Led Zeppelin: como eles mudaram a indústria da música evitando singles e TVs
Por Igor Miranda
Postado em 13 de janeiro de 2021
O Led Zeppelin representou não apenas uma revolução musical: a banda também apresentou formas diferenciadas de se fazer negócios no meio fonográfico. Um dos detalhes mais curiosos da trajetória do grupo era evitar lançar suas canções como singles, privilegiando os álbuns, e não participar de programas de TV.
A revista Classic Rock entrevistou Phil Carson, que trabalhava na operação internacional da Atlantic Records, gravadora do Led Zeppelin, na época em que a banda estava na ativa. Posteriormente, Carson se tornou vice-presidente da empresa - e certamente aprendeu com o grupo e seu empresário, Peter Grant.
O executivo detalhou como era trabalhar com o Zeppelin no âmbito dos negócios. "O acordo com eles mudava a forma como as coisas eram feitas, porque eles demandavam enorme controle. Eles controlavam quais singles seriam escolhidos de cada álbum, controlavam a capa dos discos, controlavam o processo de masterização - o próprio Jimmy Page (guitarrista) masterizava cada álbum. A Atlantic não tinha voto algum nessas questões", disse.
Curiosamente, sem o consentimento da banda, algumas músicas eram editadas e lançadas como singles em outros países, como nos Estados Unidos. No Reino Unido, terra natal dos músicos, a proibição era expressa: nada de compactos, já que a ideia era que os fãs comprassem e ouvissem os álbuns inteiros.
"A ideia de Jimmy era que você deveria ouvir o álbum inteiro. Na época, eu ia a uma rádio com Jimmy e o DJ colocava um lado inteiro do 'Led Zeppelin II' (álbum de 1969) para tocar. Outros DJs escolhiam faixas diferentes. Às vezes, havia consenso sobre lançar uma música como single. Foi assim que 'Whole Lotta Love' se tornou o primeiro grande single deles: ela foi editada para ficar mais curta, o que gerou muita confusão. No fim, eles concordaram que o single poderia sair, mas não ser vendido nas lojas", contou Phil Carson.
Outra decisão curiosa do Zeppelin era evitar aparecer em programas de TV. O motivo? Na visão deles, os fãs deveriam vê-los nos shows, não em atrações televisivas onde geralmente faziam playback ou não tinham a estrutura necessária para uma boa performance ao vivo.
"Eles fizeram algumas aparições no começo, mas não gostavam de como soavam na TV. Eles achavam que se você queria ver a banda, deveria ir a um show. Em 1970, um ano e meio depois de eles assinarem com a Atlantic, eles já haviam feito cinco turnês na América e encontraram tempo para um segundo álbum. Era incrível", disse o executivo da gravadora.
Dessa forma, qual era o papel da Atlantic Records ao trabalhar com o Led Zeppelin? "Espectadores inocentes", respondeu Carson. "Garantíamos que os discos estariam nas lojas e conseguíamos espaço nas rádios, mas não interferíamos em nada nos shows. Os ingressos para shows vendiam sem precisar de publicidade. Às vezes, era anunciado apenas em uma rádio. Na maioria das vezes, era 'boca a boca'. O interessante é que ainda é assim, só que na geração da internet", completou.
Tudo isso colaborou para uma mudança de mentalidade na indústria musical, especialmente no rock, na década de 1970. Os álbuns, que ganharam importância com os Beatles, se tornaram seminais para bandas como o Led Zeppelin.
"Eles mostraram que estávamos errados sobre os singles, por exemplo, pois qualquer música rodando na rádio fazia com que as pessoas procurassem o disco. Depois de um tempo, você se perguntava se as bandas de rock realmente precisavam de singles. No caso do Zeppelin, eles realmente não precisavam", disse o profissional da Atlantic.
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