Dia Mundial do Rock: como um rádio antigo e alguns CDs me ajudaram durante a pandemia
Por Mateus Ribeiro
Postado em 13 de julho de 2021
Terça-feira, 12 de julho de 2021, 19:17. Neste horário, começo a escrever um texto que estava em minha cabeça há dias. Ao contrário das matérias que costumo redigir, não farei nenhuma lista de curiosidades ou de discos lançados em um determinado ano. Desta vez, vou relatar de forma breve como um rádio antigo e alguns CDs me ajudaram durante a pandemia de Covid-19.
Como todos vocês sabem (ou deveriam saber), o mundo virou de cabeça para baixo desde o início de 2020, quando a Covid-19 começou a se alastrar pelo mundo. Não demorou muito para a doença chegar ao Brasil, mas pelo visto, vai demorar muito tempo até que as coisas voltem ao normal.
Felizmente, eu não perdi nenhuma pessoa da minha família por conta desta doença cruel. Porém, vi amigos, conhecidos e familiares de amigos perdendo a vida, o que obviamente, mexeu muito comigo. O isolamento social e a falta de perspectiva contribuíram para que o meu psicológico fosse para o espaço.
As coisas que sempre chamaram a minha atenção já não eram mais tão legais. Até mesmo ouvir música se tornou algo que estava me cansando. Eu poderia criar dez playlists diárias, porém, não tinha paciência para ouvir um disco do início ao fim. Estava saturado e não conseguia nem mesmo ouvir as bandas que eu sempre ouço.
É claro que em nenhum momento cogitei deixar de ouvir música, porém, precisava esfriar a cabeça um pouco e talvez, redescobrir meu amor pelo rock e pelo metal, ou então, como eu me tornei apaixonado pela música pesada. Consegui fazer tudo isso por conta de dois grandes amigos, um punhado de CDs e um rádio antigo.
Eu não me recordo a data correta (e olha que minha memória dificilmente me trai), mas creio que tenha sido em agosto. Enquanto conversava com um grande amigo (que foi um dos meus principais incentivadores), comentei sobre este meu desinteresse pela música, principalmente pelos clássicos. Este amigo, sempre com bons conselhos, disse que uma boa saída seria eu tentar ouvir as músicas que já conheço como se fosse a primeira vez. Talvez isso despertasse em mim algo parecido com o que eu sentia quando estava mergulhando no mundo do rock.
Algumas semanas depois, outro grande camarada me enviou algumas fotos, com alguns CDs, perguntando se eu não tinha interesse. Eu colecionava CDs quando tinha meus 18 anos, mas com o passar do tempo, me desfiz da coleção, prometendo para eu mesmo que um dia a retomaria. Já estava de saco cheio de ouvir música nas plataformas digitais, estava sentindo falta de curtir um som enquanto leio o encarte e descubro informações sobre o álbum.
Como tinha alguns trocados no bolso, aquela me pareceu uma boa oportunidade de unir o útil ao agradável: iria recomeçar um hábito (colecionar CDs) e de quebra, sairia um pouco da facilidade proporcionada pelas plataformas digitais, que de certa forma, fizeram com que eu me tornasse um "banger acomodado".
Então, fechei negócio e comprei os CDS, mesmo sem um aparelho de som para ouvir. Durante um tempo, o notebook quebrou o galho. Tudo estava legal, mas parecia que faltava alguma coisa. Essa lacuna foi completa de maneira inacreditável: minha mãe foi até um brechó organizado por uma igreja e encontrou um rádio "old school", com tocador de CDs, por 20 reais.
Mamãe querida comprou o rádio, mesmo sem saber se alguém iria se interessar. No início do ano, este rádio veio parar em minhas mãos. E a coleção de CDs já havia aumentado consideravelmente, já que continuei negociando com meu amigo e encomendando alguns álbuns pela Internet.
O primeiro álbum que ouvi no "radinho" foi "Metallica", o disco que mudou a minha vida, lá no final dos anos 1990. Separei uma hora do meu dia apenas para ouvir música e apreciar, como fazia no passado. Resolvi esquecer um pouco do mundo e me concentrar naquelas 12 faixas que há mais de 20 anos, transformaram a minha existência.
Desde os primeiros minutos de "Enter Sandman" até os acordes finais de "The Struggle Within", eu pude sentir uma emoção parecida com a que senti quando ouvi o disco pela primeira vez. Obviamente, eu já conhecia todas as músicas, mas me senti como aquele adolescente cheio de apetite, que alugava CDs, gravava fitas e queria ouvir de tudo.
Conforme o tempo foi passando, criei o hábito de ouvir um CD por dia, "apenas" pelo prazer de escutar as músicas, como fazia no passado. E neste período, já ouvi de tudo, já que a coleção ficou grande e tem desde clássicos como Ramones, Megadeth, Iron Maiden, Judas Priest, até bandas mais underground de thrash/death metal, passando por In Flames (CLARO), Dream Theater, Death e vários nomes de peso.
Este resgate se mostrou muito eficaz, já que meus dias se tornaram mais leves. Eu ainda ouço músicas nas plataformas digitais, mas reservo uma parte do meu dia para aproveitar ao máximo a experiência de ouvir um CD. Inclusive, providenciarei em breve uma fitak-7, para gravar alguns trabalhos e relembrar como era passar uma hora concentrado para não apertar o botão "stop" na hora errada.
Voltar no tempo e reviver alguns hábitos me ajudaram a superar este período terrível. Os conselhos dos amigos, os CDs e o radinho que minha amada mãe comprou me ajudaram a chegar até 12 de julho de 2021, data que tomei a vacina contra a Covid-19 e enchi o meu coração de esperança.
A pandemia não acabou, mas consegui superar uma etapa: chegar vivo até o dia da vacinação. Daqui em diante, os dias terão mais esperança e rock and roll (no radinho, de preferência). Começando por 13 de julho, o Dia Mundial do Rock.
Se cuidem, ouçam muita música pesada e confiem na ciência. Agora, com licença, pois vou ouvir algum dos CDs e voltar no tempo. Um abraço e até a próxima!
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