicalmente do que um harmônico? Os caras até chamam de 'cascade', harmônicos em cascata. O 'verso' da música transita entre acordes maior e menor, sem tonalidade definida - é líquido. As ideias aparecem com o tempo, você vai ligando os pontos. O título do rascunho dessa música era 'mi maior, mi menor', daí veio a ideia com o Bauman. Nem estou tentando parecer um cara que manja muito, mas li o livro 'Amor líquido' na época que lançou e é um conceito cada vez mais presente. Ele falava dos anos 70 a 90, nem pensava em internet. O amor líquido veio, provavelmente, enquanto ele via os índices de divórcio que tinha nos anos 90, mas a ideia se aplica ao Tinder. Pensa bem: se o cara navega um pouco, com certeza tem alguém melhor para ele namorar", afirmou.

A entrevista completa de Kiko Loureiro estará disponível para leitura, gratuitamente, até o fim deste mês, no site da revista online Guitarload.
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