Andre Matos tentou tirar Rafael Bittencourt do Angra logo após gravação do "Angels Cry"
Por Emanuel Seagal
Postado em 11 de janeiro de 2022
Rafael Bittencourt, guitarrista do Angra, participou do Ibagenscast, com Manoel Santos e Caio Maranho Maia, onde falou sobre discordâncias com Andre Matos devido aos créditos das músicas no disco, e revelou que o falecido vocalista tentou tirá-lo da banda na época do "Angels Cry".
Assim como Luis Mariutti falou em entrevista anterior ao Ibagenscast, Rafael deu mais detalhes dos problemas causados pela divisão de créditos. "Esse momento dos créditos do álbum 'Angels Cry' foi um dos momentos importantes dessa ruptura. No disco estava escrito assim, 'cover concept', o conceito da capa… Andre Matos. Falei que seria um anjo e seria uma estátua. Ele (Andre) foi no cemitério, tirou a foto do anjo e a gente estava fazendo junto, como tudo que a gente fazia, aí falei 'ué, por que você colocou o (seu) nome? Nunca vi uma capa que tem o crédito do conceito', uma babaquice isso. Tinha umas coisas de auto afirmação, do Andre precisar construir que tudo girava ao redor dele, e era uma necessidade muito grande. Tudo bem, ele falou que os japoneses pediram. Eu nunca vi isso, um e-mail ou fax, nada dizendo que tem que ser assim. Na verdade ele que mandou o crédito pro Japão e quando foi contestado ele falou que os caras da gravadora quiseram desse jeito. Mas enfim, ele também não está aqui pra se defender, então deixa pra lá", disse.
Segundo Rafael a questão envolvendo os créditos gerou debates acalorados, e disse ser difícil definir uma divisão dos créditos, pois alguns defendem que todos envolvidos no processo merecem estar nos créditos, enquanto outros acreditam que apenas quem teve ideias que entraram para o disco devem receber. "São conceitos que as pessoas têm que entrar num acordo, de cavalheiros, porque no fim das contas você tem que ter uma boa relação com todo mundo, você tem que ceder, e eu fiz muito acordo com o Andre… o problema é que eu cedia muito, e, okay, ele não gostava muito de botar meu nome junto com o dele, mas qualquer peido que ele dava na minha música tinha que ter o nome dele, então ficou assim, até que comecei a ficar defensivo. Foi amargurando a relação porque uma parceria que você tem que ficar na defensiva, onde você não confia mais que a pessoa também é empática com suas necessidades, é uma relação fadada ao fracasso", desabafou.
Rafael revelou também que Andre Matos tentou expulsá-lo da banda. "Teve uma conversa que tivemos logo após o "Angels Cry" que ele reuniu toda a banda pra tirar o Rafael Bittencourt. Ele reuniu o "Toninho" (ex-empresário do Angra), Kiko Loureiro, Luis Mariutti, e eu, pra comunicar que eu estava fora da banda, depois do 'Angels Cry', logo após a gravação. Falei 'não, cê tá louco, me tirar da banda, dei o nome da banda, criei o conceito, arrumei todos os músicos (que ele não conhecia), fiz metade das músicas e agora você vai me tirar? Da onde?' Ele começou a dar umas razões que não tinham pé nem cabeça. Ali enfraqueceu, puta punhalada pelas costas."
Ao ser questionado sobre como a situação foi revertida, se ele bateu o pé dizendo que não sairia ou se a banda ficou do seu lado, o músico respondeu: "Não, eles ficaram quietos, porque afinal de contas o Rafael e o Andre eram o centro criativo. Eles estavam numa situação de saia justa, 'pô, esses caras tem que se entender.' O Andre era o pilar principal porque a (gravadora) JVC entendia que ele era o grande astro do rock que saiu do Viper e havia feito agora o Angra, e ele queria que o argumento fosse esse."
Rafael aproveitou para desabafar que os fãs que escutam essas histórias tendem a vilanizar, demonizar os envolvidos, e escolher um lado, como um time, e colocar um contra o outro. "Não é nada disso. Era um monte de gente imatura, era tudo novo pra cacete. O fato é que o Angra é uma junção de projetos. Eu estava fazendo um projeto, que era uma banda, e o Andre estava fazendo outro projeto, que era a banda dele também, que ele não tinha ninguém, mas tinha uma estrutura, respaldo, uma carreira, experiência, dois discos nas costas, era um puta talento. Não quero vilanizar ele aqui, pelo amor de deus, mas eu estava fazendo minha banda, que era de heavy metal, com música brasileira, misturando estruturas de música erudita, e as minhas músicas que eu estava escrevendo, 'Time', 'Reaching Horizons', 'Queen of the Night', (Evil) 'Warning'."
"O Andre entendeu o seguinte, 'Não, o projeto é meu e você por favor fique aí bonzinho e me obedece'. Eu até poderia ficar bonzinho e obedecer, se, a meu ver, fosse um pouquinho mais equilibrado, mas não foi bem assim. Ele estava com a bola no pé dele realmente, a gravadora apoiando e tudo mais, então ele viu essa importância dele, que foi fatídica, mas o fato é que o Angra não existiria sem mim. Comecei a parada, eu juntei as pessoas, conhecia os músicos, tinha músicas pra fazer e tinha ideias, então foi a junção dessas duas coisas. Éramos duas pessoas novas com personalidades fortes e acabou tendo um monte de diferenças", concluiu.
Confira o bate-papo completo no player abaixo.
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