Outlaw: "Roqueiro tem aquela coisa de querer ser satanista para falar que é mau"
Por Emanuel Seagal
Postado em 09 de julho de 2021
O jornalista Gustavo Maiato entrevistou D., vocalista e guitarrista da banda Outlaw, que falou sobre o seu novo EP "Death Miasma", lançado pela Drakkar Brasil, sua gravação que ocorreu em três países, diferenças entre a cena europeia e brasileira, e muito mais. Confira abaixo alguns trechos:
Gustavo Maiato: Vocês já disseram que o Outlaw seria como uma anarquia espiritual. Interessante esse termo: tenho minha espiritualidade, mas não defino em regras ou fronteiras.
D.: Exatamente. É complicado se colocar dentro de um rótulo. Você é satanista? Beleza. Então você acredita no satã da bíblia? Você depende de um livro escrito por gente que você não gosta para sua crença? É isso que você segue? Não, eu colocaria mais como ocultismo. Tudo que pode ser trabalhado de maneira positiva para mim, eu posso usar. Não preciso me limitar somente ao que os outros satanistas acham que é legal. As pessoas ficam presas na imagem. O roqueiro tem aquela coisa de querer ser satanista para falar que é mau, para mim não faz sentido. A maior parte dos caras que se dizem satanistas sequer leram os livros!
Gustavo Maiato: Quais as diferenças entre a cena do black metal no Brasil e na Europa?
D.: Cheguei aqui na Holanda tem pouco tempo, morei antes na Itália. Tenho muito contato com a cena aqui. Nosso baterista é finlandês. Conversamos muito sobre como as coisas funcionam. Tenho muitos contatos. A cena aqui deu certo. As pessoas estão preocupadas em fazer música e passar alguma coisa dentro da música. Eles não repetem as mesmas coisas. Existem bandas que fazem isso, mas aqui elas têm uma maturidade diferente sobre o satanismo, por exemplo. Existe um mercado aqui. Não preciso ficar só tocando no boteco de graça, isso não existe aqui. As pessoas vão atrás, o público compra merchandising pra caralho! Aqui você consegue viver vendendo merchandising. Claro que tem uma panela das bandas maiores, mas não é igual no Brasil onde duas ou três se destacam e o resto fica no underground.
Gustavo Maiato: Vocês usam codinomes como "D." e "C." ao invés dos seus nomes verdadeiros. Por que vocês resolveram usar esses apelidos? É tipo algo meio misterioso?
D.: A minha ideia foi usar a inicial dos nossos nomes para abrir mão do seu ego. Tem gente que só quer entrar na banda porque ele quer ver o nome dele nas coisas. Quando você bota só a letra inicial, você está aceitando que a li naquele meio, seu ego precisa ficar de fora. Na banda, sou D. e não Daniel. Para o público, muitas vezes ninguém sabe meu nome. Ele abre o "Metal Archives" e não vai ver meu nome lá. No CD também está abreviado. É uma forma de abrir mão do reconhecimento em prol da banda.
Confira a matéria completa em texto em:
https://gustavomaiato.com.br/post/62385-entrevista-d-outlaw-black-metal
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