Por que voltas de Max e Iggor ao Sepultura não fariam sentido hoje, segundo Eloy
Por Igor Miranda
Fonte: Colisão Podcast
Postado em 22 de junho de 2021
Volta e meia, uma parcela dos fãs de Sepultura discute uma hipotética volta dos irmãos Max e Iggor Cavalera à banda. O vocalista e guitarrista deixou o grupo em 1996, enquanto o baterista saiu em 2006.
Ambos seguiram em frente, com novos projetos - inclusive uma banda em parceria, o Cavalera Conspiracy -, assim como o Sepultura, que traz Derrick Green no vocal desde 1997 e Eloy Casagrande na bateria a partir de 2011. Ainda assim, a temática de uma suposta reunião da primeira formação do grupo a conquistar sucesso segue presente entre parte dos fãs.
O que Eloy Casagrande, integrante mais jovem do Sepultura, pensa sobre toda essa discussão? Em entrevista ao Colisão Podcast, transcrita pelo Whiplash.Net, o músico revelou lidar "numa boa" com os pedidos de reunião da chamada formação clássica, mas opinou que as voltas de Max e Iggor, hoje, não fariam sentido.
Inicialmente, ele comentou: "Eu, particularmente, lido numa boa (com os pedidos de reunião). Não vivenciei toda essa história da banda. Então, sou só o baterista que entrou em 2011 e faz o trabalho desde então. Para mim, é muito tranquilo com relação a isso".
Eloy ainda relembrou que mantém amizade com outro ex-integrante do Sepultura: Jean Dolabella, que o antecedeu na bateria entre 2006 e 2011 e hoje faz parte do Ego Kill Talent. "Tenho até uma amizade com o Jean Dolabella. Quando entrei na banda, fui conversar com ele antes. Até encontrei com ele semana retrasada, eventualmente em estúdio. Temos uma super amizade, ele é um cara animal", afirmou.
"Não faz muito sentido"
Na visão de Casagrande, a possibilidade de retorno dos irmãos Cavalera ao Sepultura "não faz muito sentido". "Cada um está fazendo seu lance hoje em dia. O Max e o Iggor seguiram o caminho deles, o Sepultura também. A banda está muito feliz com o que faz hoje", disse.
O baterista deixou claro que respeita a opinião dos fãs que gostariam de ver o "velho Sepultura" reunido. "Não tem como eu abrir a cabeça de alguém e falar: 'não, você tem que gostar do que o Sepultura é hoje'. Não, deixa gostar do passado, da formação original. Está tudo bem. Cada pessoa tem uma referência e um gosto diferente. Bola pra frente", declarou.
Porém, ele tenta aproveitar o momento atual do Sepultura e da música como um todo para oferecer o melhor de si. "Transfiro muito para a música, ao tocar. Quando vou fazer um álbum, por mais que depois eu me arrependa do que fiz, tenho certeza de que naquele momento era a melhor opção ou a minha maior verdade. Passo isso para todos os sentidos", afirmou.
Saudosismo excessivo?
Eloy Casagrande ainda opinou que o sentimento saudosista de parte dos fãs de heavy metal deixa o gênero estagnado, especialmente no Brasil. O baterista acredita que essa parcela do público "não aceita o novo", o que "acaba reduzindo o estilo".
"Parece que os fãs de metal têm isso de querer que o passado volte, é muito saudosista, e isso acaba afetando até as bandas novas, porque elas não progridem, não evoluem, já que a pessoa quer como era no passado e não aceita o novo. Isso acaba reduzindo o estilo. Cada vez mais, nosso estilo está escasso: não tem banda, não tem público. Conhecemos todos os metaleiros de São Paulo, por exemplo. Nosso meio é pequeno - e esse saudosismo só o diminui", declarou.
Expor tal opinião é importante, segundo o músico, "porque a pessoa que tem saudosismo talvez reconheça e dê uma chance de ouvir uma banda nova". "Isso fomenta o estilo. Quem não gostaria de ligar a rádio e escutar um metal, um rock? A gente só chega a isso incentivando bandas novas. Por mais que seja de um estilo que você não gosta, que você se identifica, é uma porta de entrada para que as pessoas cheguem às bandas que você gosta", comentou.
Aprofundando sua reflexão, Eloy disse que o rock, como um todo, desfrutava de maior ímpeto de renovação quando bandas de pop rock e emocore, como Restart, estavam em alta. Para ele, o rock e até o metal conseguem renovar mais o seu público com artistas desse tipo em evidência, servindo como "porta de entrada" para novos fãs em potencial, do que outros nomes mais ligados a outros gêneros, como a cantora pop/funk Anitta.
"Tipo o Restart: quando o Restart era a Anitta do Brasil (em popularidade), fazia mais sentido para o meio do metal e do rock ter o Restart representando. Nada contra Anitta ou funk, mas está mais próximo do que somos, de trazer o público para nós. Temos que começar a quebrar essas barreiras, esses preconceitos, para que o metal chegue ao mainstream", concluiu.
O trecho da entrevista em que Eloy Casagrande fala sobre o assunto pode ser assistido no player de vídeo a seguir.
A entrevista completa pode ser conferida abaixo.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O hit do rock nacional que boa parte do Brasil não sabe o que significa a gíria do título
Twisted Sister confirma que fará shows com Sebastian Bach nos vocais
Dave Mustaine admite que pode não ter outra chance de falar com James Hetfield e Lars Ulrich
O melhor riff da história do heavy metal, segundo Max Cavalera (ex-Sepultura)
A lenda da banda que foi batizada por suas músicas durarem menos do que 1 minuto
A faixa definitiva do Motorhead não é "Ace of Spades" nem "Overkill", de acordo com Rob Halford
As cinco melhores músicas do Iron Maiden, segundo o Loudwire
Com orçamento apertado na atual turnê, Incantation pede comida aos fãs
Dave Mustaine afirma que não há motivos para não ser amigo dos integrantes do Metallica
As cinco piores músicas do Iron Maiden, segundo o Loudwire
Edu Falaschi anuncia "Mi'raj", álbum que encerra sua épica trilogia
O primeiro disco de heavy metal que Mikael Åkerfeldt comprou
Em biografia, atriz de Hollywood admite ter dispensado Brad Pitt por Sebastian Bach
Os 11 melhores letristas do black metal de todos os tempos, segundo a Loudwire
Nazareth é a primeira atração confirmada do Capital Moto Week 2026

Jean Dolabella: os 10 melhores bateristas, na opinião do batera do Ego Kill Talent
Eloy Casagrande: "o meio metal perdeu espaço por anos e hoje respira por aparelhos"

A música do Black Sabbath que tem o melhor riff de todos os tempos, segundo Max Cavalera
Nova música do Sepultura é elogiada em matéria da Metal Hammer
Greyson Nekrutman diz que sempre sonhou em contribuir com o Sepultura
Derrick Green explica o significado da nova música do Sepultura
Show do Sepultura no Rock in Rio 1991 foi fora de série, segundo Andreas Kisser
Como o Rock in Rio foi decisivo para Andreas Kisser se tornar músico
Ao ser acordada ao som de Sepultura, participante do BBB tem reação inesperada
Artista que fez capa de "Roots" considerou processo de criação um "pé no saco"
A banda clássica dos anos 1960 que inspirou Sepultura a parar, segundo Andreas Kisser


