Tom Morello: do machismo a Satã, o grande problema das letras do metal segundo ele
Por Igor Miranda
Postado em 13 de outubro de 2021
Embora tenha se consagrado com a mensagem política por trás das músicas do Rage Against the Machine, Tom Morello é um grande fã de hard rock e metal - mesmo daquelas bandas com letras que pouco dialogam com o mundo real. O guitarrista diz adorar as composições "machistas" do Scorpions e os versos do Black Sabbath "sobre o demônio".
Porém, em entrevista à Revolver transcrita pelo Ultimate Guitar, Morello apontou qual é, em sua visão, o grande problema das letras de músicas de hard rock e heavy metal. Segundo ele, as composições de várias bandas não dialogam com a vida de seus ouvintes. A imensa maioria dos fãs não tem groupies ao seu redor, nem lida com o satanismo, por exemplo.
"Adorava o som (do metal) e havia esse conjunto de ideias que era independente. A banda que preencheu essa lacuna para mim não era do metal: era o The Clash. Foi a primeira banda de rock que trouxe som poderoso e ideias com as quais eu me relacionava. Por mais que eu adorasse metal, não me identificava com as letras", afirmou.
Morello disse que sua "banda favorita de metal cantava principalmente sobre o diabo e sobre groupies", sem citar qual banda é. "Nenhum desses elementos era uma grande parte de minha vida. Entre 'Sabbath Bloody Sabbath' (Black Sabbath) e 'Wang Dang Sweet Poontang' (Ted Nugent), nada disso tinha influência na minha vida", refletiu.
A vida de Tom, em seu período de juventude, consistia em "tentar conseguir um emprego e viver em um porão repleto de umidade com histórias em quadrinhos para ler". Não havia nenhuma banda de metal, segundo ele, que apresentava esse tipo de temática em suas letras.
Por outro lado, isso nunca o impediu de gostar do gênero. "Senti que esses mundos precisam permanecer independentes. Eu me tornei um guitarrista e amo muito o metal, só não havia nenhum exemplo real de música que tivesse muito peso e esse tipo de conteúdo", declarou.
"O meio é a mensagem"
Em outro momento da entrevista, Tom Morello refletiu sobre uma observação feita pelo entrevistador, citando a célebre frase do teórico da comunicação Marshall McLuhan: "o meio é a mensagem". O guitarrista do Rage Against the Machine entende que sua banda levou essa máxima a sério, pois trouxe uma mensagem de consciência social em meio a riffs pesados, groove envolvente e performance explosiva do frontman Zack de la Rocha.
"Quando a música - ou qualquer outra arte - é atraente, você é forçado a refletir sobre aquelas ideias que estão no meio da música. Amo o Scorpions e seus hinos machistas, mas sejam essas músicas, sejam canções sobre o diabo, você é forçado a pensar naquilo - e concordar ou discordar, absorver ou se distanciar", disse.
O músico entende que não dá para obter grandes resultados artísticos ao colocar uma batida em uma palestra do filósofo Noam Chomsky. "Ninguém vai querer isso. Pode ser uma versão mais perspicaz de como entender o mundo, mas não tem uma seção rítmica arrebatadora, um frontman convincente e um solo de guitarra insano que você pode tocar independentemente da ideia que está na música. Mas ainda assim aquilo está sendo dito na música. E isso pode ser filtrado", declarou.
A entrevista completa pode ser ouvida, em inglês e sem legendas, no player de vídeo abaixo.
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