Opeth: Mikael Akerfeldt ainda morava em cubículo na época do 5° disco, Blackwater Park
Por Igor Miranda
Postado em 17 de julho de 2021
O Opeth já era uma banda reconhecida no cenário underground quando lançou, em 2001, seu quinto álbum, "Blackwater Park". Porém, tal popularidade no segmento ainda não havia se revertido nas finanças do grupo.
A revelação foi feita por seu líder, o vocalista e guitarrista Mikael Åkerfeldt, em entrevista à Guitar World. O músico refletia sobre o 20° aniversário do álbum quando destacou os perrengues vivenciados naquela época.
"É estranho falar sobre essas músicas agora, após 20 anos. Eu estava morando em um pequeno apartamento flat, de um quarto, e não tinha muito a oferecer para mim ou para a banda. Tínhamos feito quatro discos antes e havia pouco interesse. As pessoas que gostavam de nós, gostavam muito - mas eram poucos", afirmou.
Naqueles tempos, a visão de Åkerfeldt sobre o futuro do Opeth era de que seria algo "sombrio". "Assim como a nossa música", pontuou. "Eu não tinha grandes esperanças, mas tinha orgulho das minhas composições".
O artista começou a pensar, nessa época, que a banda poderia não "acontecer", pois não bastava ter um contrato com uma gravadora - quando mais jovem, ele achava que bastaria estar associado a uma empresa desse tipo para construir uma carreira na música.
"No fim das contas, acabei não sendo um fracassado! Mas essa história de estar com contrato assinado com gravadora não era verdade. Fizemos quatro discos e eu era um perdedor (risos). Eu não me comparava aos meus colegas da música, mas às pessoas com quem estudei na escola. Eram pessoas com carreiras prósperas - entediantes, mas ao menos tinham algo para sobreviver", disse.
Todo esse contexto deixou Mikael "amargurado e abatido" para compor "Blackwater Park". "Eu não tinha muita esperança, só sabia que gostava da música que fiz. A maioria das músicas teve grandes mudanças. Fiz demos para 'Bleak', 'Harvest', 'The Drapery Falls' e talvez a faixa-título na casa de um amigo, mas trouxe muita coisa para o estúdio. Esse disco e o antecessor, 'Still Life' (1999), foram feitos assim e deixados no ar", afirmou.
Por fim, o músico destacou que o processo de composição de "Still Life" e "Blackwater Park" foi diferente dos discos seguintes, "Deliverance" (2002) e "Damnation" (2003). Nesses dois últimos, ele não tinha nenhuma canção pronta, então, tudo era concebido do zero.
"Eu estava transbordando confiança de alguma forma em 'Deliverance' e 'Damnation', então decidi fazer dois álbuns sem nenhuma música pronta até então, o que foi algo rico! Achei que era algum tipo de gênio que poderia criar músicas da noite para o dia. Foi uma decisão ruim para as sessões de gravação (risos). Em 'Still Life' e 'Blackwater Park', funcionou. Tenho muita música dentro de mim", concluiu.
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